# Como os prontuários eletrônicos têm sido usados para identificar eventos adversos a medicamentos na atenção ambulatorial?

> A maioria dos estudos usa o prontuário eletrônico apenas como fonte de dados para identificar eventos adversos a medicamentos, de forma retrospectiva. Poucos utilizam suporte à decisão ou relatórios de segurança do paciente. Métodos incluem revisão de prontuários, monitores computadorizados, gatilhos eletrônicos e processamento de linguagem natural. Essa abordagem retrospectiva mede incidência, mas não detecta eventos preveníveis antes do dano.

Estudo citado: Feng C, Le D, McCoy AB. Using Electronic Health Records to Identify Adverse Drug Events in Ambulatory Care: A Systematic Review. Applied clinical informatics. 2019. DOI: https://doi.org/10.1055/s-0039-1677738. PubMed: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/30786301/

## Resposta

A revisão sistemática identificou 30 estudos que avaliaram eventos adversos a medicamentos (EAMs) no ambiente ambulatorial com uso de prontuário eletrônico (PE). Na maioria (27 estudos), o PE foi utilizado exclusivamente como fonte de dados para identificação de EAMs. Em dois estudos, o PE foi usado tanto como fonte de dados quanto para fornecer suporte à decisão aos prescritores durante a entrada de pedidos. Em um estudo, o PE foi fonte de dados e gerou relatórios de segurança do paciente usados no processo de identificação de EAMs.

Os métodos de identificação incluíram revisão manual de prontuários por enfermeiros, farmacêuticos e/ou médicos treinados; revisão de prescrições; monitores computadorizados; gatilhos eletrônicos; códigos da Classificação Internacional de Doenças; processamento de linguagem natural de notas clínicas; e ligações telefônicas e questionários com pacientes. Sete estudos forneceram exemplos de frases de busca, valores laboratoriais e regras usadas para identificar EAMs.

Os autores concluem que a maioria dos estudos examinados usou o PE como fonte de dados para detecção de EAMs. Essa abordagem retrospectiva é apropriada para medir taxas de incidência de EAMs, mas não é adequada para detectar EAMs preveníveis antes que ocorra dano ao paciente. Novos métodos envolvendo monitores computadorizados e gatilhos eletrônicos permitirão aos pesquisadores capturar EAMs preveníveis e tomar ações corretivas.

Para o médico brasileiro, a revisão reforça que o PE pode ser uma ferramenta valiosa na identificação de EAMs, mas seu uso atual é predominantemente passivo. A incorporação de gatilhos eletrônicos e suporte à decisão pode aumentar a capacidade de prevenção. O resumo não informa detalhes sobre a amostra ou limitações dos estudos incluídos.

A aplicação prática envolve considerar a implementação de sistemas de alerta e monitoramento no consultório para identificar precocemente EAMs, indo além da simples revisão de prontuários. Isso pode exigir investimento em tecnologia e treinamento da equipe.

## O que o estudo mostrou

Revisão sistemática da literatura que buscou estudos publicados até junho de 2017 nas bases PubMed e Google Scholar. Foram incluídos 30 estudos que avaliaram EAMs no ambiente ambulatorial com uso de PE. Em 27 estudos, o PE foi usado apenas como fonte de dados para identificação de EAMs; em dois, também para suporte à decisão; em um, para gerar relatórios de segurança. Os métodos de identificação variaram e incluíram revisão manual, monitores computadorizados, gatilhos eletrônicos, códigos da CID, processamento de linguagem natural e contato com pacientes. Sete estudos forneceram exemplos de critérios usados.

## Limitações

O resumo não informa as limitações dos estudos incluídos nem da revisão sistemática. Não são detalhados a qualidade metodológica dos estudos, o tamanho das amostras, os tipos de EAMs avaliados ou as populações estudadas. Além disso, a busca limitou-se a duas bases e a estudos publicados até junho de 2017, o que pode restringir a abrangência. O resumo também não informa os critérios de inclusão e exclusão dos estudos.

## Aplicação no consultório

A revisão sugere que o prontuário eletrônico pode ser usado para identificar EAMs, mas predominantemente de forma retrospectiva. Para a prática clínica, isso significa que sistemas de alerta e gatilhos eletrônicos podem ser incorporados para detecção precoce e prevenção de EAMs. No consultório, investir em ferramentas de suporte à decisão e monitoramento computadorizado pode melhorar a segurança do paciente. A gestão deve considerar treinamento da equipe para usar esses recursos e revisar processos de identificação de EAMs, indo além da simples revisão de prontuários.

## Perguntas para aprofundar

- Quais métodos de identificação de eventos adversos a medicamentos são mais eficazes no ambiente ambulatorial?
- Como implementar gatilhos eletrônicos no prontuário eletrônico para prevenir eventos adversos a medicamentos?
- Qual o papel do suporte à decisão computadorizado na redução de eventos adversos a medicamentos na atenção ambulatorial?

Tema: Escriba ambiental e documentação clínica com IA. Página: https://alphadoctor.com.br/ciencia/ia-escriba-documentacao/como-os-prontuarios-eletronicos-tem-sido-usados-para-identificar-eventos/

Conteúdo educacional para profissionais de saúde, baseado no resumo do artigo citado. Não substitui a leitura do estudo original nem avaliação clínica.
