# Como a inteligência artificial pode auxiliar no diagnóstico e manejo das doenças retinianas hereditárias?

> A inteligência artificial tem sido aplicada para detecção, classificação e predição de doenças retinianas hereditárias, mas os estudos são em sua maioria retrospectivos e com número limitado de pacientes devido à raridade dessas condições. A revisão sistemática resume avanços e desafios, destacando o potencial da IA para auxiliar oftalmologistas, especialmente onde há escassez de subespecialistas e testes genéticos.

Estudo citado: Issa M, Sukkarieh G, Gallardo M, Sarbout I, Bonnin S, Tadayoni R et al.. Applications of artificial intelligence to inherited retinal diseases: A systematic review. Survey of ophthalmology. 2025. DOI: https://doi.org/10.1016/j.survophthal.2024.11.007. PubMed: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/39566565/

## Resposta

As doenças retinianas hereditárias (DRH) representam um grupo de condições raras que exigem diagnóstico preciso e manejo especializado. A disponibilidade limitada de subespecialistas em retina, testes genéticos e aconselhamento genético cria uma necessidade de métodos diagnósticos acessíveis e acurados. Nesse contexto, a inteligência artificial (IA) surge como uma ferramenta promissora para auxiliar oftalmologistas na prática clínica.

A revisão sistemática sumariza os achados mais recentes e as implicações clínicas de algoritmos de aprendizado de máquina em DRH. Os estudos disponíveis concentram-se na detecção, classificação e predição dessas doenças, utilizando abordagens de IA. No entanto, a maioria é retrospectiva e inclui um número relativamente limitado de pacientes, refletindo a raridade das DRH e os desafios inerentes à obtenção de grandes conjuntos de dados.

Apesar dessas limitações, os resultados preliminares indicam que a IA pode contribuir para identificar padrões associados a DRH, classificar subtipos e prever desfechos clínicos. Tais aplicações têm o potencial de agilizar o diagnóstico e otimizar o encaminhamento de pacientes, especialmente em regiões com escassez de especialistas. Contudo, a implementação clínica ainda requer validação em estudos prospectivos e multicêntricos.

Os autores destacam tanto as conquistas quanto os desafios da IA em DRH. Entre as conquistas, a capacidade de processar imagens de retina e auxiliar na triagem. Entre os desafios, a necessidade de dados representativos, a heterogeneidade das doenças e a integração com fluxos de trabalho clínicos. A revisão reforça que a IA deve ser vista como ferramenta de apoio, e não substituta do julgamento clínico e do aconselhamento genético.

Para o oftalmologista, a mensagem principal é que a IA em DRH está em desenvolvimento, com evidências iniciais promissoras, mas ainda não maduras para uso rotineiro. A compreensão dessas ferramentas pode orientar a incorporação futura na prática, especialmente em contextos de recursos limitados. A revisão sistemática oferece uma base para acompanhar a evolução dessa área e considerar seu impacto na gestão do consultório.

## O que o estudo mostrou

Trata-se de uma revisão sistemática que sumariza os achados mais recentes e implicações clínicas de algoritmos de aprendizado de máquina em doenças retinianas hereditárias. Os estudos disponíveis, em sua maioria retrospectivos, incluíram números relativamente limitados de pacientes devido à raridade das doenças. As aplicações de IA visam detecção, classificação e predição de DRH, com o objetivo de auxiliar oftalmologistas na prática clínica. O resumo não informa o número total de estudos incluídos nem a quantidade exata de pacientes.

## Limitações

O resumo não informa detalhes sobre a qualidade metodológica dos estudos incluídos, nem sobre vieses ou heterogeneidade. A maioria dos estudos é retrospectiva e com amostras limitadas, o que restringe a generalização dos achados. Além disso, o resumo não especifica quais algoritmos foram avaliados nem seus desempenhos. Portanto, as conclusões são preliminares e não permitem afirmar a eficácia clínica da IA em DRH.

## Aplicação no consultório

A aplicação prática no consultório ainda é limitada, pois as ferramentas de IA para DRH não estão validadas para uso rotineiro. O oftalmologista deve estar atento ao potencial dessas tecnologias para triagem e apoio diagnóstico, especialmente em locais com escassez de subespecialistas. A gestão do consultório pode se beneficiar de sistemas que auxiliem na identificação de pacientes que necessitam de encaminhamento urgente, mas a decisão clínica e o aconselhamento genético permanecem essenciais. Investimentos em infraestrutura de imagem e capacitação podem preparar a equipe para futuras implementações.

## Perguntas para aprofundar

- Quais são os principais desafios para a implementação clínica da inteligência artificial em doenças retinianas hereditárias?
- Como a inteligência artificial pode auxiliar na triagem de pacientes com suspeita de doenças retinianas hereditárias em locais com poucos especialistas?
- Qual é o papel atual da inteligência artificial no aconselhamento genético de doenças retinianas hereditárias?

Tema: IA em oftalmologia e retinopatia. Página: https://alphadoctor.com.br/ciencia/ia-oftalmologia/como-a-inteligencia-artificial-pode-auxiliar-no-diagnostico-e-manejo-das/

Conteúdo educacional para profissionais de saúde, baseado no resumo do artigo citado. Não substitui a leitura do estudo original nem avaliação clínica.
