Qual é a atualização das evidências sobre rastreamento do câncer de mama para informar diretrizes canadenses?
Resposta curta: Revisão sistemática atualizada não identificou novos ensaios clínicos randomizados. Dados de ECR prévios mostram redução relativa de 15% na mortalidade por câncer de mama com mamografia de rastreamento, mas certeza geral da evidência é baixa ou muito baixa. Estudos observacionais sugerem reduções relativas de 29% a 62%, porém com limitações metodológicas.
Resposta
Esta revisão sistemática atualizada teve como objetivo sintetizar evidências recentes sobre benefícios e danos do rastreamento do câncer de mama em mulheres com 40 anos ou mais, para informar a atualização da diretriz da Força-Tarefa Canadense de Cuidados Preventivos em Saúde. A busca incluiu ensaios clínicos randomizados, ensaios não randomizados e quase-randomizados e estudos observacionais, com dados extraídos e avaliados quanto ao risco de viés.
Nos resultados, não foram identificados novos ensaios clínicos randomizados. Foram incluídos três novos artigos reportando dados de ECR já existentes e 26 estudos observacionais. Para mortalidade por câncer de mama, dados de ECR prévios mostraram redução relativa significativa de 15% (RR 0,85; IC 95% 0,78 a 0,93) com mamografia de rastreamento. Os efeitos absolutos por década de idade ao longo de 10 anos foram: 0,27 menos mortes por 1000 em mulheres de 40 a 49 anos; 0,50 menos por 1000 naquelas de 50 a 59 anos; 0,65 menos por 1000 naquelas de 60 a 69 anos; e 0,92 menos por 1000 naquelas de 70 a 74 anos.
Para dados observacionais, a redução relativa do risco de mortalidade variou de 29% a 62%. Os efeitos absolutos sobre mortalidade por câncer de mama em 10 anos variaram de 0,79 a 0,94 menos mortes por 1000 em mulheres de 40 a 49 anos; 1,45 a 1,72 menos por 1000 naquelas de 50 a 59 anos; 1,89 a 2,24 menos por 1000 naquelas de 60 a 69 anos; e 2,68 a 3,17 menos por 1000 naquelas de 70 a 74 anos. Para mortalidade por todas as causas, dados de ECR prévios mostraram redução relativa não significativa de 1% (RR 0,99; IC 95% 0,98 a 1,00).
Sobre sobrediagnóstico, a atualização encontrou, para dados de ECR (seguimento entre 9 e 15 anos), 1,95 mais cânceres invasivos e in situ por 1000, ou 1 mais câncer invasivo por 1000, para mulheres de 40 a 49 anos; e 1,93 mais cânceres invasivos e in situ por 1000, ou 1,18 mais cânceres invasivos por 1000, para aquelas de 50 a 59 anos. Análise de sensibilidade removendo estudos com alto risco de viés encontrou 1,57 mais cânceres invasivos e in situ por 1000, ou 0,49 mais cânceres invasivos por 1000, para 40 a 49 anos, e 3,95 mais cânceres invasivos e in situ por 1000, ou 2,81 mais cânceres invasivos por 1000, para 50 a 59 anos. Para dados observacionais, um relatório com seguimento de 13 anos encontrou 0,34 mais cânceres invasivos e in situ por 1000 em mulheres de 50 a 69 anos.
A certeza geral da evidência pelo sistema GRADE foi avaliada como baixa ou muito baixa, sugerindo que a evidência é muito incerta sobre o efeito do rastreamento do câncer de mama nos desfechos avaliados. Os autores concluem que a revisão não identificou novos ensaios comparando rastreamento com não rastreamento e que pesquisas futuras devem priorizar populações de maior risco, como diferentes idades, grupos raciais ou étnicos, mamas densas ou histórico familiar.
O que o estudo mostrou
Revisão sistemática atualizada que incluiu três novos artigos reportando dados de ECR existentes e 26 estudos observacionais; não foram identificados novos ECR. Para mortalidade por câncer de mama, dados de ECR prévios mostraram redução relativa de 15% (RR 0,85; IC 95% 0,78 a 0,93). Efeitos absolutos por década etária em 10 anos variaram de 0,27 a 0,92 menos mortes por 1000. Dados observacionais mostraram reduções relativas de 29% a 62%. Para mortalidade por todas as causas, redução relativa não significativa de 1% (RR 0,99; IC 95% 0,98 a 1,00). Sobrediagnóstico: 1,95 mais cânceres invasivos e in situ por 1000 em mulheres de 40 a 49 anos e 1,93 mais por 1000 naquelas de 50 a 59 anos. Certeza da evidência baixa ou muito baixa.
Limitações
O resumo não informa o número total de participantes incluídos nos estudos. A certeza geral da evidência foi avaliada como baixa ou muito baixa, indicando incerteza substancial sobre os efeitos. Não foram identificados novos ensaios clínicos randomizados, e os dados de ECR são provenientes de revisão anterior. Nenhum estudo reportou resultados por etnia, raça, proporção com mamas densas ou status socioeconômico. Estudos observacionais têm risco de viés inerente. O resumo não detalha limitações específicas dos estudos incluídos.
Aplicação no consultório
A aplicação no consultório deve considerar a incerteza das evidências ao discutir rastreamento do câncer de mama com pacientes. Médicos podem usar os dados de redução absoluta de mortalidade por faixa etária para individualizar a decisão, compartilhando os benefícios e os riscos de sobrediagnóstico. A ausência de dados por etnia, raça, mamas densas ou status socioeconômico limita a personalização. Na gestão do consultório, é importante alinhar expectativas e evitar promessas, reforçando a natureza compartilhada da decisão. A atualização não traz novos ensaios, mantendo a necessidade de avaliar cada paciente de forma holística.
Estudo citado
Screening for breast cancer: a systematic review update to inform the Canadian Task Force on Preventive Health Care guideline. Systematic reviews, 2024.
Autores: Bennett A, Shaver N, Vyas N, Almoli F, Pap R, Douglas A, Kibret T, Skidmore B, Yaffe M, Wilkinson A, Seely JM, Little J, Moher D.
DOI: 10.1186/s13643-024-02700-3 · PubMed: PMID 39702409
Perguntas para aprofundar
- Quais são os benefícios absolutos do rastreamento mamográfico por faixa etária?
- Como o sobrediagnóstico do câncer de mama varia com a idade no rastreamento?
- O que a revisão sistemática diz sobre a qualidade das evidências para rastreamento do câncer de mama?
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