# O uso de inteligência artificial na esofagite eosinofílica já está pronto para a prática clínica?

> A revisão sistemática identificou 28 estudos sobre IA em esofagite eosinofílica, com maior foco em diagnóstico. Modelos preditivos não invasivos mostraram alta acurácia, mas a maioria das ferramentas carece de validação em coortes maiores, independentes e prospectivas. Questões como viés algorítmico, privacidade de dados e regulação precisam ser resolvidas antes da implementação clínica.

Estudo citado: Castagnaro E, Felici E, Spaccapelo R, Amoroso M, Moretti D, Saab JP et al.. Systematic Review: Use of Artificial Intelligence and Unmet Needs in Eosinophilic Oesophagitis. Alimentary pharmacology & therapeutics. 2025. DOI: https://doi.org/10.1111/apt.70222. PubMed: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/40474554/

## Resposta

A inteligência artificial (IA) tem sido explorada em diversas áreas da esofagite eosinofílica (EoE), incluindo diagnóstico, prognóstico, medicina de precisão e acompanhamento. Uma revisão sistemática recente reuniu 28 estudos publicados até fevereiro de 2025, demonstrando que a maioria das aplicações concentra-se no diagnóstico, especialmente por meio de análise de imagens histológicas em patologia digital e de imagens endoscópicas.

Os achados indicam que modelos preditivos diagnósticos não invasivos baseados em IA apresentaram alta acurácia na detecção de EoE. Como ferramenta prognóstica, a IA mostrou potencial para prever impactação alimentar, gravidade histológica e fibrose. Na medicina de precisão, foi utilizada para descoberta de biomarcadores, predição de endótipos com base em transcriptômica e personalização de tratamento, além do monitoramento da doença.

Apesar do entusiasmo, a revisão aponta necessidades não atendidas: há poucos estudos em crianças e adolescentes, falta de ferramentas para prever resposta ao tratamento e necessidade de melhorar o desenho dos estudos. A maioria das ferramentas de IA ainda requer validação em coortes maiores, independentes e prospectivas antes de serem incorporadas à prática clínica.

Desafios adicionais incluem viés algorítmico, privacidade de dados, explicabilidade dos modelos e barreiras regulatórias. Esses aspectos precisam ser abordados para que a IA possa ser implementada de forma segura e eficaz no manejo da EoE. Futuros estudos devem priorizar o desenvolvimento de ferramentas diagnósticas não invasivas para populações mais jovens, predição de resposta ao tratamento e monitoramento da doença.

Para o médico brasileiro, a mensagem é que a IA promete melhorar o manejo da EoE, mas ainda não está pronta para uso rotineiro. É fundamental acompanhar as publicações e aguardar validações robustas antes de adotar essas ferramentas na prática clínica ou na gestão do consultório.

## O que o estudo mostrou

Revisão sistemática que buscou estudos sobre aplicações de IA em esofagite eosinofílica nas bases MEDLINE, Embase e Embase Classic até 28 de fevereiro de 2025. Foram incluídos 28 estudos, sendo 18 focados em diagnóstico. A IA foi usada para análise de imagens histológicas em patologia digital em sete estudos e para análise de imagens endoscópicas em três. Modelos preditivos diagnósticos não invasivos mostraram alta acurácia. Como ferramenta prognóstica, a IA mostrou potencial para prever impactação alimentar, gravidade histológica e fibrose. Na medicina de precisão, foi aplicada para descoberta de biomarcadores, predição de endótipos e personalização de tratamento, além de monitoramento e acompanhamento da doença.

## Limitações

O resumo não informa detalhes sobre a qualidade metodológica dos estudos incluídos, nem sobre tamanho de amostra ou características das populações. A maioria das ferramentas de IA requer validação em coortes maiores, independentes e prospectivas. Há escassez de estudos em crianças e adolescentes e de predição de resposta ao tratamento. O resumo também não aborda custos ou disponibilidade das tecnologias.

## Aplicação no consultório

Na prática clínica, a IA ainda não deve ser incorporada rotineiramente para diagnóstico ou manejo da esofagite eosinofílica, pois as ferramentas carecem de validação prospectiva. O médico pode acompanhar a literatura e considerar a IA como tema de educação continuada. Para a gestão do consultório, é prudente aguardar diretrizes regulatórias e evidências mais robustas antes de investir em sistemas de IA. A revisão destaca a necessidade de foco em populações pediátricas e predição de resposta ao tratamento, áreas com lacunas que podem orientar pesquisas futuras.

## Perguntas para aprofundar

- Quais são as principais aplicações da inteligência artificial no diagnóstico da esofagite eosinofílica?
- Como a IA pode auxiliar na predição de resposta ao tratamento da esofagite eosinofílica?
- Quais desafios regulatórios e éticos precisam ser superados para implementar IA na prática clínica da esofagite eosinofílica?

Tema: IA em patologia digital. Página: https://alphadoctor.com.br/ciencia/ia-patologia-digital/o-uso-de-inteligencia-artificial-na-esofagite-eosinofilica-ja-esta-pronto-para/

Conteúdo educacional para profissionais de saúde, baseado no resumo do artigo citado. Não substitui a leitura do estudo original nem avaliação clínica.
