# Biomarcadores digitais de áudio são úteis no diagnóstico e manejo de doenças respiratórias?

> Uma revisão sistemática com análise bibliométrica de 81 estudos mostrou que biomarcadores de áudio geralmente alcançam acurácia moderada a alta para asma, DPOC e pneumonia, com altas sensibilidades e especificidades em parte dos estudos. A heterogeneidade metodológica é grande, e a validação em populações clínicas diversas ainda é necessária.

Estudo citado: Landry V, Matschek J, Pang R, Munipalle M, Tan K, Boruff J et al.. Audio-based digital biomarkers in diagnosing and managing respiratory diseases: a systematic review and bibliometric analysis. European respiratory review : an official journal of the European Respiratory Society. 2025. DOI: https://doi.org/10.1183/16000617.0246-2024. PubMed: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/40368428/

## Resposta

A revisão sistemática com análise bibliométrica avaliou o panorama da pesquisa sobre biomarcadores digitais de áudio em doenças respiratórias. Foram incluídos 81 estudos que testaram a acurácia da análise de som para diagnóstico e manejo de doenças obstrutivas (asma e DPOC) ou infecciosas, excluindo COVID-19. A síntese narrativa mostrou que, apesar da heterogeneidade metodológica, os biomarcadores de áudio geralmente atingiram acurácias moderadas (60-79%) a altas (80-100%).

Os achados específicos indicam que, para asma, oito de dez estudos relataram altas sensibilidades e especificidades; para DPOC, sete de nove relataram alta sensibilidade e cinco de nove alta especificidade; para pneumonia, sete de onze relataram altos valores de sensibilidade ou especificidade. Os biomarcadores mais comuns foram respiração e tosse, e as redes neurais artificiais foram a técnica de análise mais frequente.

A análise bibliométrica identificou temas fundamentais, como 'diagnostic accuracy' combinado com 'machine learning', e temas emergentes, como 'developing countries'. Os autores concluem que pesquisas futuras devem testar a validade dos biomarcadores de áudio em populações clinicamente diversas e resolver vieses algorítmicos. Se bem-sucedidos, esses biomarcadores podem complementar ferramentas clínicas existentes, com aplicações em telemedicina, monitoramento de doenças transmissíveis e manejo de condições crônicas.

Para o médico, os resultados sugerem que a análise de áudio pode vir a ser um recurso adjuvante, mas ainda não há evidências suficientes para uso clínico rotineiro. A heterogeneidade dos estudos e a falta de validação externa limitam a aplicação imediata. O resumo não informa detalhes sobre a população dos estudos incluídos, o que reforça a necessidade de cautela na interpretação.

## O que o estudo mostrou

Revisão sistemática com análise bibliométrica (PROSPERO CRD 42022336730) que incluiu 81 estudos, indexados até 9 de abril de 2024. Avaliou a acurácia da análise de som para diagnóstico e manejo de asma, DPOC e pneumonia (excluindo COVID-19). Apesar da heterogeneidade metodológica, os biomarcadores de áudio geralmente alcançaram acurácias moderadas (60-79%) a altas (80-100%). Para asma, 80% (oito de dez) relataram altas sensibilidades e especificidades; para DPOC, 78% (sete de nove) alta sensibilidade e 56% (cinco de nove) alta especificidade; para pneumonia, 64% (sete de onze) altos valores de sensibilidade ou especificidade. Respiração e tosse foram os biomarcadores mais comuns, e redes neurais artificiais a técnica mais usada.

## Limitações

O resumo não informa as características das populações incluídas nem o risco de viés detalhado por estudo. A heterogeneidade metodológica entre os estudos é destacada, e a qualidade da evidência é avaliada com QUADAS-2, mas os resultados dessa avaliação não são descritos. A síntese é narrativa, sem meta-análise. Os autores apontam a necessidade de validar os achados em populações clinicamente diversas e de resolver vieses algorítmicos, indicando que a evidência atual ainda é fragmentada.

## Aplicação no consultório

Os biomarcadores digitais de áudio ainda não estão prontos para uso clínico rotineiro, mas podem ser considerados em pesquisas ou em contextos de telemedicina experimental. O médico deve acompanhar a evolução da validação e evitar incorporar essas ferramentas como padrão diagnóstico. Na gestão do consultório, investir em infraestrutura de telemedicina e monitoramento remoto pode preparar o terreno para futuras aplicações, desde que baseadas em evidências robustas.

## Perguntas para aprofundar

- Qual a acurácia dos biomarcadores de áudio para diagnóstico de asma em diferentes faixas etárias?
- Como as redes neurais artificiais podem ser aplicadas na análise de sons respiratórios na prática clínica?
- Quais são os principais vieses algorítmicos que afetam biomarcadores digitais em doenças respiratórias?

Tema: IA em telemedicina e monitoramento remoto. Página: https://alphadoctor.com.br/ciencia/ia-telemedicina-monitoramento/biomarcadores-digitais-de-audio-sao-uteis-no-diagnostico-e-manejo-de-doencas/

Conteúdo educacional para profissionais de saúde, baseado no resumo do artigo citado. Não substitui a leitura do estudo original nem avaliação clínica.
