# Quais são as características epidemiológicas, os mecanismos biomecânicos e as estratégias de prevenção das lesões no cheerleading, e como esses achados podem orientar a prática clínica e a gestão de consultórios que atendem atletas?

> Revisão sistemática de 27 estudos mostra que lesões no cheerleading caem 15% ao ano, mas concussões sobem 44% e hospitalizações 9%. Lesões por stunts representam 53,2%, com destaque para basket tosses e pirâmides. Estratégias de prevenção incluem treino excêntrico em cadeia fechada, restrições de regras e certificação de treinadores.

Estudo citado: Deng C, Yu Q. A systematic review of cheerleading injuries: epidemiological characteristics, biomechanical mechanisms, and prevention strategies. Frontiers in public health. 2025. DOI: https://doi.org/10.3389/fpubh.2025.1614164. PubMed: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/40703179/

## Resposta

A revisão sistemática analisou 27 estudos publicados entre 1991 e 2025 sobre lesões no cheerleading, abordando características epidemiológicas, mecanismos biomecânicos e estratégias de prevenção. Os dados epidemiológicos mostram que, nos Estados Unidos, entre 2010 e 2019, a taxa geral de lesões apresentou declínio anual de 15%, enquanto as concussões aumentaram 44% ao ano e as taxas de hospitalização subiram 9%. Esses achados sugerem uma mudança no perfil das lesões, com maior gravidade relativa.

As lesões pediátricas afetam principalmente meninas de 12 a 17 anos, mas crianças de 5 a 11 anos apresentaram proporção significativamente maior de lesões moderadas a graves (46,5%) em comparação às de 12 a 19 anos (28,2%). Lesões relacionadas a stunts (acrobacias em grupo) corresponderam à maior proporção (53,2%), sendo as manobras colaborativas de alto risco, como basket tosses e pirâmides, as principais causas de lesões catastróficas. Após a proibição internacional de basket tosses em superfície rígida, a taxa de lesões catastróficas caiu de 1,55 para 0,40 casos por milhão de participantes.

Estudos biomecânicos indicam que movimentos de flip apresentam taxa de lesão de 67,92%, enquanto combinações de salto e dança têm taxa de 48,15%. Tornozelos (44,9%) e punhos/mãos (19,3%) são as regiões mais vulneráveis devido à sobrecarga articular e desequilíbrio durante arremessos, stunts e braces. Lesões lombares estão diretamente ligadas à intensidade excessiva de treino e à técnica inadequada. Estratégias de prevenção devem integrar treinamento excêntrico em cadeia fechada, avaliação de segurança de movimentos com rede neural de Kohonen, restrições de regras (como uso obrigatório de colchões especializados e proibição de prática em superfície rígida) e gestão de qualificação de pessoal.

A conclusão reforça a necessidade de uma estratégia multidimensional: intervenções biomecânicas para melhorar resistência muscular e precisão de controle motor; otimização de regras e certificação de treinadores, com critérios padronizados de dificuldade por nível e sistema de avaliação de risco; e desenvolvimento de padrões de proteção pediátrica e programas de treinamento profissional, com atenção ao monitoramento e recuperação de fadiga excessiva. O resumo não informa detalhes sobre a qualidade metodológica dos estudos incluídos nem sobre possíveis vieses de publicação.

Para o médico que atende atletas de cheerleading, esses achados destacam a importância de investigar histórico de concussões, avaliar sobrecarga de treino e orientar sobre medidas preventivas baseadas em evidências. A aplicação no consultório inclui a incorporação de triagens específicas para lesões de tornozelo, punho e coluna lombar, além de orientar treinadores e atletas sobre a progressão segura de dificuldade e a necessidade de supervisão qualificada.

## O que o estudo mostrou

Revisão sistemática com 27 estudos recuperados da Web of Science (1991-2025) sobre lesões no cheerleading. Nos Estados Unidos, de 2010 a 2019, a taxa geral de lesões caiu 15% ao ano, mas concussões aumentaram 44% ao ano e hospitalizações subiram 9%. Lesões pediátricas predominaram em meninas de 12 a 17 anos, com maior proporção de lesões moderadas a graves em crianças de 5 a 11 anos (46,5%) versus 12 a 19 anos (28,2%). Stunts representaram 53,2% das lesões, com basket tosses e pirâmides associados a lesões catastróficas. A proibição de basket tosses em superfície rígida reduziu a taxa de lesões catastróficas de 1,55 para 0,40 por milhão de participantes. Flips tiveram taxa de lesão de 67,92% e combinações de salto/dança, 48,15%. Tornozelos (44,9%) e punhos/mãos (19,3%) foram os locais mais acometidos. Estratégias de prevenção incluem treino excêntrico em cadeia fechada, avaliação com rede neural de Kohonen, restrições de regras e certificação de treinadores.

## Limitações

O resumo não informa o desenho detalhado dos estudos incluídos, a qualidade metodológica, o risco de viés ou a presença de heterogeneidade entre as populações estudadas. Também não são fornecidos dados sobre tamanho amostral total ou distribuição geográfica dos estudos. A aplicabilidade dos achados ao contexto brasileiro não é discutida, e as estratégias de prevenção propostas carecem de validação em ensaios clínicos. O resumo não permite concluir causalidade entre as intervenções e a redução de lesões.

## Aplicação no consultório

Na prática clínica, os achados reforçam a necessidade de anamnese direcionada a lesões prévias, concussões e sobrecarga de treino em atletas de cheerleading. O médico pode orientar treinadores sobre a progressão segura de dificuldades e a importância de supervisão qualificada. Na gestão do consultório, considerar a inclusão de avaliações biomecânicas e programas de prevenção baseados em treino excêntrico em cadeia fechada para atletas. A implementação de protocolos de triagem para lesões de tornozelo, punho e coluna lombar pode melhorar o acompanhamento. Além disso, a divulgação de normas de segurança, como uso de colchões e restrição de manobras de alto risco, pode ser incorporada a materiais educativos para pacientes e treinadores.

## Perguntas para aprofundar

- Como o treinamento excêntrico em cadeia fechada pode ser incorporado à rotina de atletas de cheerleading para prevenir lesões?
- Quais são os critérios para avaliar o risco de lesões catastróficas em manobras de stunt no cheerleading?
- De que forma a certificação de treinadores impacta a incidência de lesões em equipes de cheerleading?

Tema: IA em emergência e UTI. Página: https://alphadoctor.com.br/ciencia/ia-emergencia-uti/quais-sao-as-caracteristicas-epidemiologicas-os-mecanismos-biomecanicos-e-as/

Conteúdo educacional para profissionais de saúde, baseado no resumo do artigo citado. Não substitui a leitura do estudo original nem avaliação clínica.
