# Como otimizar a terapia antitrombótica em pacientes com extremos de peso (baixo peso e obesidade moderada a mórbida), incluindo aqueles submetidos à cirurgia bariátrica?

> A otimização da terapia antitrombótica em pacientes com extremos de peso baseia-se em evidências limitadas e requer abordagem personalizada. O documento do ESC Working Group revisa as alterações farmacocinéticas e farmacodinâmicas nesses grupos, incluindo simulações de inteligência artificial, e fornece declarações de consenso para orientar o manejo, destacando lacunas no conhecimento.

Estudo citado: Gigante B, Tamargo J, Agewall S, Atar D, Ten Berg J, Campo G et al.. Update on antithrombotic therapy and body mass: a clinical consensus statement of the European Society of Cardiology Working Group on Cardiovascular Pharmacotherapy and the European Society of Cardiology Working Group on Thrombosis. European heart journal. Cardiovascular pharmacotherapy. 2024. DOI: https://doi.org/10.1093/ehjcvp/pvae064. PubMed: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/39237457/

## Resposta

O manejo da terapia antitrombótica em pacientes com extremos de peso é desafiador devido às alterações na composição corporal, metabolismo e função de órgãos, que modificam a farmacocinética e farmacodinâmica dos fármacos. O consenso do European Society of Cardiology Working Group on Cardiovascular Pharmacotherapy and the European Society of Cardiology Working Group on Thrombosis revisa as evidências mais recentes sobre esses medicamentos categorizados pelo índice de massa corporal da Organização Mundial da Saúde.

O documento concentra-se em indivíduos com baixo peso e obesidade moderada a mórbida que necessitam de antitrombóticos para tratamento ou prevenção de doenças cardiovasculares ou tromboembolismo venoso. A força de evidência de ensaios clínicos nesses grupos é fraca ou ausente, o que limita recomendações definitivas. Simulações de inteligência artificial derivadas de modelos farmacocinéticos/farmacodinâmicos in silico podem imitar as alterações farmacocinéticas e ajudar a identificar regimes ideais para esses pacientes.

A cirurgia bariátrica, frequentemente realizada em obesos mórbidos, causa alterações específicas no metabolismo e na anatomia gastrointestinal, dependendo do tipo de procedimento, impactando a farmacocinética dos antitrombóticos. O consenso fornece declarações para otimizar o manejo em pacientes com baixo peso e em todas as classes de obesidade, incluindo aqueles submetidos à cirurgia bariátrica, com base na literatura existente.

O documento destaca lacunas no conhecimento nesses cenários clínicos complexos, que exigem medicina personalizada e farmacologia de precisão. A aplicação prática envolve considerar as alterações fisiológicas e o tipo de cirurgia bariátrica ao prescrever antitrombóticos, além de utilizar ferramentas de simulação quando disponíveis para orientar a escolha e o ajuste posológico.

## O que o estudo mostrou

Trata-se de uma declaração de consenso clínico que atualiza a versão de 2018, revisando as evidências mais recentes sobre fármacos antitrombóticos conforme as categorias de tamanho corporal da Organização Mundial da Saúde. O documento foca em indivíduos com baixo peso e obesidade moderada a mórbida, que necessitam de antitrombóticos para tratamento ou prevenção de doenças cardiovasculares ou tromboembolismo venoso. Inclui simulações de inteligência artificial derivadas de modelos farmacocinéticos/farmacodinâmicos in silico para identificar regimes ideais. Aborda também a cirurgia bariátrica e suas alterações metabólicas e gastrointestinais que impactam a farmacocinética. O resumo não informa o número de estudos ou pacientes incluídos na revisão.

## Limitações

O resumo não informa o desenho detalhado da revisão, a quantidade de estudos incluídos, o número de participantes ou as limitações metodológicas. A evidência disponível é fraca ou ausente em ensaios clínicos para os extremos de peso, e as simulações de inteligência artificial são derivadas de modelos in silico, não de dados clínicos prospectivos. O documento é um consenso de especialistas, sujeito a vieses de opinião, e não fornece recomendações definitivas.

## Aplicação no consultório

Na prática clínica, o médico deve considerar as alterações farmacocinéticas em pacientes com baixo peso ou obesidade ao prescrever antitrombóticos, individualizando a escolha e a dose. Para pacientes submetidos à cirurgia bariátrica, é crucial avaliar o tipo de procedimento e seu impacto na absorção e metabolismo dos fármacos. A gestão do consultório pode incluir o uso de ferramentas de simulação farmacocinética, quando disponíveis, para apoiar decisões. Além disso, é importante documentar as lacunas de evidência e discutir com o paciente os riscos e benefícios de forma personalizada, evitando recomendações padronizadas.

## Perguntas para aprofundar

- Como ajustar a dose de anticoagulantes em pacientes obesos mórbidos submetidos à cirurgia bariátrica?
- Quais são as evidências sobre o uso de antiagregantes plaquetários em pacientes com baixo peso?
- As simulações de inteligência artificial podem substituir ensaios clínicos na definição de regimes antitrombóticos em extremos de peso?

Tema: IA em cardiologia (ECG e ecocardiograma). Página: https://alphadoctor.com.br/ciencia/ia-cardiologia/como-otimizar-a-terapia-antitrombotica-em-pacientes-com-extremos-de-peso-baixo/

Conteúdo educacional para profissionais de saúde, baseado no resumo do artigo citado. Não substitui a leitura do estudo original nem avaliação clínica.
