# A imagem retiniana pode ser usada para avaliar o risco de AVC?

> Sim, a imagem retiniana mostra associações entre características microvasculares e risco de AVC, como vênulas mais largas, menor dimensão fractal, aumento da tortuosidade arteriolar, presença de retinopatia e êmbolos retinianos. No entanto, os modelos preditivos disponíveis ainda não superam as escalas de risco convencionais.

Estudo citado: Girach Z, Sarian A, Maldonado-García C, Ravikumar N, Sergouniotis PI, Rothwell PM et al.. Retinal imaging for the assessment of stroke risk: a systematic review. Journal of neurology. 2024. DOI: https://doi.org/10.1007/s00415-023-12171-6. PubMed: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/38430271/

## Resposta

A imagem retiniana é uma ferramenta não invasiva que permite avaliar a microvasculatura e tem despertado interesse na avaliação do risco cardiovascular e de AVC. Uma revisão sistemática recente buscou identificar estudos prospectivos que avaliassem biomarcadores derivados da imagem retiniana como indicadores de risco de AVC.

Os estudos incluídos na revisão mostram que vênulas retinianas mais largas, menor dimensão fractal, maior tortuosidade arteriolar, presença de retinopatia e presença de êmbolos retinianos estão associadas a maior probabilidade de AVC. Há evidências mais fracas de que arteríolas mais estreitas e características individuais de retinopatia, como microaneurismas e cruzamentos arteriovenosos, indiquem aumento do risco.

A revisão também identificou modelos que utilizam algoritmos de inteligência artificial para analisar imagens retinianas e prever AVC. Alguns usaram fotografias de fundo de olho, e um também utilizou imagens de tomografia de coerência óptica (OCT). Os modelos tiveram desempenho semelhante ao das escalas de risco convencionais, mas não as superaram significativamente. Poucos estudos usaram OCT, apesar da maior dimensionalidade desses dados.

Os autores concluem que, embora haja evidências fortes de que características da imagem retiniana possam indicar risco de AVC, atualmente não há modelo preditivo que supere significativamente as escalas convencionais. Para desenvolver ferramentas clinicamente úteis, pesquisas futuras devem focar no uso de algoritmos de aprendizado profundo, validação em coortes externas e análise de imagens de OCT.

## O que o estudo mostrou

Revisão sistemática que incluiu estudos prospectivos. Os achados mostram que vênulas retinianas mais largas, menor dimensão fractal, maior tortuosidade arteriolar, presença de retinopatia e êmbolos retinianos estão associados a maior risco de AVC. Evidências mais fracas para arteríolas mais estreitas e características individuais de retinopatia. Modelos de inteligência artificial foram identificados, com desempenho semelhante às escalas convencionais, sem superioridade significativa. Poucos estudos usaram OCT.

## Limitações

O resumo não informa detalhes sobre a amostra total, características dos participantes ou limitações metodológicas dos estudos incluídos. Além disso, a revisão não fornece dados sobre a qualidade das evidências ou possíveis vieses. Os modelos de inteligência artificial não foram validados externamente de forma consistente, e poucos estudos utilizaram OCT.

## Aplicação no consultório

A imagem retiniana pode ser incorporada à avaliação de risco de AVC, mas os modelos atuais não superam as escalas convencionais. Na prática clínica, os achados podem auxiliar na estratificação de risco, especialmente quando características como vênulas largas, menor dimensão fractal, tortuosidade arteriolar, retinopatia e êmbolos estão presentes. Para o consultório, a implementação de ferramentas de inteligência artificial ainda requer validação externa e análise de custo-efetividade antes de uso rotineiro.

## Perguntas para aprofundar

- Quais características da imagem retiniana estão associadas ao risco de AVC?
- Os modelos de inteligência artificial baseados em imagem retiniana já superam as escalas de risco tradicionais?
- Qual o papel da tomografia de coerência óptica na avaliação do risco de AVC?

Tema: IA em oftalmologia e retinopatia. Página: https://alphadoctor.com.br/ciencia/ia-oftalmologia/a-imagem-retiniana-pode-ser-usada-para-avaliar-o-risco-de-avc/

Conteúdo educacional para profissionais de saúde, baseado no resumo do artigo citado. Não substitui a leitura do estudo original nem avaliação clínica.
