# MicroRNAs circulatórios podem servir como biomarcadores para o diagnóstico e prognóstico do transtorno depressivo maior?

> Uma revisão sistemática identificou 99 microRNAs circulatórios desregulados no transtorno depressivo maior, destacando miR-24-3p, let-7a-5p, miR-26a-5p, miR-135a, miR-425-3p, miR-132, miR-124 e miR-16-5p. Análises in silico sugerem vias moleculares e fatores de transcrição envolvidos, mas os autores não puderam concluir firmemente sobre a significância clínica desses biomarcadores.

Estudo citado: Rasheed M, Asghar R, Firdoos S, Ahmad N, Nazir A, Ullah KM et al.. A Systematic Review of Circulatory microRNAs in Major Depressive Disorder: Potential Biomarkers for Disease Prognosis. International journal of molecular sciences. 2022. DOI: https://doi.org/10.3390/ijms23031294. PubMed: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/35163214/

## Resposta

O transtorno depressivo maior (TDM) é uma condição neuropsiquiátrica complexa, cujo diagnóstico e manejo permanecem desafiadores devido ao seu endofenótipo heterogêneo. Nesse contexto, os microRNAs circulatórios (cimiRNAs) surgem como potenciais biomarcadores, podendo oferecer novas perspectivas para o diagnóstico do TDM. Uma revisão sistemática recente explorou a literatura para identificar cimiRNAs associados ao TDM e as vias moleculares subjacentes.

A revisão analisou 32 relatos que atenderam aos critérios de inclusão, identificando 99 cimiRNAs desregulados em pacientes com TDM. Desses, 20 cimiRNAs encontrados em múltiplos relatos foram submetidos a análise in silico. A análise de vias KEGG indicou ativação das vias de sinalização ALS, MAPK, p53 e PI3K-Akt, enquanto a análise de ontologia gênica mostrou que a maioria dos alvos proteicos estava associada à transcrição. A análise de localização cromossômica revelou agrupamento de cimiRNAs desregulados próximos a 3p22-p21, 9q22.32 e 17q11.2, sugerindo co-regulação com fatores de transcrição específicos.

Ainda, a análise dos sítios de fatores de transcrição revelou a presença de HIF-1, REST e TAL1 na maioria dos cimiRNAs. Esses fatores de transcrição são propostos como alvos de genes ligados ao TDM, levantando a hipótese de que a desregulação de primeira onda dos cimiRNAs pode desencadear uma segunda onda de mudanças transcricionais, alterando a expressão proteica em células afetadas pelo TDM. Os cimiRNAs mais proeminentes listados incluem miR-24-3p, let-7a-5p, miR-26a-5p, miR-135a, miR-425-3p, miR-132, miR-124 e miR-16-5p.

Apesar desses achados, os autores destacam que várias limitações impediram conclusões firmes sobre a significância clínica desses cimiRNAs. Eles sugerem a necessidade de mais pesquisas em um único compartimento sanguíneo para identificar o potencial biomarcador de cimiRNAs consistentemente desregulados no TDM, bem como as implicações terapêuticas dessas percepções in silico. Assim, os resultados são promissores, mas ainda não permitem aplicação clínica imediata.

## O que o estudo mostrou

Trata-se de uma revisão sistemática que empregou quatro bases de dados de 2012 a janeiro de 2021. De 1004 registros, 157 relatos foram acessados para elegibilidade e 32 atenderam aos critérios de inclusão para análise in silico. Foram identificados 99 cimiRNAs desregulados no TDM, dos quais 20 encontrados em múltiplos relatos foram analisados. Análises de vias e ontologia gênica revelaram ativação de vias de sinalização e associação com transcrição, além de agrupamentos cromossômicos e fatores de transcrição específicos.

## Limitações

O resumo não informa detalhes sobre a qualidade metodológica dos estudos incluídos, nem sobre heterogeneidade entre eles. Os autores afirmam que várias restrições impediram conclusões firmes sobre a significância clínica dos cimiRNAs, sugerindo a necessidade de mais pesquisas em um único compartimento sanguíneo para validar o potencial biomarcador.

## Aplicação no consultório

Embora os microRNAs circulatórios ainda não estejam validados para uso clínico no TDM, o conhecimento sobre eles pode auxiliar o médico a compreender melhor a fisiopatologia e a heterogeneidade da depressão. Na gestão do consultório, é importante manter-se atualizado sobre biomarcadores emergentes, mas sem incorporá-los à prática até que estudos confirmatórios estejam disponíveis. A revisão reforça a necessidade de cautela na interpretação de achados preliminares e o incentivo à pesquisa clínica.

## Perguntas para aprofundar

- Quais microRNAs circulatórios estão mais consistentemente desregulados no transtorno depressivo maior?
- Como os microRNAs poderiam auxiliar no diagnóstico diferencial do transtorno depressivo maior?
- Quais são as limitações atuais para a aplicação clínica dos microRNAs como biomarcadores no transtorno depressivo maior?

Tema: IA em saúde mental. Página: https://alphadoctor.com.br/ciencia/ia-saude-mental/micrornas-circulatorios-podem-servir-como-biomarcadores-para-o-diagnostico-e/

Conteúdo educacional para profissionais de saúde, baseado no resumo do artigo citado. Não substitui a leitura do estudo original nem avaliação clínica.
