# Como as variações por esporte, idade e gênero influenciam a interpretação do ECG em atletas e qual o papel da inteligência artificial nesse contexto?

> O ECG em atletas apresenta variações específicas conforme esporte, idade e gênero, o que complexifica a distinção entre adaptações fisiológicas e anormalidades. A revisão sistemática destaca a necessidade de diretrizes refinadas e o potencial da inteligência artificial para melhorar a acurácia diagnóstica e reduzir custos, além de reforçar a importância do treinamento médico especializado.

Estudo citado: Caramoci A, Smaranda AM, Drăgoiu TS, Bădărău IA. ECG Screening in Athletes: A Systematic Review of Sport, Age, and Gender Variations. Reviews in cardiovascular medicine. 2025. DOI: https://doi.org/10.31083/RCM38209. PubMed: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/40475715/

## Resposta

A revisão sistemática analisou estudos observacionais publicados entre 2015 e 2025 sobre alterações eletrocardiográficas em atletas de esportes de resistência, força e mistos, incluindo populações adolescente e adulta. Os achados confirmam que o ECG em atletas exibe variações importantes conforme o tipo de esporte, a idade e o gênero, o que representa um desafio para diferenciar adaptações fisiológicas de anormalidades patológicas.

Em atletas de resistência, foram comuns aumentos na amplitude do QRS, inversões da onda T e bradicardia sinusal, enquanto atletas de força frequentemente apresentaram hipertrofia ventricular esquerda. Homens exibiram maiores voltagens do QRS, durações mais longas do QRS e intervalos PR mais elevados, ao passo que mulheres mostraram frequências cardíacas de repouso mais altas e intervalos QT corrigido (QTc) prolongados. Adolescentes apresentaram menos achados anormais que adultos, mas o treinamento de alta intensidade nessa faixa etária associou-se a aumento do átrio direito e maior duração da onda P.

O destreinamento reverteu algumas alterações, como prolongamento do QT e anormalidades da onda T, que reapareceram com a retomada do treinamento intenso. Além disso, alterações de novo, como inversões da onda T e depressão do segmento ST, foram identificadas em atletas pós-COVID-19. A revisão também ressalta o ônus financeiro do rastreamento amplo, mas reforça seu papel na prevenção da morte súbita cardíaca por meio de avaliações cardíacas abrangentes.

A conclusão enfatiza a complexidade da interpretação do ECG em atletas e as altas taxas de falsos positivos, que demandam diretrizes específicas por esporte. O reconhecimento recente da medicina esportiva como especialidade primária na União Europeia reforça a importância do treinamento médico abrangente. A integração da inteligência artificial ao rastreamento por ECG pode aumentar a acurácia diagnóstica, reduzir custos e facilitar a implementação em larga escala, enquanto esforços colaborativos entre clínicos, pesquisadores e formuladores de políticas são essenciais para protocolos padronizados e custo-efetivos.

## O que o estudo mostrou

Trata-se de uma revisão sistemática de estudos observacionais publicados entre 2015 e 2025, seguindo as diretrizes PRISMA, com dados extraídos de 20 estudos que examinaram alterações no ECG de atletas de esportes de resistência, força e mistos, abrangendo populações adolescente e adulta. Os achados incluíram aumento da amplitude do QRS, inversões da onda T e bradicardia sinusal, especialmente em atletas de resistência; hipertrofia ventricular esquerda em atletas de força; maiores voltagens do QRS, durações do QRS e intervalos PR em homens; frequências cardíacas de repouso mais altas e QTc prolongado em mulheres; e, em adolescentes, menos achados anormais que adultos, mas associação de treinamento de alta intensidade com aumento do átrio direito e maior duração da onda P. O destreinamento reverteu algumas alterações, que reapareceram com a retomada do treinamento. Alterações de novo foram identificadas em atletas pós-COVID-19.

## Limitações

O resumo não informa detalhes sobre a qualidade metodológica dos estudos incluídos, nem sobre possíveis vieses de seleção ou heterogeneidade entre as populações. Também não são fornecidos dados sobre o tamanho amostral total ou por estudo, limitando a generalização dos achados. A ausência de informações sobre critérios diagnósticos específicos e sobre a reprodutibilidade das interpretações de ECG dificulta a aplicação clínica direta. Além disso, o resumo não aborda custos específicos ou a viabilidade da implementação da inteligência artificial em diferentes contextos.

## Aplicação no consultório

Na prática clínica, os achados reforçam a necessidade de interpretar o ECG de atletas considerando o esporte praticado, a idade e o gênero, para evitar falsos positivos e exames adicionais desnecessários. O médico deve estar atento a alterações que podem ser fisiológicas, como bradicardia sinusal em atletas de resistência, e a sinais que merecem investigação, como alterações de novo pós-COVID-19. A gestão do consultório pode se beneficiar da incorporação de ferramentas de inteligência artificial para auxiliar na interpretação, desde que validadas, e do desenvolvimento de protocolos de rastreamento custo-efetivos. O treinamento contínuo em medicina esportiva é essencial para uma avaliação abrangente.

## Perguntas para aprofundar

- Quais são as principais diferenças eletrocardiográficas entre atletas de resistência e de força?
- Como o destreinamento pode auxiliar na distinção entre adaptações fisiológicas e patológicas no ECG de atletas?
- Qual o impacto esperado da inteligência artificial na redução de falsos positivos no rastreamento de atletas?

Tema: IA em cardiologia (ECG e ecocardiograma). Página: https://alphadoctor.com.br/ciencia/ia-cardiologia/como-as-variacoes-por-esporte-idade-e-genero-influenciam-a-interpretacao-do-ecg/

Conteúdo educacional para profissionais de saúde, baseado no resumo do artigo citado. Não substitui a leitura do estudo original nem avaliação clínica.
