# O suporte à decisão clínica com IA melhora a avaliação de risco cardiovascular e as decisões de manejo por médicos generalistas em cenários de recursos limitados?

> Em estudo randomizado com 102 médicos indonésios, o suporte à decisão clínica baseado em IA melhorou em 27% a avaliação correta do risco cardiovascular em 10 anos e em 29% a prescrição de estatinas, além de reduzir o tempo de decisão. Não houve melhora significativa na prescrição de aspirina, anti-hipertensivos ou nos encaminhamentos.

Estudo citado: Susanto AP, Lyell D, Widyantoro B, Juzar DA, Santoso A, Berkovsky S et al.. AI-Assisted Cardiovascular Risk Assessment by General Practitioners in Resource-Constrained Indonesian Settings Using a Conceptual Prototype: Randomized Controlled Study. Journal of medical Internet research. 2025. DOI: https://doi.org/10.2196/73131. PubMed: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/41289576/

## Resposta

O estudo avaliou o impacto de um protótipo conceitual de suporte à decisão clínica (CDS) baseado em inteligência artificial (IA) na avaliação do risco de doença cardiovascular aterosclerótica (ASCVD) em 10 anos e nas decisões de manejo em prevenção primária. Participaram 102 médicos generalistas de todas as 7 regiões geográficas da Indonésia, a maioria com idade entre 26 e 35 anos e mediana de 6 anos de experiência clínica.

Trata-se de um estudo randomizado controlado com desenho de três vias e within-subject, no qual cada médico completou 9 vinhetas clínicas representativas de apresentações típicas da atenção primária em ambiente ambulatorial com recursos limitados. Para cada vinheta, os participantes avaliaram o risco cardiovascular em 10 anos e tomaram decisões de manejo usando um protótipo conceitual de CDS com IA, um CDS automatizado ou nenhum suporte à decisão.

Os resultados mostraram que o CDS baseado em IA melhorou a avaliação correta do risco em 27% em comparação à avaliação sem assistência, o que equivale a uma classificação correta adicional para cada 3,7 pacientes (NNT=3,7; IC95% 2,9-5,2). A prescrição de estatinas também melhorou em 29%. Nas comparações pareadas, os médicos assistidos pela IA avaliaram corretamente mais casos (z=-5,602; P<.001) e prescreveram a estatina apropriada com mais frequência (z=-4,936; P<.001; tamanho de efeito médio r=0,35) em relação ao controle. Casos assistidos por IA exigiram menos tempo (médias marginais estimadas 63,6 s vs 72,8 s; F2, 772,8=5,710; P=.003).

Não houve melhora estatisticamente significativa na prescrição de aspirina (P=.08) e anti-hipertensivos (P=.30), nem nos encaminhamentos para exames avançados. Os participantes geralmente viram o CDS baseado em IA de forma positiva: 79% concordaram ou concordaram fortemente que seguiriam suas recomendações e 82% indicaram que o usariam se tivessem acesso. Eles acreditam que o CDS pode aumentar a eficiência da avaliação de risco, especialmente em ambientes de atenção primária com alto volume de atendimentos, mas ressaltaram a necessidade de verificar as recomendações da IA em relação às diretrizes clínicas para cada paciente.

Os autores concluem que as melhorias na avaliação de risco e na prescrição de estatinas, juntamente com a redução do tempo de decisão, destacam a potencial utilidade da IA na avaliação de risco de ASCVD, particularmente em cenários de recursos limitados, onde o uso eficiente dos recursos de saúde e do tempo dos médicos é crucial. No entanto, ressaltam que pesquisas adicionais são necessárias para determinar se as melhorias observadas neste estudo online se traduzem em ambientes do mundo real com poucos recursos.

## O que o estudo mostrou

Estudo randomizado controlado com desenho de três vias e within-subject, envolvendo 102 médicos generalistas da Indonésia. Cada médico completou 9 vinhetas clínicas e avaliou risco cardiovascular em 10 anos e decisões de manejo com CDS baseado em IA, CDS automatizado ou nenhum suporte. O CDS com IA melhorou a avaliação correta do risco em 27% (NNT=3,7; IC95% 2,9-5,2) e a prescrição de estatinas em 29% em comparação à avaliação sem assistência. Também reduziu o tempo de decisão (63,6 s vs 72,8 s; P=.003). Não houve melhora significativa na prescrição de aspirina (P=.08), anti-hipertensivos (P=.30) ou encaminhamentos.

## Limitações

O resumo não informa limitações explícitas, mas os próprios autores apontam que o estudo foi online e usou vinhetas clínicas, não pacientes reais, e que são necessárias pesquisas para verificar se os resultados se traduzem em ambientes do mundo real com poucos recursos. O resumo também não detalha a amostra de vinhetas ou o perfil completo dos participantes.

## Aplicação no consultório

Os achados sugerem que o uso de CDS baseado em IA pode auxiliar médicos generalistas na avaliação mais precisa do risco cardiovascular e na prescrição de estatinas, além de reduzir o tempo de decisão, o que é relevante em consultórios com alto volume de atendimentos e recursos limitados. A boa aceitação pelos médicos indica potencial para implementação, mas a necessidade de verificar as recomendações da IA com diretrizes clínicas reforça a importância de manter o julgamento clínico. A ausência de melhora em outros desfechos sugere que o benefício pode não ser uniforme para todas as decisões de manejo.

## Perguntas para aprofundar

- Como o suporte à decisão clínica com IA se compara ao suporte automatizado tradicional na avaliação de risco cardiovascular?
- Quais fatores podem explicar a falta de melhora nas decisões de prescrição de aspirina e anti-hipertensivos com o uso de IA?
- Qual é a percepção dos médicos sobre a utilidade e a confiabilidade das recomendações de IA na prática clínica diária?

Tema: IA na atenção primária. Página: https://alphadoctor.com.br/ciencia/ia-atencao-primaria/o-suporte-a-decisao-clinica-com-ia-melhora-a-avaliacao-de-risco-cardiovascular/

Conteúdo educacional para profissionais de saúde, baseado no resumo do artigo citado. Não substitui a leitura do estudo original nem avaliação clínica.
