# Qual é a relação entre volume de casos e desfechos em cirurgia robótica intra-abdominal, e quais os limiares mínimos de volume sugeridos?

> Uma revisão sistemática de 41 estudos e 983.149 procedimentos encontrou relações significativas entre volume e desfechos como tempo operatório, complicações, margens positivas, linfonodos recuperados e custo. Em centros com menos de 10 casos anuais de um procedimento, múltiplos cirurgiões realizando-o tiveram piores resultados, sugerindo a necessidade de concentrar casos ou realizar procedimentos complementares.

Estudo citado: Day EK, Galbraith NJ, Ward HJT, Roxburgh CS. Volume-outcome relationship in intra-abdominal robotic-assisted surgery: a systematic review. Journal of robotic surgery. 2023. DOI: https://doi.org/10.1007/s11701-022-01461-2. PubMed: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/36315379/

## Resposta

A cirurgia robótica assistida (RAS) está se expandindo para centros menores, onde as plataformas são compartilhadas entre especialidades. Provedores de saúde precisam considerar o volume e a mistura de casos necessários para manter a qualidade e a custo-efetividade. A relação volume-desfecho pode informar parcialmente essa decisão.

Foi realizada uma revisão sistemática para descrever a relação volume-desfecho em cirurgia robótica intra-abdominal e relatar padrões mínimos de volume sugeridos. A busca incluiu as bases Medline, NICE Evidence Search, Health Technology Assessment Database e Cochrane Library, com os termos 'robot*', 'surgery', 'volume' e 'outcome'. Foram incluídos procedimentos ginecológicos (histerectomia), urológicos (nefrectomia parcial e radical, cistectomia, prostatectomia) e gerais (colectomia, esofagectomia).

Foram incluídos 41 estudos, abrangendo 983.149 procedimentos. A qualidade dos estudos foi avaliada pela Escala de Qualidade Newcastle-Ottawa e os dados foram sintetizados em revisão narrativa. Relações significativas entre volume e desfecho foram descritas para medidas-chave, incluindo tempo operatório, complicações, margens positivas, linfonodos recuperados e custo. Limiares anuais de volume para cirurgiões e hospitais foram descritos.

Concluiu-se que, em centros com volume anual inferior a 10 casos de um determinado procedimento, ter múltiplos cirurgiões realizando esses procedimentos levou a piores desfechos. Portanto, oportunidades devem ser buscadas para realizar outros procedimentos robóticos complementares ou realizar casos conjuntos.

Esses achados têm implicações para a prática clínica e a gestão do consultório, sugerindo que a concentração de casos e a colaboração entre cirurgiões podem ser estratégias para manter a qualidade em centros de baixo volume.

## O que o estudo mostrou

Revisão sistemática com 41 estudos e 983.149 procedimentos de cirurgia robótica intra-abdominal (ginecológicos, urológicos e gerais). A qualidade foi avaliada pela Escala Newcastle-Ottawa e os dados sintetizados em revisão narrativa. Foram descritas relações significativas entre volume e desfechos como tempo operatório, complicações, margens positivas, linfonodos recuperados e custo. Limiares anuais de volume para cirurgiões e hospitais foram relatados. Em centros com menos de 10 casos anuais de um procedimento, múltiplos cirurgiões realizando-o tiveram piores desfechos.

## Limitações

O resumo não informa as limitações específicas dos estudos incluídos, nem detalhes sobre a heterogeneidade entre eles. Por ser uma revisão narrativa, não há meta-análise. Os limiares de volume descritos não são detalhados no resumo, e a qualidade metodológica dos estudos originais não é sumarizada. O resumo também não informa a população exata ou os critérios de inclusão dos estudos.

## Aplicação no consultório

Para o médico que atua em centro com baixo volume de cirurgia robótica, os achados sugerem evitar que múltiplos cirurgiões realizem o mesmo procedimento com poucos casos anuais. Estratégias incluem concentrar casos em poucos cirurgiões, buscar procedimentos robóticos complementares para aumentar o volume global ou realizar casos conjuntos. Na gestão do consultório, isso pode orientar a alocação de recursos e a definição de critérios para credenciamento e manutenção de privilégios cirúrgicos.

## Perguntas para aprofundar

- Quais são os limiares mínimos de volume anual sugeridos para cirurgiões e hospitais em cirurgia robótica intra-abdominal?
- Como a relação volume-desfecho se aplica a diferentes especialidades cirúrgicas na robótica?
- Quais estratégias podem mitigar os piores desfechos em centros com baixo volume de cirurgia robótica?

Tema: IA em cirurgia e robótica. Página: https://alphadoctor.com.br/ciencia/ia-cirurgia-robotica/qual-e-a-relacao-entre-volume-de-casos-e-desfechos-em-cirurgia-robotica-intra/

Conteúdo educacional para profissionais de saúde, baseado no resumo do artigo citado. Não substitui a leitura do estudo original nem avaliação clínica.
