Quais são as fontes de dados digitais e seus impactos na saúde segundo uma revisão sistemática de revisões sistemáticas?
Resposta curta: Uma revisão sistemática de revisões sistemáticas identificou que as fontes de dados digitais mais utilizadas são mídias sociais, prontuários eletrônicos, websites e mídia de massa. Os impactos mais estudados são na prevenção, manejo e intervenção de doenças e em sistemas de alerta precoce. Também foram relatados riscos, como problemas de saúde mental e promoção de tabagismo e consumo de álcool.
Resposta
A revisão teve como objetivo identificar as fontes de dados digitais e suas áreas de impacto na saúde, incluindo desafios, oportunidades e boas práticas. Foram incluídas 64 revisões sistemáticas publicadas entre janeiro de 2010 e novembro de 2020, cobrindo três domínios definidos pela OMS: cobertura universal de saúde, emergências de saúde pública e populações mais saudáveis.
Em todas as três categorias, as mídias sociais foram a fonte de dados digitais mais popular, representando 47% (N = 8), 84% (N = 11) e 76% (N = 26) dos estudos, respectivamente. A segunda fonte mais utilizada foram os prontuários eletrônicos (N = 13), seguidos por websites (N = 7) e mídia de massa (N = 5).
O impacto mais estudado das fontes de dados digitais foi na prevenção, manejo e intervenção de doenças (N = 40), e como ferramenta, também há muitos estudos (N = 10) em sistemas de alerta precoce para doenças infecciosas. No entanto, as fontes digitais também podem representar riscos à saúde (N = 13), por exemplo, exacerbando problemas de saúde mental e promovendo comportamentos de fumar e beber entre jovens.
Os autores concluem que as fontes de dados digitais são essenciais para coletar e minerar informações sobre a saúde humana. O impacto principal das mídias sociais, prontuários eletrônicos e websites está na área de doenças infecciosas e sistemas de alerta precoce, e na área de saúde pessoal, ou seja, saúde mental e prevenção do tabagismo e do consumo de álcool.
A revisão também identificou uma lacuna aparente em revisões sistemáticas que investigam novos fluxos de big data, fluxos de dados da Internet das Coisas (IoT) e dados de sensores, dispositivos móveis e GPS pesquisados usando inteligência artificial, redes complexas e outros métodos de ciência da computação, pois nesse domínio as revisões sistemáticas não são comuns. Estudos futuros são necessários para abordar privacidade, confiança, transparência e interoperabilidade para aproveitar o potencial dos dados mantidos em vários armazenamentos e sistemas.
O que o estudo mostrou
Trata-se de uma revisão sistemática de revisões sistemáticas que realizou busca em múltiplas bases de dados, incluindo artigos revisados por pares publicados entre janeiro de 2010 e novembro de 2020. Foram incluídas 64 revisões, distribuídas em três domínios: cobertura universal de saúde, emergências de saúde pública e populações mais saudáveis. As mídias sociais foram a fonte de dados digitais mais popular em todas as categorias, representando 47% (N = 8), 84% (N = 11) e 76% (N = 26) dos estudos, respectivamente. A segunda fonte mais utilizada foram os prontuários eletrônicos (N = 13), seguidos por websites (N = 7) e mídia de massa (N = 5). O impacto mais estudado foi na prevenção, manejo e intervenção de doenças (N = 40), e sistemas de alerta precoce para doenças infecciosas (N = 10). Riscos à saúde foram relatados em 13 estudos, incluindo exacerbação de problemas de saúde mental e promoção de tabagismo e consumo de álcool entre jovens.
Limitações
O resumo não informa detalhes sobre a qualidade metodológica das revisões incluídas, nem sobre possíveis vieses de publicação. Também não são descritas limitações específicas da busca ou da síntese dos resultados. Além disso, o resumo não fornece informações sobre a amostra total de estudos primários contidos nas revisões, nem sobre a representatividade geográfica dos dados. A ausência de revisões sistemáticas sobre novos fluxos de big data, IoT e sensores é apontada como uma lacuna, mas não são discutidas as razões para essa escassez.
Aplicação no consultório
Para o médico brasileiro, os achados reforçam a importância de considerar as mídias sociais e os prontuários eletrônicos como fontes de informação sobre saúde dos pacientes, especialmente para prevenção e manejo de doenças. No consultório, isso pode orientar a coleta de dados digitais e a discussão sobre riscos, como o impacto negativo das mídias sociais na saúde mental e em comportamentos de risco entre jovens. A gestão do consultório pode se beneficiar da integração de dados de prontuários eletrônicos e de outras fontes digitais para melhorar a vigilância e o acompanhamento. No entanto, questões de privacidade, confiança, transparência e interoperabilidade precisam ser abordadas antes de uma adoção mais ampla. A lacuna em revisões sobre big data e IoT sugere cautela na implementação de tecnologias emergentes sem evidências consolidadas.
Estudo citado
Digital Data Sources and Their Impact on People's Health: A Systematic Review of Systematic Reviews. Frontiers in public health, 2021.
Autores: Li L, Novillo-Ortiz D, Azzopardi-Muscat N, Kostkova P.
DOI: 10.3389/fpubh.2021.645260 · PubMed: PMID 34026711
Perguntas para aprofundar
- Como as mídias sociais podem ser utilizadas na prática clínica para prevenção de doenças?
- Quais são os riscos do uso de dados digitais para a saúde mental de jovens?
- O que falta para integrar prontuários eletrônicos e outras fontes digitais no consultório?
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