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IA na atenção primária

O uso de inteligência artificial na interpretação de eletrocardiogramas aumenta o diagnóstico precoce de fração de ejeção reduzida na atenção primária?

Resposta curta: Sim. Em um ensaio clínico randomizado pragmático, a ferramenta de apoio à decisão baseada em IA aumentou o diagnóstico de fração de ejeção reduzida (≤50%) em 90 dias, tanto na coorte geral (2,1% vs 1,6%) quanto entre aqueles com AI-ECG positivo (19,5% vs 14,5%). Também houve maior uso de ecocardiograma nesse subgrupo.

Resposta

A insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida é subdiagnosticada, mas tratável. O estudo avaliou se uma ferramenta de apoio à decisão clínica baseada em inteligência artificial (IA) aplicada a eletrocardiogramas (ECG) poderia facilitar o diagnóstico precoce dessa condição em cenários de atenção primária.

Trata-se de um ensaio clínico randomizado pragmático que envolveu 120 equipes de atenção primária de 45 clínicas ou hospitais, randomizadas para intervenção (acesso aos resultados da IA; 181 clínicos) ou controle (cuidado usual; 177 clínicos). Foram incluídos 22.641 adultos sem histórico de insuficiência cardíaca, submetidos a ECG de rotina (11.573 no grupo intervenção e 11.068 no controle).

O desfecho primário foi novo diagnóstico de fração de ejeção reduzida (≤50%) em 90 dias após o ECG. A intervenção aumentou esse diagnóstico na coorte geral (2,1% vs 1,6%; OR 1,32; IC 1,01-1,61; P = 0,007) e entre aqueles com alta probabilidade de fração de ejeção reduzida (AI-ECG positivo, 6% da coorte) (19,5% vs 14,5%; OR 1,43; IC 1,08-1,91; P = 0,01).

O uso de ecocardiograma foi semelhante entre os grupos na coorte geral (19,2% vs 18,2%; P = 0,17), mas foi maior no grupo intervenção entre os pacientes com AI-ECG positivo (49,6% vs 38,1%; P < 0,001).

Os resultados indicam que o uso de um algoritmo de IA baseado em ECG pode permitir o diagnóstico precoce de fração de ejeção reduzida em pacientes na atenção primária, especialmente naqueles identificados como de alto risco pela ferramenta.

O que o estudo mostrou

Ensaio clínico randomizado pragmático com 120 equipes de atenção primária (45 clínicas ou hospitais) e 22.641 adultos sem insuficiência cardíaca prévia. A intervenção (acesso aos resultados da IA no ECG) aumentou o diagnóstico de fração de ejeção reduzida (≤50%) em 90 dias na coorte geral (2,1% vs 1,6%; OR 1,32; P = 0,007) e no subgrupo com AI-ECG positivo (19,5% vs 14,5%; OR 1,43; P = 0,01). Houve maior uso de ecocardiograma apenas entre os AI-ECG positivos (49,6% vs 38,1%; P < 0,001).

Limitações

O resumo não informa detalhes sobre cegamento, características dos clínicos ou pacientes, nem sobre a implementação da ferramenta. Os desfechos são de diagnóstico, não de desfechos clínicos. A interpretação é limitada ao cenário do estudo e ao período de 90 dias. Não são relatados eventos adversos ou custos.

Aplicação no consultório

A incorporação de ferramentas de IA na interpretação de ECG pode aumentar a detecção de fração de ejeção reduzida na atenção primária, especialmente em pacientes de alto risco identificados pelo algoritmo. Isso pode orientar a solicitação mais direcionada de ecocardiograma e melhorar o manejo precoce. Para a gestão do consultório, é necessário avaliar a integração da ferramenta no fluxo de trabalho, treinamento da equipe e acompanhamento dos resultados para garantir benefícios.

Estudo citado

Artificial intelligence-enabled electrocardiograms for identification of patients with low ejection fraction: a pragmatic, randomized clinical trial. Nature medicine, 2021.
Autores: Yao X, Rushlow DR, Inselman JW, McCoy RG, Thacher TD, Behnken EM, Bernard ME, Rosas SL, Akfaly A, Misra A, Molling PE, Krien JS, Foss RM, Barry BA, Siontis KC, Kapa S, Pellikka PA, Lopez-Jimenez F, Attia ZI, Shah ND, Friedman PA, Noseworthy PA.
DOI: 10.1038/s41591-021-01335-4 · PubMed: PMID 33958795

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Conteúdo educacional para profissionais de saúde, baseado no resumo do artigo citado. Não substitui a leitura do estudo original nem avaliação clínica.