# Como as organizações de saúde constroem e aplicam capacidades habilitadas por inteligência artificial para gerar valor?

> Uma revisão sistemática da literatura, com 102 artigos publicados entre 2015 e 2025, propõe um modelo de processo em que ferramentas de inteligência artificial e suas microfundações sustentam as capacidades de sensoriamento, captura e transformação, que por sua vez impulsionam desfechos em saúde e retroalimentam o desenvolvimento dessas capacidades.

Estudo citado: Ferede D. Artificial Intelligence (AI) and Healthcare Capabilities: A Systematic Review and Research Directions. F1000Research. 2025. DOI: https://doi.org/10.12688/f1000research.158477.2. PubMed: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/42183475/

## Resposta

A rápida difusão da inteligência artificial está remodelando a saúde, um dos pilares centrais dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas. A adoção dessa tecnologia amplia oportunidades de inovação, mas também cria desafios e altera práticas consolidadas. Por isso, compreender como as organizações de saúde desenvolvem capacidades relacionadas à inteligência artificial e as convertem em valor organizacional é um passo importante para orientar decisões clínicas e gerenciais.

O estudo realizou uma revisão sistemática da literatura seguindo as diretrizes PRISMA, com a teoria das capacidades dinâmicas como referência analítica. A busca estruturada usou as palavras-chave 'artificial intelligence' e 'healthcare capability' e abrangeu publicações de acesso aberto do PubMed e do IEEE Xplore, além de estudos acessados institucionalmente pelo AIS eLibrary, com foco em artigos publicados entre 2015 e 2025. Após critérios predefinidos de inclusão e exclusão, a amostra final foi de 102 artigos, analisados qualitativamente.

A análise identifica ferramentas de inteligência artificial relevantes na saúde, suas microfundações, as capacidades que elas sustentam, os desfechos em saúde resultantes e os desafios que moldam esse cenário. A partir desses achados, o autor propõe um modelo de processo que explica como ferramentas e microfundações viabilizam as capacidades de sensoriamento, captura e transformação, que por sua vez impulsionam desfechos habilitados por inteligência artificial.

Esses desfechos retroalimentam de forma recursiva as capacidades, reforçando e ampliando seu desenvolvimento ao longo do tempo. O trabalho contribui para a literatura sobre inteligência artificial e capacidades dinâmicas em saúde ao esclarecer os mecanismos pelos quais a tecnologia gera valor. Na prática, oferece subsídios para organizações de saúde que buscam operacionalizar a inteligência artificial de modo efetivo, explicitando como ela fortalece e estende as capacidades assistenciais.

## O que o estudo mostrou

Trata-se de uma revisão sistemática da literatura conduzida conforme as diretrizes PRISMA, com busca nas bases PubMed, IEEE Xplore e AIS eLibrary, restrita a artigos publicados entre 2015 e 2025. A amostra final foi de 102 artigos, submetidos a análise qualitativa. O estudo identificou ferramentas de inteligência artificial na saúde, suas microfundações, as capacidades habilitadas, os desfechos resultantes e os desafios envolvidos, propondo um modelo de processo baseado em sensoriamento, captura e transformação.

## Limitações

O resumo não informa detalhes sobre a qualidade metodológica dos artigos incluídos, o perfil das organizações estudadas ou a magnitude dos efeitos relatados. Por se tratar de revisão da literatura, os achados refletem o que foi publicado, e não necessariamente a prática real das organizações. O resumo também não descreve instrumentos de avaliação de risco de viés nem estratégias de síntese quantitativa.

## Aplicação no consultório

O modelo proposto pode orientar gestores de consultórios e clínicas a enxergar a inteligência artificial não como ferramenta isolada, mas como conjunto de microfundações que sustentam capacidades de sensoriamento, captura e transformação. Na prática, isso sugere planejar a adoção de forma processual, avaliando desfechos e usando os resultados para aperfeiçoar continuamente as capacidades organizacionais, em vez de tratar a tecnologia como solução pontual.

## Perguntas para aprofundar

- Quais ferramentas de inteligência artificial são mais frequentemente descritas na literatura em saúde?
- Como as capacidades dinâmicas explicam a geração de valor a partir da inteligência artificial na saúde?
- Quais desafios moldam a adoção de inteligência artificial pelas organizações de saúde?

Tema: IA em telemedicina e monitoramento remoto. Página: https://alphadoctor.com.br/ciencia/ia-telemedicina-monitoramento/como-as-organizacoes-de-saude-constroem-e-aplicam-capacidades-habilitadas-por/

Conteúdo educacional para profissionais de saúde, baseado no resumo do artigo citado. Não substitui a leitura do estudo original nem avaliação clínica.
