# Quais biomarcadores comportamentais, neurobiológicos e genéticos podem auxiliar no diagnóstico do TDAH pediátrico segundo a medicina de precisão?

> Uma revisão sistemática identificou candidatos promissores: medidas de atividade física com validade discriminante boa a excelente, neuroimagem com aprendizado de máquina e modelos multifatoriais, e perfis de microRNA e metilação com maior acurácia. Abordagens multimétodo provavelmente aumentam a acurácia diagnóstica, mas complexidade e custo limitam a implementação na atenção primária.

Estudo citado: Pranjić M, Peisch V, Vukšić N, Subedi S, Arnett AB. Precision Medicine in Pediatric Attention-deficit/Hyperactivity Disorder: A Systematic Review of Behavioral, Neurobiological and Genetic Diagnostic Biomarkers. Journal of developmental and behavioral pediatrics : JDBP. 2025. DOI: https://doi.org/10.1097/DBP.0000000000001403. PubMed: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/40910865/

## Resposta

O diagnóstico do TDAH pediátrico permanece clínico, sem ferramentas objetivas disponíveis na rotina. A revisão sistemática buscou identificar biomarcadores comportamentais, neurobiológicos e genéticos que possam fundamentar uma abordagem de medicina de precisão para o diagnóstico.

Entre os estudos comportamentais, medidas de atividade física alcançaram validade discriminante na faixa boa a excelente. Já os biomarcadores de neuroimagem mostraram melhor desempenho quando combinados com aprendizado de máquina e modelos de múltiplas características, destacando-se paradigmas de NIRS baseados em tarefas de controle cognitivo.

Os achados genéticos revelaram a complexidade da arquitetura do TDAH, com variantes raras e comuns e mecanismos epigenéticos. Perfis de microRNA e de metilação demonstraram a maior acurácia geral entre os marcadores genéticos.

A conclusão é que abordagens multimétodo tendem a produzir a maior acurácia diagnóstica. No entanto, a complexidade e o custo dessas técnicas restringem sua implementação imediata na atenção primária, o que reforça a necessidade de validação e adaptação antes de incorporá-las à prática clínica.

Para o médico, os resultados indicam que biomarcadores objetivos ainda são promissores, mas não substituem a avaliação clínica. A aplicação na atenção primária exigirá estudos de implementação e consideração de custo-efetividade.

## O que o estudo mostrou

Revisão sistemática seguindo diretrizes PRISMA, com busca em MEDLINE, PsycInfo e Scopus de artigos publicados entre 2012 e 2024. Foram incluídos 111 estudos: 42 comportamentais, 44 de neuroimagem e 25 genéticos. Medidas de atividade física tiveram validade discriminante boa a excelente; neuroimagem foi mais forte com aprendizado de máquina e modelos multifatoriais; NIRS baseado em tarefas de controle cognitivo mostrou-se promissor; genética evidenciou arquitetura complexa, com microRNA e metilação apresentando maior acurácia.

## Limitações

O resumo não informa características detalhadas da amostra, como idade ou critérios diagnósticos, nem o risco de viés dos estudos incluídos. Também não são descritas limitações metodológicas específicas. A heterogeneidade entre os estudos e a ausência de validação externa dos marcadores limitam a generalização dos achados. O resumo não informa se houve meta-análise.

## Aplicação no consultório

Os achados ainda não permitem incorporar biomarcadores à rotina diagnóstica do TDAH na atenção primária. O médico deve manter a avaliação clínica como padrão e acompanhar a evolução das pesquisas. Na gestão do consultório, investir em instrumentos clínicos validados e em treinamento da equipe para avaliação comportamental continua sendo prioridade. A incorporação de tecnologias como NIRS e genética exigirá análise de custo e disponibilidade local antes de qualquer implementação.

## Perguntas para aprofundar

- Como medidas de atividade física podem ser incorporadas à avaliação clínica do TDAH infantil?
- Qual o papel da NIRS baseada em tarefas de controle cognitivo no diagnóstico do TDAH?
- Perfis de microRNA e metilação já estão disponíveis para uso clínico no TDAH pediátrico?

Tema: IA na atenção primária. Página: https://alphadoctor.com.br/ciencia/ia-atencao-primaria/quais-biomarcadores-comportamentais-neurobiologicos-e-geneticos-podem-auxiliar/

Conteúdo educacional para profissionais de saúde, baseado no resumo do artigo citado. Não substitui a leitura do estudo original nem avaliação clínica.
