# Como avaliar e tratar a dor neonatal com estratégias não farmacológicas na prática da UTI neonatal?

> Uma revisão integrativa com trinta e cinco estudos apoia escalas multidimensionais validadas para avaliar a dor neonatal e indica que abordagens não farmacológicas familiares, sensoriais e comportamentais reduzem respostas à dor procedimental. A evidência é mais consistente para procedimentos isolados do que para dor repetida ou prolongada, e ferramentas digitais ainda não estão validadas para decisão à beira do leito.

Estudo citado: Yang R, Zhang X. Neonatal pain assessment and non-pharmacological analgesia: an integrative literature review. Frontiers in pain research (Lausanne, Switzerland). 2026. DOI: https://doi.org/10.3389/fpain.2026.1820044. PubMed: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/42534983/

## Resposta

A dor neonatal, tanto procedimental quanto prolongada, permanece um problema frequente e clinicamente relevante no cuidado neonatal, sobretudo entre prematuros e recém-nascidos gravemente enfermos submetidos a procedimentos invasivos repetidos. A revisão integrativa reuniu evidências sobre instrumentos de avaliação da dor e estratégias analgésicas não farmacológicas, com atenção à implementação clínica e a abordagens objetivas ou digitais emergentes.

Os achados sustentam o uso de ferramentas de avaliação multidimensionais validadas para a avaliação estruturada da dor neonatal. Além disso, abordagens não farmacológicas de base familiar, sensorial e comportamental podem reduzir as respostas à dor procedimental. A força e a consistência das evidências, porém, são maiores para procedimentos isolados do que para dor repetida ou prolongada.

A análise de expressões faciais por inteligência artificial, o monitoramento fisiológico e as abordagens baseadas em biomarcadores mostram potencial para uma detecção mais objetiva da dor, mas permanecem insuficientemente validados para a tomada de decisão rotineira à beira do leito. Ou seja, essas tecnologias ainda não substituem a avaliação clínica estruturada.

A conclusão aponta que o manejo padronizado da dor neonatal deve combinar escalas de avaliação validadas, cuidado não farmacológico de primeira linha protocolizado, treinamento da equipe e envolvimento dos pais. Pesquisas futuras devem priorizar dor repetida e prolongada, populações neonatais de alto risco, implementação na prática rotineira da UTI neonatal e validação prospectiva de sistemas digitais de avaliação em cenários clínicos reais.

## O que o estudo mostrou

Trata-se de uma revisão integrativa da literatura que buscou artigos em diversas bases, de janeiro de 2000 a maio de 2025, incluindo pesquisas primárias, evidências secundárias de alta qualidade e estudos metodológicos ou tecnológicos relevantes com neonatos de até 28 dias ou internados em UTI neonatal. Foram incluídos trinta e cinco estudos. A evidência apoia ferramentas multidimensionais validadas e indica que abordagens não farmacológicas familiares, sensoriais e comportamentais reduzem respostas à dor procedimental, com evidência mais consistente para procedimentos isolados do que para dor repetida ou prolongada. Ferramentas digitais e biomarcadores mostram potencial, mas validação insuficiente.

## Limitações

O resumo não informa detalhes sobre a qualidade metodológica dos estudos incluídos, o tamanho das amostras ou a heterogeneidade entre eles. Também não descreve quais instrumentos de avaliação ou intervenções específicas foram analisados. A própria revisão reconhece que a evidência é menos consistente para dor repetida ou prolongada e que os sistemas digitais de avaliação ainda carecem de validação prospectiva em cenários clínicos reais.

## Aplicação no consultório

Na prática e na gestão do consultório, os achados reforçam a necessidade de protocolos padronizados que combinem escalas de avaliação validadas, cuidado não farmacológico de primeira linha e treinamento contínuo da equipe. O envolvimento dos pais deve ser incorporado ao fluxo de atendimento. Ao considerar tecnologias digitais de avaliação da dor, o médico deve tratá-las como ferramentas em validação, não como substitutas da avaliação clínica estruturada, evitando decisões baseadas apenas em sistemas ainda não validados para uso rotineiro.

## Perguntas para aprofundar

- Quais escalas multidimensionais validadas devem ser usadas para avaliar dor em prematuros na UTI neonatal?
- Como estruturar um protocolo de analgesia não farmacológica de primeira linha para procedimentos neonatais?
- As ferramentas digitais de avaliação da dor já podem apoiar decisões clínicas à beira do leito?

Tema: IA em emergência e UTI. Página: https://alphadoctor.com.br/ciencia/ia-emergencia-uti/como-avaliar-e-tratar-a-dor-neonatal-com-estrategias-nao-farmacologicas-na/

Conteúdo educacional para profissionais de saúde, baseado no resumo do artigo citado. Não substitui a leitura do estudo original nem avaliação clínica.
