# Agentes conversacionais são eficazes no manejo de sintomas físicos e psicológicos segundo revisão sistemática de ensaios clínicos randomizados?

> A revisão sistemática de 29 ensaios clínicos randomizados mostrou que agentes conversacionais melhoraram sintomas físicos e psicológicos e tiveram boa experiência do usuário, mas o alto risco de viés em dezessete estudos limita a confiança nos resultados. A maioria focou em sintomas psicológicos e usou terapia cognitivo-comportamental e diálogos baseados em regras.

Estudo citado: Yang Q, Cheung K, Zhang Y, Zhang Y, Qin J, Xie YJ. Conversational agents in physical and psychological symptom management: A systematic review of randomized controlled trials. International journal of nursing studies. 2025. DOI: https://doi.org/10.1016/j.ijnurstu.2024.104991. PubMed: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/39799832/

## Resposta

A revisão sistemática teve como objetivo examinar as características e a efetividade de intervenções entregues por agentes conversacionais no manejo de sintomas físicos e psicológicos, conforme relatado em ensaios clínicos randomizados. Foram incluídos 29 estudos, publicados principalmente entre 2020 e 2024, provenientes em sua maioria de países desenvolvidos. A maioria avaliou sintomas psicológicos como depressão e ansiedade, enquanto poucos focaram em sintomas físicos como dor, e alguns abordaram ambos.

Os agentes conversacionais avaliados incluíram vinte e cinco sistemas distintos, como Woebot e Tess, disponibilizados em aplicativos proprietários ou canais de mensagem como WeChat e Facebook Messenger. A abordagem terapêutica mais comum foi a Terapia Cognitivo-Comportamental, integrada em 22 estudos. Os métodos de diálogo predominantes foram baseados em regras (22 estudos), e o Processamento de Linguagem Natural foi a técnica de inteligência artificial mais utilizada (15 estudos).

As taxas medianas de recrutamento e conclusão foram de 72% e 79%, respectivamente. A maioria dos estudos (22) relatou experiências positivas dos usuários e melhorias significativas no manejo dos sintomas. No entanto, a avaliação de risco de viés pela ferramenta Cochrane Risk of Bias 2.0 identificou alto risco em dezessete estudos e algumas preocupações em nove outros, o que exige cautela na interpretação dos achados.

Os autores concluem que os agentes conversacionais mostram promessa como ferramenta complementar no manejo de sintomas, mas o alto risco de viés compromete a solidez das evidências. Pesquisas futuras devem priorizar a qualidade metodológica dos ensaios clínicos randomizados para fortalecer a base de evidências. O resumo não informa detalhes sobre a população específica, duração das intervenções ou limitações individuais dos estudos incluídos.

Para o médico, os resultados sugerem que agentes conversacionais podem ser considerados como recurso adjuvante, especialmente em sintomas psicológicos, mas a decisão deve ser individualizada e baseada em evidências mais robustas. A heterogeneidade dos agentes e a falta de padronização dificultam recomendações generalizadas. É fundamental acompanhar a evolução das pesquisas e avaliar criticamente a qualidade dos estudos antes de incorporar essas ferramentas na prática clínica.

## O que o estudo mostrou

Revisão sistemática de ensaios clínicos randomizados que buscou nas principais bases de dados até outubro de 2024, encontrando 2756 artigos e incluindo 29 estudos. A maioria (23) veio de países desenvolvidos e foi conduzida entre 2020 e 2024 (24). Quatorze estudos avaliaram viabilidade e aceitabilidade; 17 focaram sintomas psicológicos, 4 sintomas físicos e 8 ambos. Foram avaliados vinte e cinco agentes conversacionais distintos, com Terapia Cognitivo-Comportamental em 22, diálogos baseados em regras em 22 e Processamento de Linguagem Natural em 15. As taxas medianas de recrutamento e conclusão foram 72% e 79%. Vinte e dois estudos relataram experiências positivas e melhorias significativas nos sintomas. O risco de viés foi alto em dezessete e com algumas preocupações em nove.

## Limitações

O resumo não informa as limitações individuais dos estudos incluídos, mas destaca que o risco de viés foi alto em dezessete estudos e apresentou algumas preocupações em nove, o que limita a confiança nos resultados. A heterogeneidade dos agentes conversacionais e das populações também pode comprometer a generalização. O resumo não fornece detalhes sobre a qualidade da evidência ou possíveis vieses de publicação.

## Aplicação no consultório

Os achados sugerem que agentes conversacionais podem ser oferecidos como ferramenta complementar no manejo de sintomas, especialmente psicológicos, desde que o médico esteja ciente das limitações metodológicas. No consultório, isso implica avaliar criticamente a qualidade das evidências antes de recomendar tais ferramentas e considerar a integração com o cuidado usual. A gestão pode incluir o monitoramento de experiências do usuário e a seleção de agentes com base em evidências mais robustas, além de incentivar a participação em pesquisas bem desenhadas.

## Perguntas para aprofundar

- Quais são os principais vieses nos ensaios clínicos randomizados sobre agentes conversacionais para manejo de sintomas?
- Como a Terapia Cognitivo-Comportamental é integrada em agentes conversacionais e qual sua efetividade?
- Agentes conversacionais podem ser usados como ferramenta complementar no tratamento de dor crônica?

Tema: LLMs e chatbots clínicos. Página: https://alphadoctor.com.br/ciencia/ia-llm-chatbots/agentes-conversacionais-sao-eficazes-no-manejo-de-sintomas-fisicos-e/

Conteúdo educacional para profissionais de saúde, baseado no resumo do artigo citado. Não substitui a leitura do estudo original nem avaliação clínica.
