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IA em emergência e UTI

Qual é o prognóstico de pacientes cirróticos com infecções fúngicas e quais fatores contribuem para desfechos desfavoráveis?

Resposta curta: Em cirróticos com infecções fúngicas, a mortalidade agrupada é de 64,1%, cerca de 2,1 vezes maior que em controles. Pacientes com ACLF e admissão em UTI apresentam as maiores taxas. Infecções pulmonares, peritoneais e fungemia também elevam o risco. O prognóstico é pior que o de infecções bacterianas, indicando necessidade de melhorar diagnóstico e tratamento.

Resposta

A revisão sistemática com meta-análise avaliou a magnitude e os fatores associados a desfechos desfavoráveis em pacientes com cirrose e infecções fúngicas (IFs). Foram incluídos 34 estudos, totalizando 2134 pacientes. A mortalidade agrupada das IFs foi de 64,1% (IC 95%: 55,4-72,0), com heterogeneidade substancial (I²: 87%). Em comparação aos controles, o risco relativo de mortalidade foi 2,1 vezes maior (IC 95%: 1,8-2,5).

Os pacientes com IFs apresentaram maior pontuação no CTP (diferença média: +0,52) e no MELD (+2,75), além de mais falências orgânicas e maior tempo de internação (30 vs. 19 dias). A mortalidade foi mais elevada naqueles com ACLF (76,6%, RR: 2,3) e nos admitidos em UTI (70,4%, RR: 1,6). Entre os tipos de IF, o risco foi máximo para infecções pulmonares (79,4%, RR: 1,8), seguido de peritoneais (68,3%, RR: 1,7) e fungemia (55%, RR: 1,7).

A mortalidade por IFs foi superior à observada em infecções bacterianas (RR: 1,7) e em pacientes sem infecção (RR: 2,9). A análise de machine learning identificou até 8 clusters e 5 estudos outliers, cuja exclusão eliminou a heterogeneidade das estimativas. A assimetria de estimativas foi evidente (p < 0,05).

Os achados indicam que as IFs em cirróticos conferem prognóstico substancialmente pior, especialmente na presença de ACLF e admissão em UTI. Os autores sugerem que essas condições sejam incluídas nos critérios de hospedeiro para definição de IFIs. O resumo não informa detalhes sobre a qualidade dos estudos incluídos além da classificação good/fair/poor (12/21/1).

O que o estudo mostrou

Revisão sistemática e meta-análise de 34 estudos (2134 pacientes) que avaliou mortalidade em cirróticos com infecções fúngicas. A mortalidade agrupada foi de 64,1% (IC 95%: 55,4-72,0), com risco relativo de 2,1 (IC 95%: 1,8-2,5) em relação a controles. Pacientes com IFs tiveram maiores escores CTP e MELD, mais falências orgânicas e maior tempo de internação. Maior mortalidade em ACLF (76,6%, RR: 2,3) e UTI (70,4%, RR: 1,6). Infecções pulmonares (79,4%, RR: 1,8), peritoneais (68,3%, RR: 1,7) e fungemia (55%, RR: 1,7) apresentaram os maiores riscos. Machine learning identificou clusters e outliers.

Limitações

O resumo não informa detalhes sobre as limitações dos estudos primários, como desenho ou vieses. A heterogeneidade foi alta (I²: 87%) e a assimetria de estimativas foi evidente, sugerindo possível viés de publicação. A qualidade dos estudos foi classificada como boa/razoável/ruim em 12/21/1, mas não são descritos critérios específicos. O resumo não fornece informações sobre a população exata ou definições de infecção fúngica.

Aplicação no consultório

O médico deve considerar a alta mortalidade de infecções fúngicas em cirróticos, especialmente naqueles com ACLF ou em UTI, e priorizar diagnóstico precoce e tratamento adequado. A inclusão de ACLF e admissão em UTI como critérios de hospedeiro para IFIs pode auxiliar na identificação de pacientes de alto risco. No consultório, é importante monitorar sinais de infecção fúngica em cirróticos com piora clínica, maior tempo de internação ou falências orgânicas, e considerar a gravidade do quadro ao decidir sobre encaminhamento e manejo.

Estudo citado

Cirrhosis and fungal infections-a cocktail for catastrophe: A systematic review and meta-analysis with machine learning. Mycoses, 2022.
Autores: Verma N, Singh S, Roy A, Valsan A, Garg P, Pradhan P, Chakrabarti A, Singh M.
DOI: 10.1111/myc.13482 · PubMed: PMID 35713607

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Conteúdo educacional para profissionais de saúde, baseado no resumo do artigo citado. Não substitui a leitura do estudo original nem avaliação clínica.