# Marcadores digitais passivos baseados em prontuário eletrônico podem auxiliar na detecção precoce de Alzheimer e demências relacionadas?

> Uma revisão sistemática identificou 19 estudos sobre marcadores digitais passivos (PDMs) derivados de prontuário eletrônico para demências. A qualidade metodológica foi limitada (nenhum estudo bom, quatro razoáveis). A AUC variou de 0,67 a 0,97, sugerindo potencial para detecção precoce, mas com heterogeneidade e necessidade de validação.

Estudo citado: Taylor B, Barboi C, Boustani M. Passive digital markers for Alzheimer's disease and other related dementias: A systematic evidence review. Journal of the American Geriatrics Society. 2023. DOI: https://doi.org/10.1111/jgs.18426. PubMed: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/37249252/

## Resposta

A detecção oportuna de doença de Alzheimer e demências relacionadas (ADRD) é considerada subótima. Dados digitais já armazenados em prontuários eletrônicos (EHR) podem ser usados para desenvolver marcadores digitais passivos (PDMs), que são indicadores derivados automaticamente desses registros. Uma revisão sistemática avaliou estudos que descrevem o desenvolvimento, desempenho e validade desses PDMs para ADRD.

Foram incluídos 19 estudos publicados entre janeiro de 2000 e agosto de 2022, com populações de 18 anos ou mais. A qualidade metodológica foi avaliada pelos critérios da US Preventive Services Task Force: quatro estudos foram considerados de qualidade razoável e nenhum de boa qualidade. A funcionalidade dos PDMs variou desde a detecção de comprometimento cognitivo leve, doença de Alzheimer ou ADRD até a previsão de estágios da demência.

Apenas sete estudos utilizaram um método de referência diagnóstico válido. Nove PDMs usaram somente dados estruturados do EHR, e cinco estudos forneceram informações completas sobre raça e etnia da população. O número de características incluídas nos PDMs variou de 10 a 853, e os modelos empregaram diversas técnicas estatísticas e de aprendizado de máquina, com diferentes janelas de tempo de risco. A área sob a curva (AUC) variou de 0,67 a 0,97.

Os autores concluem que, apesar da heterogeneidade no desenvolvimento e desempenho dos PDMs, há evidências de que esses marcadores têm potencial para detectar ADRD em estágios mais precoces. No entanto, a qualidade metodológica limitada e a variabilidade dos resultados indicam que mais pesquisas são necessárias antes da aplicação clínica rotineira.

Para o médico, esses achados sugerem que ferramentas baseadas em prontuário eletrônico podem futuramente auxiliar na triagem, mas atualmente não há padronização ou validação suficiente para uso na prática. A gestão do consultório deve aguardar diretrizes claras e estudos de boa qualidade antes de incorporar tais marcadores na rotina assistencial.

## O que o estudo mostrou

Revisão sistemática que incluiu 19 estudos observacionais (transversais, retrospectivos ou prospectivos) publicados entre janeiro de 2000 e agosto de 2022, com pacientes de 18 anos ou mais, utilizando dados de prontuário eletrônico para desenvolver marcadores digitais passivos (PDMs) para demências. A qualidade foi avaliada pelos critérios da US Preventive Services Task Force: quatro estudos tiveram qualidade razoável e nenhum boa qualidade. Apenas sete usaram método de referência diagnóstico válido. Nove PDMs usaram apenas dados estruturados. O número de características variou de 10 a 853, e a AUC de 0,67 a 0,97.

## Limitações

O resumo não informa detalhes sobre as limitações individuais dos estudos incluídos, mas destaca a heterogeneidade no desenvolvimento e desempenho dos PDMs, a qualidade metodológica limitada (nenhum estudo de boa qualidade) e o fato de que apenas sete estudos usaram um método de referência diagnóstico válido. Além disso, poucos estudos forneceram informações completas sobre raça e etnia, o que pode limitar a generalização. O resumo não informa o tamanho amostral total nem o desenho específico de cada estudo.

## Aplicação no consultório

Os achados indicam que marcadores digitais passivos baseados em prontuário eletrônico ainda não estão prontos para uso clínico rotineiro, dada a qualidade metodológica limitada e a heterogeneidade dos estudos. Na gestão do consultório, isso significa que não se deve adotar tais ferramentas como padrão de triagem sem validação local e diretrizes claras. No entanto, o médico pode acompanhar o desenvolvimento da área e considerar a incorporação futura quando houver evidências mais robustas, especialmente para detecção precoce de demências em populações de risco.

## Perguntas para aprofundar

- Quais características do prontuário eletrônico são mais úteis para construir marcadores digitais passivos de demência?
- Como a qualidade metodológica dos estudos sobre marcadores digitais passivos pode ser melhorada?
- Qual o impacto potencial da implementação de marcadores digitais passivos na rotina de triagem de demências?

Tema: IA em triagem e prontuário eletrônico. Página: https://alphadoctor.com.br/ciencia/ia-triagem-prontuario/marcadores-digitais-passivos-baseados-em-prontuario-eletronico-podem-auxiliar/

Conteúdo educacional para profissionais de saúde, baseado no resumo do artigo citado. Não substitui a leitura do estudo original nem avaliação clínica.
