# Quais fatores prognósticos estão associados a recorrência, metástase e morte específica da doença em úlceras de Marjolin?

> Uma meta-análise e revisão sistemática com aprendizado de máquina identificou que grau tumoral, sítio anatômico, status linfonodal e tamanho tumoral são preditores prognósticos importantes em úlceras de Marjolin. Lesões de baixo grau, sem metástase linfonodal e menores que 10 cm têm menor risco de recorrência e morte específica. Idade e período de latência não se associaram aos riscos.

Estudo citado: Cheng KY, Yu J, Liu EW, Hu KC, Lee JJ. Prognostic Factors of Marjolin Ulcers: A Meta-Analysis and Systematic Review Assisted by Machine Learning Techniques. Plastic and reconstructive surgery. 2023. DOI: https://doi.org/10.1097/PRS.0000000000010012. PubMed: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/36729819/

## Resposta

As úlceras de Marjolin são tumores malignos que surgem em pele previamente lesionada, como queimaduras, cicatrizes, úlceras crônicas e outras condições inflamatórias crônicas. O período de latência pode ser longo, e o prognóstico varia. Este estudo teve como objetivo estabelecer fatores prognósticos para recorrência, metástase e morte específica da doença relacionada à úlcera de Marjolin.

Foi realizada uma busca abrangente no PubMed, Embase e Cochrane Library. Após avaliar a qualidade metodológica das séries de casos, os autores conduziram uma meta-análise e revisão sistemática. Além disso, utilizaram aprendizado de máquina para prever o tempo de sobrevida dos pacientes.

Os resultados mostraram que úlceras de Marjolin em membros superiores, cabeça e pescoço tiveram maior risco de recorrência. Em contraste, lesões de menor grau, ausência de metástase linfonodal e diâmetro tumoral menor que 10 cm associaram-se a menor risco de recorrência. Os riscos não foram relacionados à idade ou ao período de latência. Pacientes sem metástase linfonodal tiveram menor risco de desenvolver metástase à distância. O risco de morte específica da doença foi menor em pacientes com menor grau tumoral, ausência de metástase linfonodal, pequeno diâmetro tumoral (<10 cm) e tumores localizados em regiões diferentes da cabeça e pescoço. A análise de correlação mostrou que a idade na lesão inicial foi negativamente correlacionada com o período de latência da úlcera de Marjolin.

Os autores concluíram que grau tumoral, sítio tumoral, status linfonodal e tamanho tumoral são preditores importantes de pior prognóstico. Para integrar esses preditores, criaram uma equação para prever o tempo de sobrevida de pacientes individuais por meio de processos de aprendizado de máquina. Além disso, observaram que a úlcera de Marjolin se desenvolveu mais rapidamente em indivíduos mais velhos com lesões.

Esses achados podem auxiliar o médico na estratificação de risco e no aconselhamento prognóstico de pacientes com úlcera de Marjolin, orientando a vigilância e o manejo clínico.

## O que o estudo mostrou

Trata-se de uma meta-análise e revisão sistemática com busca no PubMed, Embase e Cochrane Library, incluindo séries de casos avaliadas quanto à qualidade metodológica. Os autores usaram aprendizado de máquina para prever sobrevida. Os achados indicam que úlceras de Marjolin em membros superiores, cabeça e pescoço têm maior risco de recorrência; lesões de menor grau, sem metástase linfonodal e menores que 10 cm têm menor risco de recorrência. Ausência de metástase linfonodal associa-se a menor risco de metástase à distância. Menor grau tumoral, ausência de metástase linfonodal, diâmetro <10 cm e localização fora da cabeça e pescoço associam-se a menor risco de morte específica. Idade e período de latência não se associaram aos riscos. A idade na lesão inicial correlacionou-se negativamente com o período de latência.

## Limitações

O resumo não informa o número de estudos incluídos, o tamanho da amostra, nem as limitações metodológicas da meta-análise. Por ser baseado em séries de casos, a qualidade da evidência pode ser limitada. O resumo também não detalha como o aprendizado de máquina foi aplicado ou validado, nem se a equação de predição foi testada externamente.

## Aplicação no consultório

Na prática clínica, os fatores prognósticos identificados podem auxiliar na estratificação de risco de pacientes com úlcera de Marjolin, orientando a frequência de seguimento e a vigilância para recorrência e metástase. A equação preditiva, se validada, pode apoiar a comunicação prognóstica. Para a gestão do consultório, pode-se considerar a incorporação desses critérios nos protocolos de acompanhamento, mas sem substituir o julgamento clínico individualizado.

## Perguntas para aprofundar

- Como o grau tumoral influencia o risco de recorrência em úlceras de Marjolin?
- Qual o impacto da localização anatômica no prognóstico das úlceras de Marjolin?
- A ausência de metástase linfonodal está associada a melhor sobrevida em úlceras de Marjolin?

Tema: IA em dermatologia. Página: https://alphadoctor.com.br/ciencia/ia-dermatologia/quais-fatores-prognosticos-estao-associados-a-recorrencia-metastase-e-morte/

Conteúdo educacional para profissionais de saúde, baseado no resumo do artigo citado. Não substitui a leitura do estudo original nem avaliação clínica.
