# Quais são as barreiras e facilitadores para a implementação de inteligência artificial no departamento de emergência?

> Uma revisão de escopo identificou que as principais barreiras à implementação de IA no departamento de emergência são a falta de interpretabilidade e explicabilidade dos modelos, a invasão da autonomia médica e as considerações médico-legais. Os facilitadores incluem educação da equipe sobre o modelo, integração eficiente aos fluxos de trabalho existentes e validação externa sólida.

Estudo citado: Cheng R, Aggarwal A, Chakraborty A, Harish V, McGowan M, Roy A et al.. Implementation considerations for the adoption of artificial intelligence in the emergency department. The American journal of emergency medicine. 2024. DOI: https://doi.org/10.1016/j.ajem.2024.05.020. PubMed: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/38820809/

## Resposta

A inteligência artificial (IA) tem sido apontada como uma força potencialmente transformadora na medicina de emergência, com potencial para melhorar o cuidado ao paciente por meio de diversas modalidades. No entanto, a implementação da IA no departamento de emergência (DE) apresenta desafios únicos que influenciam sua adoção clínica. Esta revisão de escopo sumariza a literatura atual que explora as barreiras e os facilitadores da implementação clínica da IA no DE.

Foram incluídos 22 estudos na extração final de dados, sendo 10 revisões e 12 estudos primários quantitativos, qualitativos e de métodos mistos. Desses 22, 13 investigaram uma ferramenta ou aplicação específica de IA. As barreiras comuns à implementação incluíram falta de interpretabilidade e explicabilidade do modelo, invasão da autonomia do médico e considerações médico-legais.

Os facilitadores comuns à implementação incluíram educação da equipe sobre o modelo, integração eficiente aos fluxos de trabalho existentes e validação externa sólida. A conclusão dos autores é que há literatura crescente sobre implementação de IA no DE e que a barreira mais comum é a interpretabilidade e explicabilidade do modelo. Mais pesquisas primárias investigando a implementação de ferramentas específicas de IA devem ser realizadas para ajudar a facilitar sua adoção clínica bem-sucedida no DE.

Para o médico brasileiro que atua em emergência, esses achados sugerem que a incorporação de ferramentas de IA deve considerar não apenas o desempenho do modelo, mas também sua transparência e aceitação pela equipe. A educação continuada sobre o funcionamento dos modelos e a integração aos fluxos já existentes podem favorecer a adoção. Além disso, a validação externa é um aspecto crítico a ser exigido antes da implementação.

A revisão não fornece detalhes sobre o contexto brasileiro ou sobre custos de implementação, mas reforça a necessidade de se avaliar cuidadosamente as barreiras locais. A aplicação no consultório e no DE deve ser guiada por evidências de validação e por estratégias de integração que respeitem a autonomia médica e as responsabilidades legais.

## O que o estudo mostrou

Revisão de escopo que buscou sistematicamente em Embase, MEDLINE, Web of Science e Engineering Village artigos publicados em inglês até 20 de novembro de 2023. De 8172 estudos na busca preliminar, 22 foram selecionados para extração final: 10 revisões e 12 estudos primários quantitativos, qualitativos e de métodos mistos. Desses, 13 investigaram uma ferramenta ou aplicação específica de IA. Barreiras comuns: falta de interpretabilidade e explicabilidade do modelo, invasão da autonomia do médico e considerações médico-legais. Facilitadores: educação da equipe sobre o modelo, integração eficiente aos fluxos de trabalho existentes e validação externa sólida.

## Limitações

O resumo não informa limitações específicas do estudo, como viés de publicação ou heterogeneidade dos estudos incluídos. Também não detalha a qualidade metodológica dos estudos primários nem o contexto geográfico ou de prática. Os achados se baseiam em literatura publicada em inglês até a data de busca, o que pode limitar a generalização para outros contextos.

## Aplicação no consultório

Para a prática clínica e a gestão do consultório, os achados reforçam a necessidade de avaliar a interpretabilidade e a explicabilidade das ferramentas de IA antes de adotá-las no departamento de emergência. Gestores devem planejar educação da equipe, integração eficiente aos fluxos de trabalho e exigir validação externa sólida. A autonomia médica e as considerações médico-legais devem ser discutidas abertamente para evitar resistências e garantir uso seguro.

## Perguntas para aprofundar

- Como a interpretabilidade dos modelos de IA influencia a confiança dos médicos no departamento de emergência?
- Quais estratégias de educação da equipe são eficazes para a adoção de IA na emergência?
- Qual o papel da validação externa na implementação clínica de ferramentas de IA no departamento de emergência?

Tema: Regulação e validação clínica de IA. Página: https://alphadoctor.com.br/ciencia/ia-regulacao-validacao/quais-sao-as-barreiras-e-facilitadores-para-a-implementacao-de-inteligencia/

Conteúdo educacional para profissionais de saúde, baseado no resumo do artigo citado. Não substitui a leitura do estudo original nem avaliação clínica.
