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IA em cardiologia (ECG e ecocardiograma)

Medidas automatizadas de fração de ejeção e VTI do trato de saída do ventrículo esquerdo são intercambiáveis com os métodos de referência quando realizadas por não cardiologistas?

Resposta curta: A revisão sistemática encontrou poucos estudos e mostra que as medidas automatizadas de fração de ejeção e VTI apresentam viés médio pequeno a moderado, mas com amplos limites de concordância. A correlação é moderada a boa, sobretudo com operadores treinados. A intercambialidade com os métodos de referência não está firmemente estabelecida e a variabilidade deve ser considerada no contexto clínico.

Resposta

A ecocardiografia é central na avaliação de pacientes com risco de deterioração clínica, e a fração de ejeção do ventrículo esquerdo (LVEF) e o integral velocidade-tempo (VTI) auxiliam no diagnóstico de choque. Cálculos à beira do leito podem consumir tempo e apresentar variabilidade. A tecnologia de inteligência artificial surge como apoio ao clínico que realiza ecocardiografia point-of-care.

Esta revisão sistemática avaliou a intercambialidade das medidas de LVEF e/ou VTI obtidas em modo automatizado em comparação aos métodos ecocardiográficos de referência, como o método de Simpson para LVEF e o traçado manual para VTI, em contextos não cardiológicos. Foram incluídos oito estudos, quatro sobre LVEF automatizada, três sobre VTI automatizado e um abordando ambos.

Quando relatada, a viabilidade das medidas automatizadas variou de 78,4 a 93,3%. Para LVEF automatizada, o viés médio variou de 0 a 2,9% entre operadores experientes e de 0% a -10,2% entre não experientes, em ambos os casos com amplos limites de concordância. Para VTI automatizado, o viés médio ficou entre -1,7 cm e -1,9 cm.

A correlação entre métodos automatizados e de referência para LVEF automatizada variou de 0,63 a 0,86 entre experientes e de 0,56 a 0,81 entre não experientes. Apenas um estudo relatou correlação entre VTI automatizado e VTI manual, de 0,86 para experientes e 0,79 para não experientes.

Os autores concluem que há poucos estudos sobre a intercambialidade dessas medidas automatizadas frente à abordagem de referência. A acurácia e a precisão devem ser consideradas dentro do contexto clínico e da tomada de decisão, e essa variabilidade pode ser aceitável, especialmente nas mãos de operadores treinados.

O que o estudo mostrou

Revisão sistemática com busca abrangente no PubMed que incluiu oito estudos, quatro sobre LVEF automatizada, três sobre VTI automatizado e um sobre ambos. A viabilidade das medidas automatizadas, quando relatada, variou de 78,4 a 93,3%. O viés médio da LVEF automatizada foi de 0 a 2,9% para operadores experientes e de 0% a -10,2% para não experientes, com amplos limites de concordância. Para VTI automatizado, o viés médio ficou entre -1,7 cm e -1,9 cm. As correlações foram moderadas a boas.

Limitações

O resumo informa que foram encontrados poucos estudos avaliando a intercambialidade das medidas automatizadas de LVEF ou VTI frente a um método de referência. O resumo não detalha o desenho individual dos estudos incluídos, o tamanho amostral, a população específica ou os critérios de qualidade avaliados, o que limita a generalização dos achados sobre acurácia e precisão.

Aplicação no consultório

Na prática clínica e na gestão do consultório, as medidas automatizadas podem apoiar a ecocardiografia point-of-care realizada por não cardiologistas, mas os amplos limites de concordância exigem cautela na interpretação isolada dos valores. O treinamento do operador parece relevante, pois o desempenho variou entre experientes e não experientes. A decisão clínica deve integrar o contexto do paciente e não depender apenas da medida automatizada.

Estudo citado

Automated and reference methods for the calculation of left ventricular outflow tract velocity time integral or ejection fraction by non-cardiologists: a systematic review on the agreement of the two methods. Journal of clinical monitoring and computing, 2025.
Autores: Gonzalez FA, Zawadka M, Varudo R, Messina S, Caruso A, Santonocito C, Slama M, Sanfilippo F.
DOI: 10.1007/s10877-024-01259-7 · PubMed: PMID 39729150

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Conteúdo educacional para profissionais de saúde, baseado no resumo do artigo citado. Não substitui a leitura do estudo original nem avaliação clínica.