Parâmetros quantitativos de eletroencefalografia podem servir como biomarcadores neurofisiológicos de déficits relacionados à esquizofrenia e de resposta ao iclepertin?
Resposta curta: Em um subestudo de fase II com 79 pacientes, a negatividade de incompatibilidade (MMN) e a resposta auditiva de estado estacionário (ASSR) mostraram correlações consistentes com avaliações clínicas no basal, sugerindo potencial como biomarcadores de déficits. Porém, as correlações entre mudanças clínicas e eletroencefalográficas foram modestas e inconsistentes entre doses, indicando baixo potencial preditivo de resposta ao iclepertin.
Resposta
O estudo avaliou se parâmetros de eletroencefalografia (EEG) podem atuar como biomarcadores neurofisiológicos de déficits cognitivos e de processamento sensorial em pacientes com esquizofrenia, além de predizerem resposta ao tratamento com iclepertin (BI 425809), um inibidor da transportadora de glicina tipo 1. Para isso, foi realizado um subestudo de um ensaio clínico de fase II, randomizado, duplo-cego, controlado por placebo e de grupos paralelos.
Os pacientes elegíveis foram randomizados para receber iclepertin uma vez ao dia (2, 5, 10 ou 25 mg) ou placebo, na proporção 1:1:1:1:2, por 12 semanas. Dados de EEG foram registrados de um subgrupo de pacientes (n = 79) no basal e ao final do tratamento (EoT). Os parâmetros de EEG de interesse foram negatividade de incompatibilidade (MMN), resposta auditiva de estado estacionário (ASSR) e potência gama em repouso, e suas correlações com avaliações clínicas.
No basal, MMN e ASSR exibiram correlações consistentes com avaliações clínicas, indicando seu potencial valor como biomarcadores neurofisiológicos de déficits relacionados à esquizofrenia. As medidas de ASSR foram positivamente correlacionadas com escores compostos geral e neurocognitivo da MATRICS Consensus Cognitive Battery; a amplitude de MMN foi positivamente correlacionada com escores da Positive and Negative Syndrome Scale.
No entanto, as correlações entre a mudança desde o basal (CfB) ao final do tratamento nas avaliações clínicas e os parâmetros de EEG no basal ou sua CfB foram modestas e inconsistentes entre os grupos de dose. Isso pode indicar baixo potencial desses parâmetros de EEG como biomarcadores preditivos e de resposta ao tratamento. Os autores concluem que refinamentos metodológicos adicionais são necessários para estabelecer os parâmetros de EEG como ferramentas úteis no desenvolvimento de fármacos para esquizofrenia.
O que o estudo mostrou
Subestudo de um ensaio clínico de fase II, randomizado, duplo-cego, controlado por placebo, de grupos paralelos, que avaliou iclepertin (2, 5, 10 ou 25 mg) versus placebo por 12 semanas. Dados de EEG de 79 pacientes foram analisados no basal e ao final do tratamento. No basal, MMN e ASSR correlacionaram-se consistentemente com avaliações clínicas: ASSR positivamente com escores da MATRICS Consensus Cognitive Battery (geral e neurocognitivo) e amplitude de MMN positivamente com escores da Positive and Negative Syndrome Scale. As correlações entre mudanças clínicas e eletroencefalográficas foram modestas e inconsistentes entre doses.
Limitações
O resumo não informa detalhes sobre o tamanho total da amostra do estudo principal, critérios de inclusão/exclusão, nem limitações metodológicas específicas. Os achados de correlação são exploratórios e baseados em subgrupo, e as correlações modestas e inconsistentes entre doses limitam a conclusão sobre o valor preditivo dos parâmetros de EEG. O resumo também não fornece dados sobre poder estatístico ou ajustes para múltiplas comparações.
Aplicação no consultório
Os achados ainda não permitem incorporar MMN, ASSR ou potência gama na prática clínica diária como biomarcadores de resposta ao tratamento. Para o médico, o estudo reforça que a avaliação clínica estruturada (como PANSS e MATRICS) permanece central no acompanhamento de déficits cognitivos e sintomas. Na gestão do consultório, não há indicação de solicitar EEG quantitativo para predizer resposta a tratamentos como iclepertin; refinamentos metodológicos são necessários antes de uso clínico.
Estudo citado
Quantitative electroencephalography parameters as neurophysiological biomarkers of schizophrenia-related deficits: A Phase II substudy of patients treated with iclepertin (BI 425809). Translational psychiatry, 2022.
Autores: Schultheis C, Rosenbrock H, Mack SR, Vinisko R, Schuelert N, Plano A, Süssmuth SD.
DOI: 10.1038/s41398-022-02096-5 · PubMed: PMID 35953474
Perguntas para aprofundar
- Qual o papel da negatividade de incompatibilidade (MMN) como biomarcador em esquizofrenia?
- A resposta auditiva de estado estacionário (ASSR) pode predizer resposta a tratamentos cognitivos?
- Quais são as limitações do uso de EEG quantitativo na prática psiquiátrica?
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