# O rastreamento de retinopatia diabética com inteligência artificial e telemedicina é custo-efetivo em países em desenvolvimento?

> Sim, segundo esta revisão sistemática com sete estudos da China, Tailândia, Brasil e Índia. Estratégias com inteligência artificial e telemedicina mostraram-se custo-efetivas frente ao cuidado padrão, com benefício econômico variável conforme modelo, cenário e premissas. Frequência de rastreamento e adesão dos pacientes foram fatores-chave para o sucesso.

Estudo citado: Andayani A, Hendrawan KA, Yudistira, Suryathi NMA, Ernawati T. Economic Evaluation of Diabetic Retinopathy Screening in Developing Countries: A Systematic Review. Korean journal of ophthalmology : KJO. 2025. DOI: https://doi.org/10.3341/kjo.2025.0047. PubMed: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/40976613/

## Resposta

A revisão sistemática teve como objetivo avaliar o aspecto econômico de estratégias de rastreamento de retinopatia diabética em países em desenvolvimento, com foco na custo-efetividade da inteligência artificial (IA) e da telemedicina em comparação ao cuidado padrão. Foram incluídos estudos com pacientes com diabetes mellitus tipo 1 ou tipo 2, realizados em países de baixa ou média renda, que comparassem intervenções baseadas em IA ou telemedicina com o cuidado padrão e que realizassem avaliação econômica em saúde ou fornecessem dados suficientes para tal.

Sete estudos foram identificados, provenientes da China, Tailândia, Brasil e Índia. Desses, quatro aplicaram análise de custo-utilidade, dois utilizaram análise de custo-efetividade e um empregou ambas as abordagens. Três estudos avaliaram rastreamento baseado em IA, três focaram em telemedicina e um examinou um modelo combinado de telemedicina assistida por IA. Todos compararam essas intervenções ao cuidado padrão, e alguns usaram a ausência de rastreamento como comparador.

Os resultados mostraram que as estratégias de rastreamento com IA e telemedicina foram consideradas custo-efetivas em todos os estudos, embora o grau de benefício econômico tenha variado dependendo do modelo, do cenário e das premissas utilizadas. A revisão conclui que há suporte para a custo-efetividade e viabilidade dessas estratégias em países em desenvolvimento, mas os ganhos econômicos e de saúde variaram entre os estudos.

A frequência do rastreamento e a adesão dos pacientes foram identificadas como fatores-chave que influenciam o sucesso da implementação. Isso sugere que, além da escolha da tecnologia, aspectos operacionais e comportamentais devem ser considerados ao se planejar programas de rastreamento. O resumo não detalha os valores de custo-efetividade nem as limitações específicas de cada estudo incluído.

Para o médico brasileiro, os achados reforçam que estratégias de rastreamento com IA e telemedicina podem ser alternativas economicamente viáveis, especialmente em contextos de recursos limitados. No entanto, a implementação deve levar em conta a frequência ideal de rastreamento e estratégias para melhorar a adesão dos pacientes, uma vez que esses fatores impactam diretamente os resultados econômicos e clínicos.

## O que o estudo mostrou

Trata-se de uma revisão sistemática que buscou estudos de avaliação econômica de estratégias de rastreamento de retinopatia diabética em países em desenvolvimento. Foram incluídos sete estudos da China, Tailândia, Brasil e Índia, sendo quatro de custo-utilidade, dois de custo-efetividade e um com ambas as abordagens. Três avaliaram IA, três telemedicina e um modelo combinado. Todos compararam com cuidado padrão ou ausência de rastreamento. As estratégias foram custo-efetivas, com variação conforme modelo, cenário e premissas. Frequência de rastreamento e adesão foram fatores-chave.

## Limitações

O resumo não informa o número total de pacientes incluídos, o período de seguimento, a qualidade metodológica dos estudos originais, nem os valores específicos de custo-efetividade. Também não detalha as limitações individuais de cada estudo. A heterogeneidade entre modelos, cenários e premissas pode limitar a generalização dos achados para outros contextos. A revisão não fornece dados sobre a implementação prática ou barreiras à adoção.

## Aplicação no consultório

Os achados podem orientar médicos e gestores na escolha de estratégias de rastreamento de retinopatia diabética, considerando a custo-efetividade de IA e telemedicina. No consultório, isso significa avaliar a viabilidade de incorporar essas tecnologias, levando em conta a frequência de rastreamento e a adesão dos pacientes. Para gestão, reforça a importância de planejar programas que integrem essas ferramentas de forma sustentável, monitorando custos e resultados em saúde. O resumo não fornece detalhes sobre custos específicos ou protocolos, exigindo adaptação local.

## Perguntas para aprofundar

- Qual a frequência ideal de rastreamento de retinopatia diabética com IA para manter a custo-efetividade?
- Como melhorar a adesão dos pacientes ao rastreamento de retinopatia diabética em programas de telemedicina?
- Quais são as barreiras para implementar rastreamento de retinopatia diabética com IA no sistema de saúde brasileiro?

Tema: IA em oftalmologia e retinopatia. Página: https://alphadoctor.com.br/ciencia/ia-oftalmologia/o-rastreamento-de-retinopatia-diabetica-com-inteligencia-artificial-e/

Conteúdo educacional para profissionais de saúde, baseado no resumo do artigo citado. Não substitui a leitura do estudo original nem avaliação clínica.
