# Quais soluções e desafios existem para o fluxo de pacientes nos departamentos de emergência, segundo uma revisão abrangente?

> Uma revisão abrangente identificou que a maioria das intervenções para melhorar o fluxo de pacientes em departamentos de emergência concentra-se na fase dentro do departamento, com poucas abordando as fases pré e pós-emergência. Os resultados das intervenções são mistos ou não significativos, e as métricas priorizam eficiência em vez dos quatro objetivos do Quadruple Aim.

Estudo citado: Samadbeik M, Staib A, Boyle J, Khanna S, Bosley E, Bodnar D et al.. Patient flow in emergency departments: a comprehensive umbrella review of solutions and challenges across the health system. BMC health services research. 2024. DOI: https://doi.org/10.1186/s12913-024-10725-6. PubMed: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/38443894/

## Resposta

A revisão abrangente teve como objetivo sintetizar a literatura sobre soluções e desafios para o fluxo de pacientes em departamentos de emergência (DEs) em todo o sistema de saúde. Foram incluídos 39 artigos após triagem de 1263 resultados. As intervenções foram categorizadas em fatores humanos, intervenções de gestão-organização e infraestrutura, e mapeadas para as fases do percurso do paciente: pré-DE, dentro do DE e pós-DE.

Os achados mostram que a maioria das intervenções para melhorar o fluxo de pacientes concentra-se na fase 'dentro do DE', com menos intervenções nas fases 'pós-DE' (transferência para internação aguda, subaguda, hospital em casa, alta para casa ou cuidado residencial) e 'pré-DE'. Os desfechos das intervenções foram em grande parte mistos ou com resultados quadruplos não significativos, ou seja, sem impacto claro nos quatro domínios do Quadruple Aim.

As métricas reportadas nos estudos priorizam medidas de eficiência, deixando de abordar todos os quadrantes do Quadruple Aim, que inclui experiência do paciente, saúde da população, eficiência e satisfação da equipe. Isso sugere uma lacuna na avaliação abrangente das intervenções.

Os autores concluem que há uma variedade de intervenções, mas a efetividade é variável e negligenciam-se as fases fora do DE. Recomenda-se mais pesquisa para investigar e melhorar a efetividade de intervenções fora do DE, bem como desenvolver intervenções que contemplem as três fases do fluxo de pacientes.

Para o médico brasileiro, esses achados reforçam a necessidade de considerar o fluxo de pacientes de forma sistêmica, integrando ações pré e pós-emergência, e de avaliar as intervenções com métricas que reflitam os múltiplos objetivos do Quadruple Aim, indo além da eficiência.

## O que o estudo mostrou

Trata-se de uma revisão abrangente (umbrella review) que sintetizou evidências de múltiplas revisões sistemáticas. A busca em quatro bases de dados e sites governamentais ou organizacionais em março de 2023 resultou em 1263 artigos, dos quais 39 foram incluídos. As intervenções foram classificadas em fatores humanos, gestão-organização e infraestrutura, e mapeadas para as fases pré-DE, dentro do DE e pós-DE. A maioria das intervenções concentrou-se na fase dentro do DE, com menos nas fases pré e pós-DE. Os desfechos foram em grande parte mistos ou quadruplos não significativos, e as métricas priorizaram eficiência em vez de todos os quadrantes do Quadruple Aim.

## Limitações

O resumo não informa detalhes sobre a qualidade metodológica das revisões incluídas, nem sobre a heterogeneidade das populações ou intervenções. Também não são descritas limitações específicas do estudo, como viés de publicação ou restrições de busca. Além disso, os resultados são apresentados de forma agregada, sem estratificação por contexto ou tipo de DE, o que limita a generalização para realidades locais.

## Aplicação no consultório

Os achados sugerem que, na prática clínica e na gestão do consultório, é importante considerar o fluxo de pacientes de forma ampla, incluindo ações antes e depois do departamento de emergência. Para médicos que atuam em emergências ou gerenciam clínicas, isso implica avaliar intervenções que integrem diferentes fases do cuidado e adotar métricas que contemplem experiência do paciente, saúde populacional, eficiência e satisfação da equipe. Além disso, ao implementar mudanças, deve-se atentar para a necessidade de evidências mais robustas e contextualizadas.

## Perguntas para aprofundar

- Como melhorar o fluxo de pacientes na fase pós-emergência?
- Quais intervenções fora do departamento de emergência podem impactar o fluxo?
- Como aplicar o modelo Quadruple Aim na avaliação de intervenções de fluxo?

Tema: IA para previsão de no-show, agendamento e gestão de clínicas. Página: https://alphadoctor.com.br/ciencia/ia-no-show-agendamento/quais-solucoes-e-desafios-existem-para-o-fluxo-de-pacientes-nos-departamentos/

Conteúdo educacional para profissionais de saúde, baseado no resumo do artigo citado. Não substitui a leitura do estudo original nem avaliação clínica.
