Como está distribuída a produção científica global sobre tecnologias digitais de saúde no cuidado à demência?
Resposta curta: Uma análise bibliométrica de 704 revisões mostrou crescimento constante das publicações sobre tecnologias digitais de saúde e demência, com destaque para mobile health, telessaúde e intervenções cognitivas computadorizadas. O Journal of Medical Internet Research concentrou mais revisões e citações. Pesquisadores de 66 países contribuíram, com Reino Unido e Estados Unidos mais produtivos, e predominância de países de alta renda.
Resposta
A análise bibliométrica reuniu 704 registros de revisões sobre tecnologias digitais de saúde aplicadas ao suporte de pessoas idosas com demência, suas famílias e cuidadores. A maior parte das revisões era sistemática, e uma parcela substancial abordava mobile health, telessaúde e intervenções cognitivas baseadas em computador. O volume de publicações nessa interseção aumentou de forma constante ao longo do tempo.
O Journal of Medical Internet Research apresentou o maior número de revisões e de citações. Contribuíram pesquisadores de 66 países, com o Reino Unido e os Estados Unidos como os mais produtivos. A avaliação das contribuições por país, instituição e partes interessadas revelou tendências relevantes e lacunas de conhecimento, com destaque para a dominância de países de alta renda nesse domínio de pesquisa.
Os autores observam que a diversidade de revisões conduzidas sobre um mesmo tema gerou duplicação de esforços científicos. Por isso, enfatizam a importância de equipes interdisciplinares e colaborativas e apontam direções claras para pesquisas futuras, especialmente em regiões sub-representadas. O crescimento das publicações abrange áreas como mobile health, realidade virtual, inteligência artificial e intervenções baseadas em sensores.
As conclusões reforçam que esse aumento evidencia a importância de abordagens sistemáticas e de colaborações interdisciplinares, ao mesmo tempo que identifica lacunas de conhecimento, sobretudo em regiões de menor renda. Segundo os autores, é crucial que pesquisadores no mundo todo sigam os princípios da medicina baseada em evidências para evitar duplicação de esforços.
A análise é apresentada como uma base valiosa para formuladores de políticas e acadêmicos, destacando a necessidade de uma força-tarefa colaborativa internacional para enfrentar as lacunas de conhecimento e avançar no cuidado à demência globalmente. O resumo não detalha resultados clínicos de intervenções específicas, mas mapeia o panorama da produção científica e suas tendências.
O que o estudo mostrou
Trata-se de uma análise bibliométrica conduzida como parte de um protocolo de revisão sistemática, com buscas em MEDLINE, Embase, Scopus, Epistemonikos, Cochrane Database of Systematic Reviews e Google Scholar até 21 de fevereiro de 2024. Dois revisores independentes fizeram triagem em 2 etapas, com divergências resolvidas por um terceiro revisor. Foram incluídos 704 registros, analisados no VOSviewer quanto a tipos de documento, autoria, países, instituições, fontes, referências e palavras-chave. A maioria era de revisões sistemáticas, com cobertura substancial de mobile health, telessaúde e intervenções cognitivas computadorizadas. O Journal of Medical Internet Research teve mais revisões e citações; 66 países contribuíram, com Reino Unido e Estados Unidos mais produtivos; houve crescimento constante das publicações e duplicação de esforços.
Limitações
O resumo não informa limitações formais do estudo. Por se tratar de análise bibliométrica de revisões, os achados descrevem volume, autoria e temas da produção científica, e não a eficácia clínica das tecnologias. O resumo também não detalha a qualidade metodológica das revisões incluídas nem a magnitude dos efeitos relatados.
Aplicação no consultório
Para o médico, o estudo ajuda a localizar onde a evidência sobre tecnologias digitais no cuidado à demência está concentrada: mobile health, telessaúde, intervenções cognitivas computadorizadas, realidade virtual, inteligência artificial e sensores. Isso pode orientar a seleção de temas para educação continuada e para discussão de incorporação tecnológica na prática. Na gestão do consultório, o mapeamento de lacunas e a dominância de países de alta renda sugerem cautela ao importar modelos de cuidado sem adaptação local, além de incentivar parcerias interdisciplinares e acompanhamento crítico da literatura para evitar duplicação de esforços.
Estudo citado
Use of Digital Health Technologies for Dementia Care: Bibliometric Analysis and Report. JMIR mental health, 2025.
Autores: Abdulazeem H, Borges do Nascimento IJ, Weerasekara I, Sharifan A, Grandi Bianco V, Cunningham C, Kularathne I, Deeken G, de Barros J, Sathian B, Østengaard L, Lamontagne-Godwin F, van Hoof J, Lazeri L, Redlich C, Marston HR, Dos Santos RA, Azzopardi-Muscat N, Yon Y, Novillo-Ortiz D.
DOI: 10.2196/64445 · PubMed: PMID 39928936
Perguntas para aprofundar
- Quais áreas de tecnologias digitais de saúde concentram mais publicações sobre demência?
- Como a produção científica sobre tecnologias digitais e demência se distribui entre países e instituições?
- Que lacunas de conhecimento a análise bibliométrica identifica para o cuidado à demência?
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