Qual é o papel emergente da inteligência artificial na terapêutica da COVID-19?
Resposta curta: A inteligência artificial (IA) tem sido aplicada na terapêutica da COVID-19, principalmente na repurposing de fármacos e descoberta de novas drogas, com alguns estudos em vacinas e anticorpos. Cerca de metade dos estudos focou na protease 3CLpro do SARS-CoV-2. Apesar dos avanços, os autores não recomendam confiar exclusivamente nesses algoritmos, sendo necessária abordagem baseada em evidências.
Resposta
A revisão sistemática buscou elucidar o papel da inteligência artificial (IA) na terapêutica da COVID-19. Foram pesquisadas cinco bases de dados no período de dezembro de 2019 a maio de 2020, incluindo artigos originais publicados e pré-prints em inglês que aplicaram IA, aprendizado de máquina ou aprendizado profundo na repurposing de fármacos, descoberta de novas drogas, desenvolvimento de vacinas e anticorpos para a COVID-19.
Dos 31 estudos incluídos, 16 aplicaram IA para repurposing de fármacos, enquanto 10 utilizaram IA para descoberta de novas drogas. Apenas quatro estudos usaram tecnologia de IA para desenvolvimento de vacinas, e um estudo gerou anticorpos estáveis contra o SARS-CoV-2. Aproximadamente 50% dos estudos tiveram como alvo exclusivo a 3CLpro do SARS-CoV-2, e apenas dois estudos focaram na interação ACE/TMPRSS2 para inibir a interação hospedeiro-vírus. Cerca de 16% dos fármacos identificados estão em diferentes fases de avaliação clínica contra a COVID-19.
A IA emergiu como uma solução promissora para a terapêutica da COVID-19. Durante a pandemia, muitos pesquisadores utilizaram estratégias baseadas em IA para processar grandes bancos de dados de maneira mais customizada, levando à identificação mais rápida de vários alvos potenciais, novos fármacos ou repurposing de drogas e candidatos a vacinas. Vários desses fármacos estão aprovados ou em estágios avançados de ensaios clínicos e são potencialmente eficazes contra o SARS-CoV-2, indicando a validade da metodologia.
No entanto, como o uso de programas de triagem baseados em IA está atualmente em estágio embrionário, a confiança exclusiva nesses algoritmos não é aconselhável neste momento. Uma abordagem baseada em evidências é necessária para confirmar sua utilidade contra esta doença potencialmente fatal.
O que o estudo mostrou
Revisão sistemática de 31 estudos publicados e pré-prints em inglês, de cinco bases de dados, entre dezembro de 2019 e maio de 2020. Desses, 16 aplicaram IA para repurposing de fármacos, 10 para descoberta de novas drogas, quatro para desenvolvimento de vacinas e um para geração de anticorpos estáveis contra o SARS-CoV-2. Cerca de 50% dos estudos focaram exclusivamente na 3CLpro do SARS-CoV-2, e apenas dois na interação ACE/TMPRSS2. Aproximadamente 16% dos fármacos identificados estão em fases clínicas de avaliação.
Limitações
O resumo não informa detalhes sobre a qualidade metodológica dos estudos incluídos, nem sobre possíveis vieses. Também não especifica o desenho dos estudos primários (se experimentais, observacionais ou de modelagem computacional). A revisão abrange apenas publicações até maio de 2020, período inicial da pandemia, e não há informação sobre a representatividade da amostra ou sobre a validação experimental dos achados. Os próprios autores afirmam que o uso de IA em triagem ainda é embrionário e não deve ser a única base para decisões.
Aplicação no consultório
Para o médico brasileiro, a revisão reforça que a IA pode auxiliar na identificação de alvos terapêuticos e candidatos a fármacos, mas os resultados ainda são preliminares e não substituem a avaliação clínica baseada em evidências. No consultório, isso significa não adotar tratamentos baseados apenas em previsões computacionais sem validação clínica. Na gestão do consultório, ferramentas de IA podem ser úteis para triagem de informações científicas, mas exigem senso crítico e atualização constante. A aplicação clínica deve aguardar confirmação por ensaios clínicos robustos.
Estudo citado
Emerging role of artificial intelligence in therapeutics for COVID-19: a systematic review. Journal of biomolecular structure & dynamics, 2022.
Autores: Kaushal K, Sarma P, Rana SV, Medhi B, Naithani M.
DOI: 10.1080/07391102.2020.1855250 · PubMed: PMID 33300456
Perguntas para aprofundar
- Quais são os principais alvos terapêuticos do SARS-CoV-2 identificados por IA nesta revisão?
- Como a IA pode auxiliar na repurposing de fármacos para COVID-19?
- Quais as limitações do uso de IA na descoberta de fármacos durante a pandemia?
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