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IA em saúde mental

O uso de dados de redes sociais com inteligência artificial já permite diagnosticar e monitorar transtornos psicóticos na prática clínica?

Resposta curta: A revisão sistemática identificou 7 estudos com resultados encorajadores, mas a maioria apresentou vieses significativos, como falta de acesso a dados clínicos diagnósticos e amostras pequenas. Assim, não é possível concluir sobre a acurácia em situações clínicas reais. A aplicação rotineira ainda não está estabelecida.

Resposta

A revisão sistemática teve como objetivo analisar as capacidades atuais da inteligência artificial (IA) para utilizar dados de redes sociais como ferramenta diagnóstica de transtornos psicóticos, incluindo a esquizofrenia. Os autores buscaram estudos publicados até novembro de 2021 em diversas bases de dados, seguindo critérios padronizados para seleção e avaliação crítica da qualidade metodológica.

Foram identificados 93 estudos, dos quais 7 foram incluídos na análise. Os resultados desses estudos foram considerados encorajadores, sugerindo que dados de redes sociais podem ser usados de várias maneiras para cuidar de pacientes com esquizofrenia, incluindo o monitoramento após o primeiro episódio de psicose. No entanto, os próprios autores destacam limitações importantes, como a falta de acesso a dados clínicos diagnósticos, o tamanho pequeno das amostras e a heterogeneidade na qualidade dos estudos.

Diante dessas limitações, os revisores não puderam tirar conclusões sobre a acurácia diagnóstica em situações clínicas reais. A maioria dos estudos incluídos apresentou vieses significativos, o que compromete a validade dos achados para aplicação prática. Portanto, a tecnologia ainda não está pronta para uso clínico rotineiro no diagnóstico de transtornos psicóticos.

Para avançar, os autores recomendam o uso de redes neurais de processamento de linguagem natural de última geração, chamadas modelos de linguagem, para modelar a atividade em redes sociais. Combinados com a técnica de sobreamostragem sintética de minorias, esses modelos podem lidar com a limitação de conjuntos de dados desbalanceados, necessária para treinar classificadores não enviesados. Além disso, os modelos de linguagem podem ser facilmente adaptados à tarefa de classificação por meio de um procedimento chamado fine-tuning.

A conclusão é que o uso de dados de redes sociais para o diagnóstico de transtornos psicóticos é promissor, mas ainda requer estudos futuros com metodologias mais precisas para obter resultados não enviesados. A aplicação clínica permanece no campo da pesquisa, sem evidências suficientes para incorporação na prática assistencial.

O que o estudo mostrou

Trata-se de uma revisão sistemática da literatura que identificou 93 estudos, dos quais 7 foram incluídos para análise. Os estudos incluídos apresentaram resultados encorajadores, indicando que dados de redes sociais podem ser usados para cuidar de pacientes com esquizofrenia, incluindo monitoramento após o primeiro episódio de psicose. No entanto, os estudos apresentaram limitações como falta de acesso a dados clínicos diagnósticos, amostras pequenas e heterogeneidade na qualidade. Os autores não puderam concluir sobre a acurácia em situações clínicas devido a vieses significativos.

Limitações

A principal limitação é que a maioria dos estudos incluídos apresentou vieses significativos, incluindo falta de acesso a dados clínicos diagnósticos, tamanho pequeno de amostra e heterogeneidade na qualidade metodológica. Essas falhas impedem conclusões sobre a acurácia diagnóstica em contextos clínicos reais. O resumo não informa detalhes sobre o desenho específico de cada estudo incluído nem sobre a população exata avaliada.

Aplicação no consultório

Na prática clínica, os achados ainda não permitem incorporar dados de redes sociais como ferramenta diagnóstica de transtornos psicóticos. O médico deve manter a avaliação clínica tradicional como padrão. Para a gestão do consultório, a revisão sinaliza uma área emergente de pesquisa, mas sem evidências suficientes para investimento em tecnologias de monitoramento por redes sociais. É importante acompanhar a literatura, pois métodos como modelos de linguagem e sobreamostragem sintética podem viabilizar estudos futuros mais robustos.

Estudo citado

Use of Social Media Data to Diagnose and Monitor Psychotic Disorders: Systematic Review. Journal of medical Internet research, 2022.
Autores: Lejeune A, Robaglia BM, Walter M, Berrouiguet S, Lemey C.
DOI: 10.2196/36986 · PubMed: PMID 36066938

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Conteúdo educacional para profissionais de saúde, baseado no resumo do artigo citado. Não substitui a leitura do estudo original nem avaliação clínica.