# A suspensão de células autólogas da pele é eficaz e durável para repigmentação do vitiligo estável?

> Em um estudo randomizado, 36% das lesões tratadas com suspensão de células autólogas da pele atingiram ≥80% de repigmentação na semana 24, contra 0% no controle, com durabilidade até a semana 52 e perfil de segurança aceitável. A amostra foi de 25 sujeitos, limitando análises de subgrupo.

Estudo citado: Hamzavi IH, Ganesan AK, Mahmoud BH, Weiss E, Ahmed AM, Robinson D et al.. Effective and durable repigmentation for stable vitiligo: A randomized within-subject controlled trial assessing treatment with autologous skin cell suspension transplantation. Journal of the American Academy of Dermatology. 2024. DOI: https://doi.org/10.1016/j.jaad.2024.08.027. PubMed: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/39182674/

## Resposta

O vitiligo estável representa um desafio terapêutico, pois as lesões frequentemente respondem de forma insatisfatória às terapias médicas convencionais. Métodos cirúrgicos de transferência de melanócitos autólogos podem ser utilizados, mas exigem habilidades especializadas e equipamentos dedicados. Nesse contexto, um dispositivo de coleta celular point-of-care foi desenvolvido para permitir a preparação simples de uma suspensão de células autólogas da pele (ASCS) contendo melanócitos, queratinócitos e fibroblastos, oferecendo uma abordagem direta para o transplante celular.

O estudo avaliou a segurança e a eficácia da ASCS para repigmentação de lesões de vitiligo estável em adultos. Trata-se de um ensaio clínico randomizado, multicêntrico, com controle dentro do mesmo sujeito, comparando ASCS a apenas narrow band ultraviolet B (controle) em lesões semelhantes de vitiligo. A ASCS foi aplicada após ressurgimento cutâneo a laser e seguida de tratamento com narrow band ultraviolet B. O desfecho primário de eficácia foi a proporção de lesões que atingiram ≥80% de repigmentação na semana 24, e a durabilidade da repigmentação foi avaliada na semana 52.

Entre 25 sujeitos, 36% das lesões tratadas com ASCS atingiram ≥80% de repigmentação na semana 24, em comparação com 0% no controle (P < .025), com durabilidade até a semana 52. O perfil de segurança da ASCS foi aceitável, com desfechos favoráveis relatados por pacientes e investigadores. Esses achados sugerem que a aplicação da ASCS tem potencial como tratamento para repigmentação de lesões de vitiligo estável, com possibilidade de melhorar a qualidade de vida relacionada à saúde e reduzir a carga da doença.

A limitação relatada no resumo é que o tamanho da amostra limitou análises robustas de subgrupos. O resumo não informa detalhes sobre o desenho completo, critérios de inclusão e exclusão, ou características basais dos participantes além do número total. Também não são descritos eventos adversos específicos ou a magnitude dos benefícios relatados por pacientes e investigadores. Essas informações são relevantes para a interpretação clínica dos resultados e para a comparação com outras modalidades cirúrgicas.

Para o médico que atende pacientes com vitiligo estável, a ASCS surge como uma opção cirúrgica que pode ser preparada de forma simples no ponto de cuidado, sem demandar equipamentos complexos. No entanto, a decisão de incorporar essa técnica na prática deve considerar a disponibilidade do dispositivo, a necessidade de treinamento da equipe e a seleção adequada de pacientes com doença estável. A gestão do consultório pode se beneficiar da organização de fluxos para coleta, processamento e aplicação da suspensão celular, além do acompanhamento fotográfico padronizado para avaliar a repigmentação ao longo do tempo.

## O que o estudo mostrou

Ensaio clínico randomizado, multicêntrico, com controle dentro do mesmo sujeito, incluindo 25 adultos com vitiligo estável. Comparou ASCS aplicada após ressurgimento cutâneo a laser, seguida de narrow band ultraviolet B, versus apenas narrow band ultraviolet B (controle). O desfecho primário foi ≥80% de repigmentação na semana 24: 36% das lesões tratadas com ASCS atingiram o desfecho, contra 0% no controle (P < .025), com durabilidade até a semana 52. O perfil de segurança foi aceitável, com desfechos favoráveis relatados por pacientes e investigadores.

## Limitações

O resumo informa que o tamanho da amostra limitou análises robustas de subgrupos. Não são detalhados critérios de inclusão e exclusão, características basais dos participantes, eventos adversos específicos ou a magnitude dos desfechos relatados por pacientes e investigadores. O resumo também não descreve o método de randomização ou o cegamento dos avaliadores.

## Aplicação no consultório

A ASCS pode ser considerada uma opção cirúrgica para repigmentação de vitiligo estável, com a vantagem de preparo simples no ponto de cuidado. Para incorporá-la, o consultório precisa avaliar a disponibilidade do dispositivo, treinar a equipe e estabelecer um fluxo para coleta, processamento e aplicação da suspensão celular. A seleção de pacientes com doença estável é fundamental, assim como o acompanhamento fotográfico padronizado para monitorar a repigmentação e a durabilidade. A gestão deve prever tempo e recursos para o procedimento e para o seguimento com narrow band ultraviolet B.

## Perguntas para aprofundar

- Quais são os critérios para indicar a suspensão de células autólogas da pele em pacientes com vitiligo estável?
- Como a suspensão de células autólogas da pele se compara a outras técnicas cirúrgicas de repigmentação no vitiligo?
- Qual é o perfil de eventos adversos da suspensão de células autólogas da pele no tratamento do vitiligo?

Tema: Fibroblastos autólogos. Página: https://alphadoctor.com.br/ciencia/fibroblastos-autologos/a-suspensao-de-celulas-autologas-da-pele-e-eficaz-e-duravel-para-repigmentacao/

Conteúdo educacional para profissionais de saúde, baseado no resumo do artigo citado. Não substitui a leitura do estudo original nem avaliação clínica.
