O modelo IOTA ADNEX é superior ao RMI 1 no diagnóstico de câncer de ovário em mulheres sintomáticas?
Resposta curta: Sim. Em mulheres sintomáticas, o IOTA ADNEX com limiar de 10% apresentou maior sensibilidade que o RMI 1, tanto na pré-menopausa (89,1% vs 42,6%) quanto na pós-menopausa (96,1% vs 82,9%), com especificidade aceitável. O estudo ROCkeTS sugere que o ADNEX deve ser considerado o novo padrão para suspeita de câncer de ovário.
Resposta
O estudo ROCkeTS comparou estratégias diagnósticas para câncer de ovário em mulheres com sintomas inespecíficos. A revisão sistemática Cochrane identificou que a maioria dos estudos de acurácia não diferenciava pré e pós-menopausa e era conduzida em cenários de alta prevalência, limitando a aplicação à prática rotineira.
No coorte prospectivo de pré-menopausa (n=857), o RMI 1 no limiar 250 mostrou baixa sensibilidade (42,6%) e alta especificidade (96,5%). O IOTA ADNEX no limiar de 10% alcançou sensibilidade de 89,1% com especificidade de 73,2%, superior aos demais testes.
No coorte de pós-menopausa (n=1242), o RMI 1 teve melhor desempenho (sensibilidade 82,9%), mas o ADNEX 10% manteve a melhor sensibilidade (96,1%) com a menor queda de especificidade. O ROMA e o O-RADS não superaram o RMI 1 nesse grupo.
A análise de custo-consequência indicou que a estratégia em duas etapas, com triagem inicial de tumores benignos por ultrassom e cálculo do risco pelo ADNEX 10% no mesmo exame, ofereceu o melhor equilíbrio entre custo, rendimento diagnóstico e mortes por câncer.
Os autores concluem que o ADNEX 10% realizado por sonographers treinados deve ser considerado o novo padrão para suspeita de câncer de ovário, mas a implementação exige investimento em treinamento e garantia de qualidade.
O que o estudo mostrou
Estudo prospectivo multicêntrico (ROCkeTS) recrutou 2453 mulheres em 23 hospitais (2015-23) com sintomas, CA125 elevado e/ou imagem anormal. O desfecho primário foi câncer ovariano invasivo primário versus benigno/normal. Na pré-menopausa (n=857), o RMI 1 no limiar 250 teve sensibilidade de 42,6% e especificidade de 96,5%; o IOTA ADNEX 10% teve sensibilidade de 89,1% e especificidade de 73,2%. Na pós-menopausa (n=1242), o RMI 1 teve sensibilidade de 82,9% e o ADNEX 10% de 96,1%, com menor queda de especificidade. A prevalência de câncer foi 5,7% na pré-menopausa e 17% na pós-menopausa. A análise econômica favoreceu a estratégia de duas etapas com ADNEX 10%.
Limitações
O resumo informa que o estudo de coorte exigiu mudanças importantes no protocolo e que o recrutamento pós-pandemia foi lento. Não são detalhadas outras limitações metodológicas, como cegamento dos avaliadores ou perdas de seguimento. A aplicabilidade a outros sistemas de saúde e a necessidade de validação externa não são discutidas no resumo.
Aplicação no consultório
Para o médico que atende mulheres com sintomas inespecíficos, o estudo reforça a importância de estratificar o risco com modelos validados. O ADNEX 10% pode ser incorporado ao fluxo diagnóstico, desde que haja acesso a ultrassonografia transvaginal com sonographers treinados e garantia de qualidade. A estratégia em duas etapas pode reduzir custos e encaminhamentos desnecessários, especialmente em mulheres jovens, nas quais a prevalência de câncer foi muito baixa. A gestão do consultório deve considerar investimento em treinamento e protocolos de garantia de qualidade para implementar o modelo.
Estudo citado
Identifying the best diagnostic test for ovarian cancer - synopsis of Refining Ovarian Cancer Test accuracy Scores (ROCkeTS) research. Health technology assessment (Winchester, England), 2026.
Autores: Sundar S, Agarwal R, Scandrett K, Davenport C, Sturdy L, Ottridge R, Deeks J, ROCkeTS collaborators.
DOI: 10.3310/BDHS6485 · PubMed: PMID 41797598
Perguntas para aprofundar
- Como o IOTA ADNEX pode ser aplicado na atenção primária para triagem de câncer de ovário?
- Qual o impacto psicológico de um diagnóstico suspeito de câncer de ovário em mulheres jovens?
- Quais são os custos e benefícios da estratégia de duas etapas com ADNEX no sistema de saúde?
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