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Qual é a prevalência de transtorno de estresse pós-traumático em sobreviventes de UTI pediátrica e quais fatores populacionais contribuem para essa prevalência?

Resposta curta: Uma revisão sistemática e meta-análise mostrou que a prevalência de transtorno de estresse pós-traumático em sobreviventes de UTI pediátrica variou de 3% a 37%, com maior prevalência aos 6 meses (29%). Pacientes cardíacos pós-operatórios tiveram menor prevalência (8%). O tempo de internação na UTI não se associou à prevalência.

Resposta

Esta revisão sistemática com meta-análise teve como objetivo estimar a prevalência de transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) em sobreviventes de admissão em UTI pediátrica e identificar fatores populacionais contribuintes. Foram incluídos estudos observacionais ou intervencionais publicados entre 2000 e 2022, sem restrição de idioma, que avaliaram a incidência ou prevalência de TEPT em pacientes menores de 18 anos após alta da UTI pediátrica.

A busca envolveu as bases MEDLINE, Embase, CINAHL e Cochrane Central Register of Controlled Trials (CENTRAL), com triagem de citações auxiliada por crowdsourcing e aprendizado de máquina. Cada citação foi revisada de forma independente e duplicada por dois revisores em todas as etapas. A síntese dos dados seguiu as diretrizes PRISMA e utilizou modelos de efeitos aleatórios para analisar a prevalência e as diferenças entre subgrupos.

Vinte e quatro citações atenderam aos critérios finais, das quais 19 forneceram dados para a meta-análise, totalizando 1898 sobreviventes de UTI pediátrica, com mediana do tamanho da coorte de 59 (intervalo interquartil 49-76). A prevalência de TEPT variou de 3% a 37%, ocorrendo em 529 dos 1898 sobreviventes (I2 = 72%). Fatores que influenciaram a variabilidade incluíram o momento da avaliação (p < 0,01), com maior prevalência (29%) aos 6 meses, e o tipo de instrumento de avaliação (n = 10; variação de 4-27%; p = 0,04).

Pacientes cardíacos pós-operatórios apresentaram menor prevalência de TEPT (8%) (p < 0,01). Não foi encontrada associação entre o tempo de permanência na UTI pediátrica e a prevalência de TEPT (p = 0,62; I2 = 80%). Os autores concluem que, embora um em cada três sobreviventes de UTI pediátrica apresente TEPT aos 6 meses, a heterogeneidade nos métodos de avaliação e nas populações estudadas indica a necessidade de maior padronização nas pesquisas futuras.

O que o estudo mostrou

Revisão sistemática e meta-análise de estudos observacionais ou intervencionais publicados entre 2000 e 2022, incluindo 24 citações (19 na meta-análise) e 1898 sobreviventes de UTI pediátrica. A prevalência de TEPT variou de 3% a 37% (529 casos), com maior prevalência aos 6 meses (29%) e menor em pacientes cardíacos pós-operatórios (8%). O tempo de permanência na UTI não se associou à prevalência de TEPT.

Limitações

O resumo não informa detalhes sobre as limitações individuais dos estudos incluídos, como viés de seleção ou perdas de seguimento. A alta heterogeneidade (I2 = 72% para prevalência e 80% para tempo de permanência) e a variação nos instrumentos de avaliação limitam a generalização dos achados. O resumo também não especifica a qualidade metodológica dos estudos originais.

Aplicação no consultório

Os achados reforçam a importância de rastrear sintomas de TEPT em sobreviventes de UTI pediátrica, especialmente aos 6 meses após a alta, e de considerar estratégias de acompanhamento psicológico. A menor prevalência em pacientes cardíacos pós-operatórios pode orientar a alocação de recursos. A ausência de associação com o tempo de permanência sugere que outros fatores, como gravidade da doença e experiências durante a internação, devem ser investigados. No consultório, é fundamental padronizar instrumentos de triagem para melhor identificar casos.

Estudo citado

Systematic Review and Meta-Analysis of Prevalence and Population-Level Factors Contributing to Posttraumatic Stress Disorder in Pediatric Intensive Care Survivors. Pediatric critical care medicine : a journal of the Society of Critical Care Medicine and the World Federation of Pediatric Intensive and Critical Care Societies, 2025.
Autores: Hay RE, O'Hearn K, Zorko DJ, Lee LA, Mooney S, McQuaid C, Albrecht L, Henshall DE, Dannenberg VC, Flamenghi V, Thibault C, Lee WK, Shi Min Ko M, Cree M, St Louis J, Heneghan JA, Leung KKY, Wood A, López-Barón E, Temsah MH, Almazyad M, Retallack J, Reddy M, Aldairi N, Palomino REL, Choong K, Du Pont-Thibodeau G, Ducharme-Crevier L, Tsampalieros A, Hayawi L, McNally JDM, Garcia Guerra G.
DOI: 10.1097/PCC.0000000000003696 · PubMed: PMID 39932370

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Conteúdo educacional para profissionais de saúde, baseado no resumo do artigo citado. Não substitui a leitura do estudo original nem avaliação clínica.