# Em pacientes com esclerose sistêmica cutânea difusa, como a senescência celular dérmica e a transição endotélio-mesenquimal respondem ao transplante autólogo de células-tronco hematopoiéticas em comparação com ciclofosfamida?

> Em biópsias de pele de pacientes com esclerose sistêmica cutânea difusa, tanto o transplante autólogo de células-tronco hematopoiéticas quanto a ciclofosfamida reduziram a espessura da pele e atenuaram a transição endotélio-mesenquimal, mas a redução foi mais pronunciada no grupo do transplante. A senescência celular não diferiu significativamente entre os grupos.

Estudo citado: Chiu YH, van Dijk M, Goldschmeding R, van Laar JM, de Vries-Bouwstra JK, Spierings J. Dermal cellular senescence and EndMT in patients with systemic sclerosis undergoing cyclophosphamide or aHSCT treatment. Rheumatology (Oxford, England). 2025. DOI: https://doi.org/10.1093/rheumatology/keae660. PubMed: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/39656818/

## Resposta

Este estudo analisou biópsias de pele de pacientes com esclerose sistêmica cutânea difusa incluídos no ensaio Autologous Stem Cell Transplantation International Scleroderma, randomizados para transplante autólogo de células-tronco hematopoiéticas (aHSCT) ou pulsoterapia intravenosa de ciclofosfamida (CYC). Foram coletadas amostras antes e 6 meses após a randomização, e avaliados histopatologicamente fibrose, inflamação, senescência celular, transição endotélio-mesenquimal (EndMT) e remodelamento tecidual.

Os resultados mostraram que a diminuição do escore de pele de Rodnan modificado foi mais acentuada nos pacientes tratados com aHSCT em comparação com CYC aos 6 meses (mediana de variação -14 [IQR -16 a -9] vs -6 [IQR -9 a -4], respectivamente, P = 0,028). Histologicamente, a expressão do receptor do ativador do plasminogênio tipo uroquinase (uPAR) em fibroblastos, de P21 em vasos e de EndMT diminuiu após o tratamento em ambos os grupos, porém a redução foi mais pronunciada no grupo aHSCT.

Além disso, uma resposta cutânea pobre associou-se a níveis basais elevados de fator de crescimento do tecido conjuntivo (CTGF) em fibroblastos e níveis basais baixos de P21 em vasos, com razão de chances (OR) de 1,43 e 0,41, respectivamente. Também se observou resposta pobre em pacientes com aumento de CTGF em fibroblastos (OR 1,29) e de P21 em vasos (OR 3,02) após o tratamento, P < 0,001.

Os autores concluíram que tanto o aHSCT quanto a CYC intravenosa na esclerose sistêmica cutânea difusa reduziram o espessamento cutâneo clinicamente e atenuaram a EndMT, mas afetaram a senescência celular de forma não significativamente diferente. A EndMT e o uPAR associaram-se à atividade de fibro-remodelamento, enquanto senescência, CTGF, uPAR e vascularidade associaram-se à resposta ao tratamento.

Esses achados sugerem que marcadores histológicos como CTGF e P21 podem ajudar a predizer a resposta cutânea ao tratamento, mas o resumo não fornece detalhes sobre a amostra além de 14 pares de biópsias, nem sobre limitações do estudo. A aplicação clínica imediata é limitada, mas reforça a importância de considerar o aHSCT como opção mais eficaz para redução do espessamento cutâneo em pacientes elegíveis.

## O que o estudo mostrou

Estudo de biópsias de pele de pacientes com esclerose sistêmica cutânea difusa do ensaio Autologous Stem Cell Transplantation International Scleroderma, com 14 pares de biópsias analisadas antes e 6 meses após randomização para aHSCT ou ciclofosfamida intravenosa. A redução do escore de Rodnan modificado foi maior com aHSCT (mediana -14 vs -6, P=0,028). A expressão de uPAR em fibroblastos, P21 em vasos e EndMT diminuiu em ambos os grupos, mais acentuadamente com aHSCT. Resposta cutânea pobre associou-se a CTGF basal elevado (OR 1,43) e P21 basal baixo (OR 0,41), e a aumentos pós-tratamento de CTGF (OR 1,29) e P21 (OR 3,02).

## Limitações

O resumo não informa o tamanho total da amostra além dos 14 pares de biópsias, nem detalhes sobre o desenho do estudo, critérios de inclusão ou limitações metodológicas. Os achados são baseados em análise histopatológica de biópsias de pele e podem não refletir outros órgãos. O resumo também não fornece dados sobre eventos adversos ou seguimento de longo prazo.

## Aplicação no consultório

Os resultados podem auxiliar o reumatologista na discussão sobre opções de tratamento para pacientes com esclerose sistêmica cutânea difusa, especialmente ao considerar o aHSCT como mais eficaz na redução do espessamento cutâneo em comparação com ciclofosfamida. A avaliação de marcadores como CTGF e P21 em biópsias de pele, embora não rotineira, pode futuramente ajudar a predizer resposta. No consultório, é importante monitorar o escore de pele e considerar encaminhamento para centros especializados em transplante quando indicado.

## Perguntas para aprofundar

- Quais são os critérios de elegibilidade para o transplante autólogo de células-tronco hematopoiéticas em pacientes com esclerose sistêmica cutânea difusa?
- Como a senescência celular e a transição endotélio-mesenquimal se correlacionam com a progressão da fibrose na esclerose sistêmica?
- Qual o papel dos marcadores CTGF e P21 na predição da resposta ao tratamento em pacientes com esclerose sistêmica?

Tema: Fibroblastos autólogos. Página: https://alphadoctor.com.br/ciencia/fibroblastos-autologos/em-pacientes-com-esclerose-sistemica-cutanea-difusa-como-a-senescencia-celular/

Conteúdo educacional para profissionais de saúde, baseado no resumo do artigo citado. Não substitui a leitura do estudo original nem avaliação clínica.
