Dispositivos vestíveis com ECG e PPG são confiáveis para detectar e rastrear fibrilação atrial na prática clínica?
Resposta curta: Sim. A revisão sistemática mostra que adesivos vestíveis com ECG têm alta sensibilidade (92-98%) e especificidade (85-97%), detectando mais episódios de fibrilação atrial que o Holter de curta duração. Smartwatches com PPG têm acurácia moderada a alta para pulso irregular, melhorada por algoritmos de inteligência artificial, mas devem ser usados para rastreamento, com confirmação por ECG.
Resposta
A fibrilação atrial é um importante preditor de insuficiência cardíaca, acidente vascular cerebral e mortalidade. Os métodos tradicionais, como o Holter e os registradores de eventos, têm limitação pelo tempo curto de registro. Dispositivos vestíveis com eletrocardiografia (ECG) e fotopletismografia (PPG) permitem monitoramento contínuo e rastreamento em larga escala, o que motivou esta revisão sistemática.
Os achados indicam que os adesivos vestíveis com ECG apresentaram alta sensibilidade, entre 92% e 97%, e especificidade entre 85% e 97%, além de detectarem mais episódios de fibrilação atrial do que o Holter de curta duração. Já os smartwatches baseados em PPG demonstraram acurácia moderada a alta na detecção de pulso irregular, com melhora adicional quando associados a algoritmos de inteligência artificial.
A revisão também aponta limitações relevantes para a implementação: artefatos de movimento, falsos positivos, questões de adesão ao uso, sobrecarga de dados para o clínico e evidência limitada sobre prevenção de acidente vascular cerebral. Esses fatores precisam ser considerados antes de incorporar esses dispositivos à rotina.
A conclusão é que os dispositivos vestíveis com ECG são confiáveis para a detecção clínica de fibrilação atrial. Os dispositivos com PPG são mais adequados para rastreamento, com confirmação subsequente por ECG, conforme as diretrizes internacionais de manejo da fibrilação atrial.
O que o estudo mostrou
Trata-se de uma revisão sistemática conduzida segundo as diretrizes PRISMA, com busca em PubMed, Embase e Web of Science para estudos de 2010 a 2025. Foram incluídos estudos com pelo menos 30 participantes que relatassem acurácia de detecção de fibrilação atrial ou desfechos clínicos; para PPG, exigiu-se verificação por ECG como padrão de referência. Adesivos vestíveis com ECG mostraram sensibilidade de 92-98% e especificidade de 85-97%, detectando mais episódios que o Holter de curta duração. Smartwatches com PPG tiveram acurácia moderada a alta para pulso irregular, melhorada por algoritmos de inteligência artificial.
Limitações
O resumo cita limitações dos dispositivos, como artefatos de movimento, falsos positivos, problemas de adesão e sobrecarga de dados para o clínico, além de evidência limitada sobre prevenção de acidente vascular cerebral. O resumo não informa o número total de estudos incluídos, a qualidade metodológica individual nem o perfil detalhado das populações avaliadas.
Aplicação no consultório
Na prática, o médico pode considerar adesivos vestíveis com ECG como ferramenta confiável para detecção clínica de fibrilação atrial, especialmente quando o Holter de curta duração é insuficiente. Dispositivos com PPG devem ser posicionados como rastreamento, exigindo confirmação por ECG. Para a gestão do consultório, é preciso planejar fluxo de revisão dos dados, critérios de encaminhamento e manejo de falsos positivos, evitando sobrecarga da equipe e exames desnecessários.
Estudo citado
Wearable devices for atrial fibrillation: diagnostic and screening roles of ECG and PPG-A systematic review. Future cardiology, 2026.
Autores: Bin Rashid A, Aslam E, Ashraf I, Mubeen T, Mubeen A, Zakriya H, Amjad M.
DOI: 10.1080/14796678.2026.2689050 · PubMed: PMID 42332956
Perguntas para aprofundar
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