Após prostatectomia radical robótica com linfadenectomia pélvica estendida, o dreno pélvico profilático ainda se justifica?
Resposta curta: Uma revisão sistemática com meta-análise mostrou que o dreno pélvico após prostatectomia radical robótica com linfadenectomia estendida não reduz linfoceles sintomáticas nem complicações pós-operatórias. Os achados sugerem que a omissão do dreno é segura em casos não complicados, considerando fatores clínicos individuais.
Resposta
A revisão sistemática com meta-análise avaliou o benefício clínico do dreno pélvico profilático após prostatectomia radical laparoscópica assistida por robô (RALP) com linfadenectomia pélvica em pacientes com câncer de próstata localizado. Foram incluídos seis artigos, totalizando 1783 pacientes, dos quais 1253 receberam dreno e 530 não receberam.
O desfecho primário foi a taxa de linfoceles sintomáticas que necessitaram de intervenção. Não houve diferença significativa entre os grupos com e sem dreno (diferença de risco 0,01; IC 95% -0,007 a 0,027), com incidência geral de 2,2% (IC 95% 0,013-0,032).
Os desfechos secundários incluíram complicações classificadas pelo sistema Clavien-Dindo. Não foi observada diferença nas complicações de baixo grau (I-II; diferença de risco 0,035; IC 95% -0,065 a 0,148) ou de alto grau (III-V; diferença de risco -0,003; IC 95% -0,05 a 0,044) entre os grupos com e sem dreno.
As taxas de complicações de baixo grau foram 11,8% (IC 95% 0-0,42) no grupo com dreno e 7,3% (IC 95% 0-0,26) no grupo sem dreno. As complicações de alto grau ocorreram em 4,1% (IC 95% 0,008-0,084) e 4,3% (IC 95% 0,007-0,067) nos grupos com e sem dreno, respectivamente.
A conclusão dos autores é que a inserção de dreno pélvico após RALP com linfadenectomia estendida não confere benefícios significativos na prevenção de linfoceles sintomáticas ou complicações pós-operatórias. Com base nesses resultados, a inserção do dreno pode ser omitida com segurança em casos não complicados, após consideração de fatores clínicos.
O que o estudo mostrou
Revisão sistemática e meta-análise de seis artigos, incluindo 1783 pacientes (1253 com dreno pélvico e 530 sem dreno) submetidos a prostatectomia radical robótica com linfadenectomia pélvica. Não houve diferença na taxa de linfoceles sintomáticas (diferença de risco 0,01; IC 95% -0,007 a 0,027) nem nas complicações de baixo grau (I-II) ou alto grau (III-V) entre os grupos. A incidência geral de linfoceles sintomáticas foi 2,2%.
Limitações
O resumo não informa o desenho detalhado dos estudos incluídos, nem possíveis vieses de publicação ou heterogeneidade entre eles. Também não são descritos critérios específicos para indicação do dreno ou definição de casos complicados, o que limita a generalização dos achados.
Aplicação no consultório
Os resultados apoiam a discussão sobre omitir o dreno pélvico de rotina após prostatectomia radical robótica com linfadenectomia em casos não complicados, o que pode simplificar o pós-operatório e reduzir custos. A decisão deve considerar fatores clínicos individuais e o perfil de cada serviço, sem adotar a mudança de forma indiscriminada.
Estudo citado
A Systematic Review and Meta-Analysis of Pelvic Drain Insertion After Robot-Assisted Radical Prostatectomy. Journal of endourology, 2020.
Autores: Zhong W, Roberts MJ, Saad J, Thangasamy IA, Arianayagam R, Sathianathen NJ, Gendy R, Goolam A, Khadra M, Arianayagam M, Varol C, Ko R, Canagasingham B, Ferguson R, Winter M.
DOI: 10.1089/end.2019.0554 · PubMed: PMID 32037859
Perguntas para aprofundar
- Quais fatores clínicos devem ser considerados para omitir o dreno pélvico após prostatectomia radical robótica?
- A omissão do dreno pélvico altera o tempo de internação ou a taxa de readmissão?
- Como identificar precocemente linfoceles sintomáticas em pacientes sem dreno pélvico?
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