Agentes conversacionais são eficazes e aceitáveis para cessação do tabagismo?
Resposta curta: Sim, segundo esta revisão sistemática com meta-análise. Em estudos randomizados, agentes conversacionais aumentaram a abstinência em comparação aos grupos controle (odds ratio 1,66; IC 95% 1,33-2,07; p < 0,001). A aceitabilidade geral foi alta, embora barreiras tenham sido identificadas. Os autores recomendam padronização de relato e design, além de mais fundamentação teórica.
Resposta
Esta revisão sistemática e meta-análise avaliou a efetividade e a aceitabilidade de agentes conversacionais (programas de computador que usam inteligência artificial para simular conversas com usuários por meio de linguagem natural) no apoio à cessação do tabagismo. A busca em oito bases de dados identificou 1245 publicações, das quais 13 estudos foram elegíveis para a revisão sistemática (N total = 8236) e seis para as meta-análises de efeitos aleatórios.
Todos os estudos incluídos relataram efeitos positivos em desfechos relacionados à cessação. A meta-análise de ensaios clínicos randomizados que reportaram abstinência resultou em uma odds ratio ponderada pelo tamanho amostral de 1,66 (IC 95% = 1,33 a 2,07; p < 0,001), favorecendo os agentes conversacionais em relação aos grupos de comparação. A síntese narrativa de todos os estudos mostrou aceitabilidade geral alta, embora algumas barreiras tenham sido identificadas a partir do feedback dos usuários.
Os estudos incluídos foram diversos em desenho e de qualidade mista, e evidências de viés de publicação foram identificadas. Também se notou falta de fundamentos teóricos e uma clara necessidade de comunicação relacional em designs futuros. Os autores concluem que a efetividade e a aceitabilidade dos agentes conversacionais para cessação do tabagismo são promissoras, mas padronização de relato e de design dos agentes é necessária para uma avaliação mais abrangente.
Esta é a primeira revisão sistemática a fornecer insight sobre o uso de agentes conversacionais para apoiar a cessação do tabagismo. Os achados demonstram promessa inicial na efetividade e na aceitabilidade pelos usuários. Também foram identificadas limitações teóricas e metodológicas que devem orientar a melhoria de futuros desenhos de estudo e da entrega da intervenção.
O que o estudo mostrou
Revisão sistemática e meta-análise que buscou em oito bases de dados e encontrou 1245 publicações, com 13 estudos elegíveis para a revisão (N total = 8236) e seis para meta-análises de efeitos aleatórios. Todos os estudos relataram efeitos positivos em desfechos de cessação. A meta-análise de ensaios randomizados sobre abstinência mostrou odds ratio de 1,66 (IC 95% = 1,33 a 2,07; p < 0,001), favorecendo os agentes conversacionais. A síntese narrativa indicou aceitabilidade geral alta, com algumas barreiras identificadas no feedback dos usuários.
Limitações
Os estudos incluídos foram diversos em desenho e de qualidade mista, e evidências de viés de publicação foram identificadas. Falta de fundamentos teóricos foi notada, assim como necessidade de comunicação relacional em designs futuros. O resumo não informa detalhes sobre amostra por estudo, tempo de seguimento ou padronização das intervenções, o que limita conclusões mais precisas.
Aplicação no consultório
Os achados sugerem que agentes conversacionais podem ser considerados como ferramenta de apoio à cessação do tabagismo, com efeito favorável em abstinência e boa aceitabilidade. Na prática clínica, o médico pode avaliar a incorporação desses recursos como complemento ao aconselhamento, mas deve estar atento à heterogeneidade dos estudos e à falta de padronização. Para a gestão do consultório, é importante selecionar ferramentas com fundamentação teórica e monitorar a experiência do usuário, coletando feedback para ajustes.
Estudo citado
Effectiveness and Acceptability of Conversational Agents for Smoking Cessation: A Systematic Review and Meta-analysis. Nicotine & tobacco research : official journal of the Society for Research on Nicotine and Tobacco, 2023.
Autores: He L, Balaji D, Wiers RW, Antheunis ML, Krahmer E.
DOI: 10.1093/ntr/ntac281 · PubMed: PMID 36507916
Perguntas para aprofundar
- Qual é o perfil de segurança e os riscos do uso de agentes conversacionais na cessação do tabagismo?
- Como a comunicação relacional pode ser incorporada em agentes conversacionais para melhorar a adesão?
- Quais são os critérios para escolher um agente conversacional confiável na prática clínica?
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