# Um chatbot conversacional (Dejal@bot) é eficaz para cessação do tabagismo em adultos na atenção primária?

> Em um ensaio clínico randomizado pragmático e multicêntrico com 513 fumantes, a abstinência contínua validada bioquimicamente em 6 meses foi maior no grupo do chatbot (26%) do que no cuidado usual (18,8%), com odds ratio de 1,52 (IC 95% 1,00-2,31; P=.05). O resultado está no limite da significância estatística, exigindo cautela na interpretação.

Estudo citado: Olano-Espinosa E, Avila-Tomas JF, Minue-Lorenzo C, Matilla-Pardo B, Serrano Serrano ME, Martinez-Suberviola FJ et al.. Effectiveness of a Conversational Chatbot (Dejal@bot) for the Adult Population to Quit Smoking: Pragmatic, Multicenter, Controlled, Randomized Clinical Trial in Primary Care. JMIR mHealth and uHealth. 2022. DOI: https://doi.org/10.2196/34273. PubMed: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/35759328/

## Resposta

O estudo avaliou a eficácia de uma intervenção baseada em evidências para parar de fumar por meio de um chatbot em smartphones (Dejal@bot) em comparação com a prática clínica usual na atenção primária. Trata-se de um ensaio clínico randomizado, pragmático, multicêntrico, controlado, realizado em 34 centros de saúde do Serviço de Saúde de Madri, Espanha. Foram incluídos fumantes maiores de 18 anos que compareceram à consulta presencial e aceitaram ajuda para deixar o tabaco, recrutados por médicos ou enfermeiros.

Os participantes foram aleatoriamente alocados para receber cuidado usual (grupo controle) ou a intervenção com chatbot (grupo intervenção). Ambas as intervenções foram baseadas nos 5A's (Ask, Advise, Assess, Assist, Arrange) da diretriz de prática clínica dos EUA, combinando tratamentos comportamentais e farmacológicos, estruturados em várias consultas de seguimento. O desfecho primário foi a abstinência contínua do tabagismo validada bioquimicamente após 6 meses, com análise por intenção de tratar.

A amostra incluiu 513 pacientes (242 no grupo intervenção e 271 no grupo controle), com idade média de 49,8 anos (DP 10,82) e proporção de mulheres de 59,3% (304/513). A taxa de abstinência validada bioquimicamente aos 6 meses foi de 26% (63/242) no grupo intervenção e 18,8% (51/271) no grupo controle, com odds ratio de 1,52 (IC 95% 1,00-2,31; P=.05). Após ajuste para co-oximetria basal e uso de bupropiona, os resultados não mudaram substancialmente (OR 1,52; IC 95% 0,99-2,33; P=.05).

No grupo intervenção, 61,2% (148/242) dos usuários acessaram o chatbot, com tempo médio de interação de 121 minutos (IC 95% 121,1-140,0) e número médio de contatos de 45,56 (DP 36,32). Os autores concluem que um tratamento incluindo o chatbot foi mais eficaz do que a prática clínica usual na atenção primária, porém o resultado está no limite da significância estatística, e esses resultados promissores devem ser interpretados com cautela.

Para o médico brasileiro, o estudo sugere que ferramentas digitais conversacionais podem ser um complemento útil ao tratamento usual, especialmente pela escalabilidade e potencial de alcançar pacientes que não recebem acompanhamento profissional. No entanto, a significância estatística limítrofe e a taxa de conclusão do seguimento (45,2%) exigem ponderação antes de incorporar essa tecnologia na rotina. Mais estudos são necessários para confirmar a efetividade e definir o melhor uso na prática clínica e na gestão do consultório.

## O que o estudo mostrou

Ensaio clínico randomizado, pragmático, multicêntrico e controlado, realizado em 34 centros de atenção primária do Serviço de Saúde de Madri, Espanha, entre outubro de 2018 e março de 2019. Incluiu 513 fumantes adultos (242 no grupo intervenção e 271 no controle), com idade média de 49,8 anos e 59,3% de mulheres. A intervenção foi um chatbot (Dejal@bot) baseado nos 5A's, comparado ao cuidado usual. A abstinência contínua validada bioquimicamente aos 6 meses foi de 26% no grupo intervenção versus 18,8% no controle (OR 1,52; IC 95% 1,00-2,31; P=.05). No grupo intervenção, 61,2% acessaram o chatbot, com tempo médio de interação de 121 minutos e média de 45,56 contatos.

## Limitações

O resumo não informa detalhes sobre cegamento dos participantes (não cegos) e a taxa de conclusão do seguimento foi de apenas 45,2%, o que pode introduzir viés. O resultado primário está no limite da significância estatística (P=.05), e o intervalo de confiança inclui o valor nulo após ajuste. O resumo não informa limitações adicionais, como perdas e características dos não respondedores.

## Aplicação no consultório

A intervenção com chatbot pode ser considerada como ferramenta complementar ao aconselhamento e tratamento farmacológico para cessação do tabagismo na atenção primária, desde que o médico esteja atento à significância estatística limítrofe e à necessidade de validação em outros contextos. Na gestão do consultório, a escalabilidade dos chatbots pode otimizar o tempo da equipe e melhorar o acompanhamento de pacientes, mas requer infraestrutura de TI e treinamento. A decisão de adotar essa tecnologia deve ser baseada em evidências locais e nas preferências dos pacientes.

## Perguntas para aprofundar

- Qual é a taxa de abstinência com o uso de chatbot em comparação ao cuidado usual?
- Quais são as limitações do estudo sobre chatbot para cessação do tabagismo?
- Como implementar um chatbot para cessação do tabagismo na atenção primária?

Tema: IA na atenção primária. Página: https://alphadoctor.com.br/ciencia/ia-atencao-primaria/um-chatbot-conversacional-dejal-bot-e-eficaz-para-cessacao-do-tabagismo-em/

Conteúdo educacional para profissionais de saúde, baseado no resumo do artigo citado. Não substitui a leitura do estudo original nem avaliação clínica.
