# Algoritmos de deep learning para rastreamento de retinopatia diabética têm acurácia diagnóstica consistente em estudos prospectivos?

> Sim. Uma meta-análise de estudos prospectivos mostrou sensibilidade agrupada de 0,94 e especificidade de 0,90 no nível do paciente para retinopatia diabética referível. O desempenho foi semelhante ao nível do olho e consistente entre dispositivos, incluindo sistemas portáteis e smartphones, com variação explicada por subtipo de RD, estratégia de campo retiniano, formato da câmera e prevalência.

Estudo citado: Wang TW, Luo WT, Tu YK, Chou YB, Wu YT. Prospective validation of deep-learning algorithms for diabetic retinopathy screening: A systematic review and meta-analysis. Survey of ophthalmology. 2026. DOI: https://doi.org/10.1016/j.survophthal.2025.11.012. PubMed: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/41344407/

## Resposta

A revisão sistemática com meta-análise reuniu estudos prospectivos de 23 países, totalizando 255.330 exames, para avaliar a acurácia diagnóstica de algoritmos de deep learning no rastreamento de retinopatia diabética (RD) usando imagens coloridas de fundo de olho. A qualidade metodológica foi avaliada com QUADAS-2 e modelos hierárquicos bivariados de efeitos aleatórios produziram estimativas agrupadas de sensibilidade e especificidade para RD referível e ameaçadora à visão, separadamente nos níveis do paciente e do olho.

No nível do paciente, a sensibilidade agrupada foi de 0,94 (IC 95% 0,92-0,95) e a especificidade de 0,90 (IC 95% 0,87-0,93). No nível do olho, os valores foram 0,93 (IC 95% 0,91-0,95) e 0,94 (IC 95% 0,92-0,96), respectivamente. Esses resultados indicam acurácia elevada e consistente para a detecção de casos referíveis, com desempenho comparável ou superior ao de estudos pivotais de aprovação regulatória (IDx-DR, EyeArt) citados no resumo.

A heterogeneidade entre os estudos foi explorada por meta-regressão com moderadores pré-especificados. Subtipo de RD, estratégia de campo retiniano, formato da câmera e prevalência explicaram de forma independente a variabilidade dos resultados (p < 0,05). A graduabilidade por IA foi ≥ 95% em 60% das coortes, incluindo sistemas portáteis e smartphones, o que sugere aplicabilidade em diferentes contextos de cuidado, como atenção primária, farmácias e clínicas móveis.

Os autores concluem que o rastreamento de RD baseado em deep learning atinge acurácia alta e consistente entre dispositivos e cenários assistenciais, viabilizando implantação escalável. Ressaltam, porém, que garantia de qualidade e monitoramento contínuo são essenciais para maximizar os benefícios em nível populacional. O resumo não detalha limitações específicas dos estudos incluídos, mas a avaliação de viés foi realizada com QUADAS-2 e a de viés de publicação com o teste de Deeks.

## O que o estudo mostrou

Revisão sistemática e meta-análise de estudos prospectivos de 23 países, com 255.330 exames, avaliando algoritmos de deep learning para rastreamento de retinopatia diabética em imagens coloridas de fundo de olho. A sensibilidade agrupada no nível do paciente foi 0,94 (IC 95% 0,92-0,95) e a especificidade 0,90 (IC 95% 0,87-0,93); no nível do olho, 0,93 (IC 95% 0,91-0,95) e 0,94 (IC 95% 0,92-0,96). Subtipo de RD, estratégia de campo retiniano, formato da câmera e prevalência explicaram heterogeneidade. A graduabilidade por IA foi ≥ 95% em 60% das coortes.

## Limitações

O resumo não informa limitações específicas dos estudos incluídos, como risco de viés detalhado ou heterogeneidade não explicada. A avaliação de viés de publicação foi feita com o teste de Deeks, mas os resultados não são apresentados. A aplicabilidade a populações com características distintas das incluídas não pode ser inferida apenas com base no resumo.

## Aplicação no consultório

Os achados apoiam a incorporação de sistemas de deep learning no rastreamento de retinopatia diabética em cenários de atenção primária, com acurácia alta e consistente entre dispositivos, inclusive portáteis. Para a gestão do consultório, isso significa considerar a implementação dessas ferramentas com garantia de qualidade e monitoramento contínuo dos resultados, além de atentar para fatores que influenciam o desempenho, como subtipo de RD, estratégia de campo retiniano, formato da câmera e prevalência local.

## Perguntas para aprofundar

- Qual é o desempenho de algoritmos de deep learning no rastreamento de retinopatia diabética em diferentes dispositivos e cenários de cuidado?
- Como a prevalência de retinopatia diabética influencia a acurácia de sistemas de IA para rastreamento?
- Quais estratégias de garantia de qualidade são necessárias para implantar rastreamento de retinopatia diabética com deep learning na atenção primária?

Tema: IA na atenção primária. Página: https://alphadoctor.com.br/ciencia/ia-atencao-primaria/algoritmos-de-deep-learning-para-rastreamento-de-retinopatia-diabetica-tem/

Conteúdo educacional para profissionais de saúde, baseado no resumo do artigo citado. Não substitui a leitura do estudo original nem avaliação clínica.
