# A cirurgia robótica de coluna oferece benefícios em relação à técnica convencional para fusão vertebral?

> A revisão sistemática com metanálise de 11 ensaios clínicos randomizados (817 pacientes) não encontrou benefícios conclusivos da cirurgia robótica sobre a convencional para fusão vertebral. Não houve diferença significativa na precisão do posicionamento de parafusos, tempo cirúrgico ou permanência hospitalar. A dose de radiação pode ser menor com robótica, mas os resultados são contraditórios. Mais pesquisas são necessárias.

Estudo citado: Luengo-Matos S, Sánchez-Gómez LM, Hijas-Gómez AI, García-Carpintero EE, Ballesteros-Massó R, Polo-deSantos M. Efficacy and safety of robotic spine surgery: systematic review and meta-analysis. Journal of orthopaedics and traumatology : official journal of the Italian Society of Orthopaedics and Traumatology. 2022. DOI: https://doi.org/10.1186/s10195-022-00669-0. PubMed: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/36242652/

## Resposta

A cirurgia robótica vem sendo incorporada na prática ortopédica, mas sua superioridade em relação à técnica convencional ainda é debatida. Esta revisão sistemática com metanálise reuniu evidências de ensaios clínicos randomizados para comparar os desfechos de eficácia e segurança da cirurgia robótica (RS) versus cirurgia convencional (FS) na fusão vertebral.

Foram incluídos 11 ensaios clínicos randomizados, totalizando 817 pacientes (408 no grupo FS e 409 no grupo RS). A principal indicação foi doença degenerativa da coluna. Diferentes sistemas robóticos foram utilizados, como SpineAssist, Renaissance, Tianji Robot e TiRobot. A análise avaliou desfechos como posicionamento de parafusos pediculares, tempo cirúrgico, permanência hospitalar, tempo de fluoroscopia e necessidade de revisão cirúrgica.

Os resultados não mostraram diferença estatisticamente significativa entre as técnicas. A proporção de parafusos posicionados dentro da zona de segurança (graus A e B de Gertzbein e Robbins) variou de 93% a 100% na FS e de 85% a 100% na RS (risco relativo 1,01; IC 95% 1,00-1,03; p=0,14). O tempo cirúrgico teve diferença média de 6,45 minutos (IC 95% -13,59 a 26,49; p=0,53) e a permanência hospitalar, diferença média de -0,36 dias (IC 95% -1,03 a 0,31; p=0,30), sem significância.

Em relação à fluoroscopia, os achados foram contraditórios, embora pareça haver menor dose de radiação com RS (p<0,05). A segurança foi avaliada pela frequência de revisão cirúrgica, mas os resultados não são detalhados no resumo. A conclusão dos autores é que não há evidências conclusivas de benefícios da RS sobre a FS para fusão vertebral, sendo necessárias mais pesquisas com seleção adequada de pacientes, padronização do tipo de robô e avaliação de variáveis de qualidade de vida.

Diante disso, a incorporação da robótica na prática clínica deve ser criteriosa, considerando os custos e a ausência de superioridade clínica demonstrada. O nível de evidência é 1, mas as limitações metodológicas e a heterogeneidade dos estudos impedem conclusões definitivas.

## O que o estudo mostrou

Revisão sistemática com metanálise de 11 ensaios clínicos randomizados envolvendo 817 pacientes (408 na cirurgia convencional e 409 na robótica), com principal diagnóstico de doença degenerativa da coluna. Foram usados os robôs SpineAssist, Renaissance, Tianji Robot e TiRobot. Não houve diferença significativa no posicionamento de parafusos pediculares dentro da zona de segurança (RR 1,01; IC 95% 1,00-1,03; p=0,14), no tempo cirúrgico (diferença média de 6,45 min; p=0,53) ou na permanência hospitalar (diferença média de -0,36 dias; p=0,30). Achados contraditórios sobre tempo de fluoroscopia, com possível menor dose de radiação na robótica (p<0,05).

## Limitações

O resumo não informa detalhes sobre a qualidade metodológica dos estudos incluídos, nem sobre a heterogeneidade entre eles. Os resultados de segurança são limitados à frequência de revisão cirúrgica, sem dados numéricos. A ausência de informações sobre seleção de pacientes e tipos de robôs dificulta a generalização. O resumo também não descreve as limitações apontadas pelos autores da revisão.

## Aplicação no consultório

A decisão de adotar ou encaminhar para cirurgia robótica deve ser individualizada, considerando que a metanálise não demonstrou superioridade clínica sobre a técnica convencional. Para o gestor, isso implica cautela na aquisição de tecnologia de alto custo sem evidência de benefício em desfechos relevantes. O médico pode discutir com o paciente as incertezas e a necessidade de mais estudos, além de considerar a curva de aprendizado e os custos operacionais antes de incorporar a robótica na rotina do consultório ou centro cirúrgico.

## Perguntas para aprofundar

- Quais são os critérios de seleção de pacientes para cirurgia robótica de coluna?
- A cirurgia robótica reduz a exposição à radiação para a equipe cirúrgica?
- Como avaliar o custo-efetividade da cirurgia robótica na fusão vertebral?

Tema: IA em cirurgia e robótica. Página: https://alphadoctor.com.br/ciencia/ia-cirurgia-robotica/a-cirurgia-robotica-de-coluna-oferece-beneficios-em-relacao-a-tecnica/

Conteúdo educacional para profissionais de saúde, baseado no resumo do artigo citado. Não substitui a leitura do estudo original nem avaliação clínica.
