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IA em cirurgia e robótica

Modelos de inteligência artificial aplicados a vídeos intraoperatórios conseguem identificar fases cirúrgicas, instrumentos e estruturas anatômicas com que desempenho?

Resposta curta: Uma revisão sistemática de 21 estudos mostrou que modelos de aprendizado profundo em vídeos intraoperatórios alcançaram acurácia de 81% a 93,2% para fases cirúrgicas e de 71,4% a 98,1% para estruturas anatômicas. Os resultados são promissores, mas os autores pedem mais pesquisa para lidar com limitações de conjuntos de dados, padronizar anotações e minimizar vieses.

Resposta

A revisão sistemática reuniu estudos que aplicaram modelos de inteligência artificial na análise de vídeos intraoperatórios, com o objetivo de extrair características e reconhecer padrões de fases cirúrgicas, estruturas anatômicas e instrumentos cirúrgicos. A busca abrangeu PubMed, Web of Science e EBSCO, incluindo publicações até março de 2024, e considerou apenas estudos que utilizaram aprendizado de máquina ou aprendizado profundo para análise de vídeo cirúrgico.

Foram incluídos 21 estudos. Predominantemente, empregou-se uma arquitetura multicamadas de redes neurais interconectadas. As medidas de desfecho principais foram acurácia, precisão, recall e escore F1, o que permite comparar o desempenho dos modelos entre os estudos incluídos.

Os modelos de aprendizado profundo demonstraram resultados promissores. Para reconhecimento de fases cirúrgicas, a acurácia variou de 81% a 93,2%. Já os modelos de reconhecimento de estruturas anatômicas alcançaram acurácia entre 71,4% e 98,1%. Esses achados sugerem que a tecnologia pode contribuir para a identificação automatizada de etapas e estruturas durante a cirurgia.

Os autores concluem que a inteligência artificial tem potencial para melhorar significativamente a precisão cirúrgica e o fluxo de trabalho, com sucesso demonstrado no reconhecimento de fases e na identificação de estruturas anatômicas. No entanto, destacam que mais pesquisa é necessária para abordar limitações dos conjuntos de dados, padronizar protocolos de anotação e minimizar vieses.

Para o médico, a leitura prática é que a tecnologia ainda está em fase de consolidação metodológica. O resumo não informa detalhes sobre tipos específicos de cirurgia, tamanho das amostras de vídeo ou desempenho por especialidade, o que limita a extrapolação imediata para a rotina do consultório e do centro cirúrgico.

O que o estudo mostrou

Trata-se de uma revisão sistemática com busca em PubMed, Web of Science e EBSCO até março de 2024, incluindo 21 estudos que aplicaram aprendizado de máquina ou profundo à análise de vídeos intraoperatórios. Predominaram arquiteturas multicamadas de redes neurais interconectadas. A acurácia foi de 81% a 93,2% para reconhecimento de fases cirúrgicas e de 71,4% a 98,1% para estruturas anatômicas, com desfechos de acurácia, precisão, recall e escore F1.

Limitações

O resumo não informa o tamanho das amostras, os tipos específicos de cirurgia incluídos nem o risco de viés de cada estudo. Os próprios autores apontam limitações relacionadas aos conjuntos de dados, à falta de padronização dos protocolos de anotação e à presença de vieses, indicando que os resultados ainda não permitem conclusões definitivas para a prática.

Aplicação no consultório

Os achados apoiam a expectativa de que sistemas de apoio por vídeo possam, no futuro, auxiliar na documentação e no controle de etapas cirúrgicas, mas não há base no resumo para incorporar essa tecnologia à rotina agora. Na gestão do consultório e do centro cirúrgico, o médico deve acompanhar a evolução das evidências, priorizar protocolos padronizados de registro de vídeo e avaliar custo e validação antes de adotar ferramentas comerciais.

Estudo citado

Artificial intelligence in the operating room: A systematic review of AI models for surgical phase, instruments and anatomical structure identification. Acta obstetricia et gynecologica Scandinavica, 2025.
Autores: Paracchini S, Taliento C, Pellecchia G, Tius V, Tavares M, Borghi C, Buda AA, Bartoli A, Bourdel N, Vizzielli G.
DOI: 10.1111/aogs.70045 · PubMed: PMID 40862620

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Conteúdo educacional para profissionais de saúde, baseado no resumo do artigo citado. Não substitui a leitura do estudo original nem avaliação clínica.