# A técnica robótica é superior à técnica freehand na inserção de parafusos pediculares?

> A técnica robótica apresentou taxa de precisão Grau A superior, menos violação da faceta proximal e menor exposição à radiação, mas maior duração cirúrgica. A precisão Grau A+B foi equivalente entre as técnicas. A decisão deve considerar esses trade-offs.

Estudo citado: Gao S, Lv Z, Fang H. Robot-assisted and conventional freehand pedicle screw placement: a systematic review and meta-analysis of randomized controlled trials. European spine journal : official publication of the European Spine Society, the European Spinal Deformity Society, and the European Section of the Cervical Spine Research Society. 2018. DOI: https://doi.org/10.1007/s00586-017-5333-y. PubMed: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/29032475/

## Resposta

Esta revisão sistemática e meta-análise de ensaios clínicos randomizados comparou a inserção de parafusos pediculares assistida por robô com a técnica convencional freehand. Foram incluídos seis estudos, totalizando 158 pacientes (688 parafusos) no grupo robótico e 148 pacientes (672 parafusos) no grupo freehand. Os desfechos avaliados incluíram precisão da inserção, violação da faceta proximal, exposição à radiação e duração cirúrgica.

Os resultados mostraram que a taxa de precisão Grau A foi significativamente superior no grupo robótico (RR 1,03; IC 95% 1,00–1,06; P = 0,04). No entanto, a taxa de precisão Grau A+B não diferiu entre os grupos (RR 1,01; IC 95% 0,99–1,02; P = 0,29). Isso sugere que a vantagem robótica pode ser mais evidente em critérios rigorosos de posicionamento do parafuso, mas não em desfechos combinados mais permissivos.

Em relação à violação da faceta proximal, o grupo robótico apresentou significativamente menos eventos (RR 0,07; IC 95% 0,01–0,55; P = 0,01). A exposição à radiação intraoperatória também foi menor no grupo robótico, tanto em tempo (MD -12,38; IC 95% -17,95 a -6,80; P < 0,0001) quanto em dose (SMD -0,64; IC 95% -0,85 a -0,43; P < 0,00001). Por outro lado, a duração cirúrgica total foi maior no grupo robótico (MD 20,53; IC 95% 5,17–35,90; P = 0,009).

Os autores concluem que a técnica robótica está associada a precisão equivalente, menos violação facetária, menor exposição à radiação, porém maior tempo cirúrgico. Esses achados podem auxiliar o médico na escolha da técnica, considerando o perfil do paciente e os recursos disponíveis. A decisão deve ser individualizada, ponderando os benefícios e as limitações de cada abordagem.

Para a prática clínica, é importante considerar que a superioridade robótica não foi uniforme em todos os desfechos. A redução da radiação e da violação facetária são vantagens relevantes, especialmente em procedimentos complexos ou em pacientes com maior risco. No entanto, o aumento do tempo cirúrgico pode impactar a logística do centro cirúrgico e os custos. Mais estudos randomizados de alta qualidade e maior tamanho amostral são necessários para confirmar esses achados.

## O que o estudo mostrou

Revisão sistemática e meta-análise de seis ensaios clínicos randomizados, com 158 pacientes (688 parafusos) no grupo robótico e 148 pacientes (672 parafusos) no grupo freehand. A precisão Grau A foi superior no grupo robótico (RR 1,03; IC 95% 1,00–1,06; P = 0,04), mas a Grau A+B não diferiu (RR 1,01; IC 95% 0,99–1,02; P = 0,29). Houve menos violação da faceta proximal (RR 0,07; IC 95% 0,01–0,55; P = 0,01) e menor exposição à radiação (tempo: MD -12,38; IC 95% -17,95 a -6,80; dose: SMD -0,64; IC 95% -0,85 a -0,43). A duração cirúrgica foi maior no grupo robótico (MD 20,53; IC 95% 5,17–35,90; P = 0,009).

## Limitações

O resumo não informa o risco de viés dos estudos incluídos, a heterogeneidade entre eles, nem o período de seguimento. O número de estudos e de pacientes é relativamente pequeno, e os resultados podem não ser generalizáveis para diferentes níveis de experiência cirúrgica ou sistemas robóticos. Além disso, o resumo não detalha os critérios de avaliação da precisão ou da violação facetária.

## Aplicação no consultório

Na prática clínica, a escolha entre técnica robótica e freehand deve considerar o balanceamento entre benefícios (menor radiação e violação facetária) e desvantagens (maior tempo cirúrgico). O médico pode utilizar essas informações para discutir com a equipe e o paciente, especialmente em casos de anatomia complexa ou necessidade de minimizar radiação. A gestão do consultório pode se beneficiar do planejamento adequado do tempo cirúrgico e da alocação de recursos, além de considerar a curva de aprendizado e os custos associados à tecnologia robótica.

## Perguntas para aprofundar

- Qual o impacto da curva de aprendizado na precisão da inserção de parafusos pediculares assistida por robô?
- A redução da exposição à radiação com técnica robótica se traduz em benefícios clínicos para a equipe cirúrgica?
- Em quais subgrupos de pacientes a técnica robótica oferece maior vantagem em relação à freehand?

Tema: IA em cirurgia e robótica. Página: https://alphadoctor.com.br/ciencia/ia-cirurgia-robotica/a-tecnica-robotica-e-superior-a-tecnica-freehand-na-insercao-de-parafusos/

Conteúdo educacional para profissionais de saúde, baseado no resumo do artigo citado. Não substitui a leitura do estudo original nem avaliação clínica.
