# A ressecção robótica do reto preserva melhor a função anorretal em comparação com outras técnicas de excisão total do mesorreto?

> Segundo esta revisão sistemática com meta-análise, a função anorretal medida pelo escore LARS recuperou-se significativamente melhor no primeiro ano após excisão total do mesorreto robótica do que após as abordagens laparoscópica, aberta e transanal. Os autores ressaltam a necessidade de estudos prospectivos de alta qualidade para confirmar esses achados.

Estudo citado: Grass JK, Chen CC, Melling N, Lingala B, Kemper M, Scognamiglio P et al.. Robotic rectal resection preserves anorectal function: Systematic review and meta-analysis. The international journal of medical robotics + computer assisted surgery : MRCAS. 2021. DOI: https://doi.org/10.1002/rcs.2329. PubMed: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34463416/

## Resposta

A preservação da função anorretal é uma preocupação crescente no tratamento do câncer de reto, à medida que a sobrevida dos pacientes melhora. O escore de síndrome de ressecção anterior baixa (LARS) é um instrumento consolidado para avaliar o comprometimento funcional pós-operatório após a excisão total do mesorreto (TME). Esta revisão sistemática com meta-análise comparou, pela primeira vez, a função intestinal após TME aberta, laparoscópica, transanal e robótica.

Foram identificadas trinta e duas publicações, incluindo 5 565 pacientes, e os resultados foram comparados com uma série consecutiva de TME robótica com 48 pacientes. A recuperação da função anorretal no primeiro ano foi significativamente melhor após TME robótica, com escore de 3.8 (IC95% -9.709-17.309), em comparação com TME laparoscópica, com 26.4 (IC95% 19.524-33.286), p = 0.006; TME aberta, com 26.0 (IC95% 24.338-29.702), p = 0.002; e TME transanal, com 27.9 (IC95% 22.127-33.669), p = 0.003.

Os achados sugerem que a via robótica pode estar associada a melhor recuperação funcional no período pós-operatório inicial. Para o médico que acompanha pacientes operados de câncer de reto, isso reforça a importância de considerar desfechos funcionais, e não apenas oncológicos, na discussão das opções cirúrgicas e no seguimento.

Os autores concluem que a TME robótica permite melhor recuperação da função anorretal em comparação com as outras técnicas, mas destacam que estudos prospectivos de alta qualidade são necessários para confirmar os benefícios da cirurgia robótica. O resumo não detalha os critérios de seleção dos estudos incluídos nem o tempo exato de seguimento além do primeiro ano.

## O que o estudo mostrou

Trata-se de revisão sistemática com meta-análise que incluiu todos os estudos que relatavam desfechos funcionais após cirurgia de câncer de reto pelo escore LARS, comparados com uma série consecutiva de TME robótica com 48 pacientes. Foram identificadas trinta e duas publicações, incluindo 5 565 pacientes. A função anorretal recuperou-se significativamente melhor no primeiro ano após TME robótica (3.8; IC95% -9.709-17.309) do que após TME laparoscópica (26.4; IC95% 19.524-33.286; p = 0.006), TME aberta (26.0; IC95% 24.338-29.702; p = 0.002) e TME transanal (27.9; IC95% 22.127-33.669; p = 0.003).

## Limitações

O resumo não informa o desenho individual dos estudos incluídos, os critérios de elegibilidade, a qualidade metodológica ou o risco de viés das publicações analisadas. Também não detalha o tempo de seguimento além do primeiro ano nem as características basais dos pacientes. Os próprios autores afirmam que são necessários estudos prospectivos de alta qualidade para confirmar os benefícios da cirurgia robótica, o que limita a conclusão definitiva a partir desta meta-análise.

## Aplicação no consultório

Na prática clínica, os achados apoiam a inclusão da função anorretal na conversa sobre as vias cirúrgicas com pacientes com câncer de reto, sem prometer resultados individuais. Para a gestão do consultório, reforçam a importância de incorporar o escore LARS no seguimento pós-operatório e de acompanhar a recuperação funcional no primeiro ano. A decisão sobre a via de acesso deve considerar disponibilidade de tecnologia, experiência da equipe e discussão multiprofissional, e não apenas o desfecho funcional isolado.

## Perguntas para aprofundar

- Como o escore LARS deve ser aplicado no seguimento de pacientes submetidos a excisão total do mesorreto?
- Quais fatores além da via cirúrgica podem influenciar a recuperação da função anorretal após cirurgia de câncer de reto?
- Que estudos prospectivos seriam necessários para confirmar o benefício funcional da cirurgia robótica no câncer de reto?

Tema: IA em cirurgia e robótica. Página: https://alphadoctor.com.br/ciencia/ia-cirurgia-robotica/a-resseccao-robotica-do-reto-preserva-melhor-a-funcao-anorretal-em-comparacao/

Conteúdo educacional para profissionais de saúde, baseado no resumo do artigo citado. Não substitui a leitura do estudo original nem avaliação clínica.
