# Como estão estruturados os programas de treinamento em inteligência artificial (IA) oferecidos aos radiologistas e quais são suas limitações?

> A maioria dos programas de treinamento em IA para radiologistas consiste em sessões curtas e isoladas, focadas em conceitos básicos e oferecidas por instituições profissionais e empresas comerciais, com pouca participação acadêmica. Há necessidade de programas sistemáticos integrados ao currículo de radiologia.

Estudo citado: Schuur F, Rezazade Mehrizi MH, Ranschaert E. Training opportunities of artificial intelligence (AI) in radiology: a systematic review. European radiology. 2021. DOI: https://doi.org/10.1007/s00330-020-07621-y. PubMed: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/33587154/

## Resposta

Uma revisão sistemática analisou 100 programas de treinamento em inteligência artificial (IA) oferecidos a radiologistas em 2019 e 2020 (até 30 de junho). Os resultados mostram que, apesar da variedade de ofertas, a maioria (80%) é composta por sessões curtas e isoladas, que não fazem parte de uma trajetória de aprendizado de longo prazo.

Cerca de 85% dos programas concentram-se nos conceitos básicos de IA e são oferecidos em modo passivo. Além disso, os conteúdos abordam principalmente tópicos médicos e técnicos, enquanto aspectos gerenciais, legais e éticos são tratados marginalmente.

As instituições profissionais e as empresas comerciais são as principais responsáveis pela oferta dos programas (91%), com participação limitada de instituições acadêmicas. Isso sugere uma lacuna na integração desses treinamentos ao currículo formal de radiologia.

Os autores concluem que há necessidade de desenvolver programas de treinamento sistemáticos, pedagogicamente integrados ao currículo de radiologia, que foquem em como trabalhar com IA na prática e sejam especializados e customizados para os contextos de trabalho em radiologia.

A revisão destaca que os programas atuais são insuficientes para preparar os radiologistas para os desafios da IA no dia a dia, especialmente no que se refere a habilidades práticas e aspectos não técnicos. A aplicação clínica e a gestão do consultório podem se beneficiar de treinamentos mais estruturados e contínuos.

## O que o estudo mostrou

Trata-se de uma revisão sistemática com análise temática dedutiva de 100 programas de treinamento em IA oferecidos em 2019 e 2020 (até 30 de junho). Os achados indicam que 80% são sessões curtas e isoladas, cerca de 85% focam em conceitos básicos de IA e são oferecidos em modo passivo. Instituições profissionais e empresas comerciais oferecem 91% dos programas, com participação acadêmica limitada. Conteúdos gerenciais, legais e éticos são pouco abordados.

## Limitações

O resumo não informa detalhes sobre a metodologia de busca, critérios de inclusão ou qualidade dos programas analisados. A análise baseia-se em dados públicos dos programas, o que pode limitar a profundidade da avaliação. Além disso, o período de coleta restringe-se a 2019 e 2020, não refletindo desenvolvimentos posteriores.

## Aplicação no consultório

Para o radiologista, os achados sugerem que os treinamentos disponíveis são majoritariamente introdutórios e fragmentados, o que pode não preparar adequadamente para o uso prático da IA no consultório. Gestores de serviços de radiologia devem buscar programas mais estruturados e contínuos, que incluam aspectos gerenciais, legais e éticos, e que sejam integrados ao currículo de formação. A participação de instituições acadêmicas precisa ser incentivada para garantir rigor e profundidade.

## Perguntas para aprofundar

- Quais são os principais conteúdos abordados nos programas de treinamento em IA para radiologistas?
- Como a participação de instituições acadêmicas em treinamentos de IA pode ser ampliada?
- Quais estratégias podem tornar os treinamentos em IA mais efetivos para a prática clínica diária?

Tema: IA em diagnóstico por imagem e radiologia. Página: https://alphadoctor.com.br/ciencia/ia-radiologia/como-estao-estruturados-os-programas-de-treinamento-em-inteligencia-artificial/

Conteúdo educacional para profissionais de saúde, baseado no resumo do artigo citado. Não substitui a leitura do estudo original nem avaliação clínica.
