# A evidência econômica sobre inteligência artificial em saúde sustenta as projeções de economia bilionária?

> A revisão sistemática identificou 98 avaliações econômicas únicas sobre IA em saúde. Apenas 36% demonstraram preferência econômica clara pela tecnologia de IA, proporção que subiu para 44% entre os 51 estudos de alta qualidade. Os autores concluem que há potencial definido para custo-efetividade positiva, mas que a evidência ainda não sustenta projeções de economia de centenas de bilhões.

Estudo citado: Schmidt J, Carter AW, McGuire A, Mossialos E, van Kessel R. A systematic review of economic evidence of artificial intelligence in healthcare. Health policy (Amsterdam, Netherlands). 2026. DOI: https://doi.org/10.1016/j.healthpol.2026.105715. PubMed: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/42501469/

## Resposta

A revisão sistemática buscou sintetizar a evidência econômica disponível sobre tecnologias de inteligência artificial em saúde e confrontá-la com as expectativas políticas mais amplas sobre o impacto econômico dessas ferramentas. O ponto de partida foram projeções ambiciosas que atribuem à IA economias anuais de 200 a 360 bilhões de dólares nos Estados Unidos e de 212 bilhões de euros na Europa. O objetivo foi verificar se a base empírica disponível sustenta esse tipo de afirmação.

Os autores realizaram buscas em MEDLINE, Embase, Global Health, PsycINFO e Cochrane Central, além de literatura cinzenta. Foram identificados 16.430 registros acadêmicos e 1.593 registros de literatura cinzenta, dos quais 91 atenderam aos critérios de inclusão, representando 98 avaliações únicas. A qualidade metodológica foi avaliada com ferramentas específicas para avaliações econômicas e com um checklist de relato voltado a estudos de IA.

Os resultados mostram que 36% das avaliações demonstram preferência econômica clara pela tecnologia de IA. Quando se consideram apenas os 51 estudos de alta qualidade, essa proporção sobe para 44%. As intervenções de IA eram majoritariamente voltadas a prestadores de serviços de saúde, com oftalmologia e oncologia entre as áreas mais frequentes. Ou seja, menos da metade das avaliações de melhor qualidade favoreceu economicamente a IA.

Os autores concluem que os estudos de alta qualidade mostram potencial definido para custo-efetividade positiva e impacto econômico das tecnologias de IA, mas que ainda não é possível sustentar as alegações ambiciosas de economias de centenas de bilhões. Ao combinar esses achados com os de ensaios clínicos randomizados que avaliam IA na prática clínica, torna-se evidente que as tecnologias de IA frequentemente produzem melhorias em desfechos clínicos e econômicos ou se equiparam ao padrão de cuidado atual.

Para o médico brasileiro, o recado é de cautela proporcional ao entusiasmo: a evidência econômica existe, mas é heterogênea e concentrada em poucas especialidades. A decisão de adotar uma ferramenta de IA deve considerar a qualidade da avaliação econômica disponível para aquele contexto específico, e não projeções agregadas de mercado.

## O que o estudo mostrou

Trata-se de uma revisão sistemática com busca em MEDLINE, Embase, Global Health, PsycINFO e Cochrane Central, além de literatura cinzenta. De 16.430 registros acadêmicos e 1.593 de literatura cinzenta, 91 foram incluídos, representando 98 avaliações únicas. A qualidade foi avaliada com a matriz de ranking de dominância e ferramentas de avaliação crítica e de relato. Em 36% das avaliações houve preferência econômica clara pela IA, chegando a 44% entre os 51 estudos de alta qualidade. As intervenções eram majoritariamente voltadas a prestadores, com oftalmologia e oncologia mais frequentes.

## Limitações

O resumo não informa detalhes sobre a população, os países ou os contextos de implementação das avaliações incluídas, nem descreve as limitações apontadas pelos próprios autores. A heterogeneidade das intervenções de IA e das áreas clínicas dificulta generalização. Além disso, a proporção de estudos favoráveis à IA não equivale a comprovação de economia em escala, e o resumo não permite concluir sobre custos de implantação, manutenção ou efeitos de longo prazo.

## Aplicação no consultório

Na prática e na gestão do consultório, a revisão sugere avaliar ferramentas de IA com base em evidência econômica de qualidade para o contexto específico, e não em projeções agregadas de mercado. Como oftalmologia e oncologia concentram a evidência, outras especialidades devem ser mais cautelosas ao assumir retorno econômico. O gestor pode usar os critérios de qualidade metodológica como referência ao analisar fornecedores e ao planejar investimentos em tecnologia, reservando expectativas de economia moderadas e verificáveis.

## Perguntas para aprofundar

- Quais critérios de qualidade metodológica devo usar ao avaliar um estudo econômico sobre IA em saúde?
- Por que a evidência econômica em IA se concentra em oftalmologia e oncologia?
- Como conciliar os resultados de ensaios clínicos randomizados com as avaliações econômicas de IA?

Tema: IA em telemedicina e monitoramento remoto. Página: https://alphadoctor.com.br/ciencia/ia-telemedicina-monitoramento/a-evidencia-economica-sobre-inteligencia-artificial-em-saude-sustenta-as/

Conteúdo educacional para profissionais de saúde, baseado no resumo do artigo citado. Não substitui a leitura do estudo original nem avaliação clínica.
