# Os modelos de predição de risco para linfedema relacionado ao câncer de mama são confiáveis para uso na prática clínica?

> A revisão sistemática com meta-análise avaliou modelos de predição para linfedema relacionado ao câncer de mama. Apenas dois modelos foram validados externamente, com AUC agrupada de 0,70 e 0,80. Todos os estudos apresentaram alto risco de viés e relato inadequado, não sendo os modelos recomendados para a prática clínica.

Estudo citado: Shen A, Wei X, Zhu F, Sun M, Ke S, Qiang W et al.. Risk prediction models for breast cancer-related lymphedema: A systematic review and meta-analysis. European journal of oncology nursing : the official journal of European Oncology Nursing Society. 2023. DOI: https://doi.org/10.1016/j.ejon.2023.102326. PubMed: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/37137249/

## Resposta

A revisão sistemática teve como objetivo avaliar criticamente os modelos de predição de risco para linfedema relacionado ao câncer de mama (BCRL). Foram incluídos estudos que reportaram modelos, com AUC ou C-index variando de 0,601 a 0,965. A maioria utilizou métodos de regressão clássica, e dois estudos empregaram aprendizado de máquina. Os preditores mais frequentes foram radioterapia, índice de massa corporal antes da cirurgia, número de linfonodos dissecados e quimioterapia.

Apenas dois modelos foram validados externamente, com AUC agrupada de 0,70 (n = 3, IC95%: 0,67 a 0,74) e 0,80 (n = 3, IC95%: 0,75 a 0,86). Apesar do desempenho preditivo moderado a bom, todos os estudos foram julgados com alto risco geral de viés e relato inadequado, segundo a ferramenta Prediction Model Risk of Bias Assessment Tool (PROBAST). Isso sugere que o desempenho observado pode ser otimista.

Os autores concluem que nenhum dos modelos é adequado para recomendação na prática clínica. Pesquisas futuras devem focar na validação, otimização ou desenvolvimento de novos modelos em estudos bem delineados e relatados, seguindo diretrizes metodológicas e de relato. A heterogeneidade metodológica e a falta de validação externa ampla limitam a aplicabilidade dos modelos existentes.

Para o médico brasileiro, os resultados indicam que os modelos disponíveis ainda não são confiáveis para estratificar risco de BCRL em pacientes com câncer de mama. A decisão clínica deve se basear em fatores de risco conhecidos, como radioterapia, IMC elevado, dissecção linfonodal e quimioterapia, mas sem o suporte de um modelo preditivo validado. É importante acompanhar novas publicações que possam trazer modelos mais robustos.

## O que o estudo mostrou

Revisão sistemática com meta-análise que incluiu estudos reportando modelos de predição para linfedema relacionado ao câncer de mama. A AUC ou C-index variou de 0,601 a 0,965. Apenas dois modelos foram validados externamente, com AUC agrupada de 0,70 (n = 3, IC95%: 0,67 a 0,74) e 0,80 (n = 3, IC95%: 0,75 a 0,86). A maioria usou regressão clássica; dois estudos usaram aprendizado de máquina. Preditores mais frequentes: radioterapia, IMC pré-cirúrgico, número de linfonodos dissecados e quimioterapia. Todos os estudos tiveram alto risco de viés e relato inadequado.

## Limitações

O resumo não informa detalhes sobre as características das populações incluídas, os métodos de validação interna ou o tempo de seguimento. Todos os estudos foram avaliados com alto risco de viés e relato inadequado, o que compromete a confiança nos resultados. Apenas dois modelos foram validados externamente, e a meta-análise foi baseada em poucos estudos (n = 3 para cada modelo). O resumo não informa se houve análise de subgrupos ou de sensibilidade.

## Aplicação no consultório

Os modelos preditivos disponíveis para linfedema relacionado ao câncer de mama não devem ser usados rotineiramente na prática clínica, pois apresentam alto risco de viés e falta de validação externa robusta. O médico deve continuar atento aos fatores de risco clássicos, como radioterapia, IMC elevado, número de linfonodos dissecados e quimioterapia, e considerar o encaminhamento precoce para fisioterapia ou avaliação especializada quando esses fatores estiverem presentes. A gestão do consultório pode incluir o acompanhamento sistemático desses pacientes, mas sem confiança em escores de risco não validados.

## Perguntas para aprofundar

- Quais fatores de risco para linfedema relacionado ao câncer de mama são mais consistentes na literatura?
- Como o médico pode identificar precocemente o linfedema em pacientes submetidas a tratamento para câncer de mama?
- Quais são as limitações dos modelos de predição de risco em oncologia e como interpretá-las na prática?

Tema: IA em dermatologia. Página: https://alphadoctor.com.br/ciencia/ia-dermatologia/os-modelos-de-predicao-de-risco-para-linfedema-relacionado-ao-cancer-de-mama/

Conteúdo educacional para profissionais de saúde, baseado no resumo do artigo citado. Não substitui a leitura do estudo original nem avaliação clínica.
