# Quais circRNAs têm potencial como biomarcadores para diagnóstico, prognóstico e terapia no câncer colorretal?

> Uma revisão sistemática de 236 artigos identificou 217 circRNAs no câncer colorretal, dos quais 74 associados ao diagnóstico, 160 ao tratamento e 51 ao prognóstico. A maioria atua como oncogênica e 32 são exossomais, com vantagens como biomarcadores. Foram construídas redes circRNA-miRNA-mRNA, sugerindo novos eixos regulatórios.

Estudo citado: Xiao Y, Qiu M, Tan C, Huang W, Hu S, Jiang X et al.. Systematic analysis of circRNA biomarkers for diagnosis, prognosis and therapy in colorectal cancer. Frontiers in genetics. 2022. DOI: https://doi.org/10.3389/fgene.2022.938672. PubMed: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/36313458/

## Resposta

O câncer colorretal é uma das neoplasias mais incidentes e letais globalmente, e a busca por biomarcadores que auxiliem na detecção precoce, predição de resposta terapêutica e prognóstico é intensa. Nesse contexto, os RNAs circulares (circRNAs) emergiram como candidatos promissores devido à sua estabilidade e especificidade tecidual. Uma revisão sistemática recente reuniu evidências sobre o papel dessas moléculas no câncer colorretal, com o objetivo de sintetizar seus padrões de expressão, funções biológicas e significado clínico.

A partir de 236 artigos incluídos, foram catalogados 217 circRNAs, seus 108 genes hospedeiros e 145 miRNAs associados. Desses miRNAs, 27 não possuíam genes-alvo correspondentes. Após predição e análise diferencial, 25 genes-alvo foram identificados e uma rede de interação circRNA-miRNA-mRNA foi construída. Entre os circRNAs, 74 foram relacionados ao diagnóstico, 160 ao tratamento e 51 ao prognóstico. Além disso, 154 atuam como oncogenes e 58 como supressores tumorais, e 32 são exossomais, com vantagens únicas como biomarcadores.

Esses achados sugerem que os circRNAs podem desempenhar papéis relevantes em diferentes etapas da doença, desde a detecção até a predição de desfechos terapêuticos. A construção de eixos regulatórios circRNA-miRNA-mRNA oferece uma base para compreender mecanismos moleculares e para o desenvolvimento de alvos terapêuticos. A natureza exossomal de parte desses circRNAs reforça seu potencial como biomarcadores acessíveis em fluidos biológicos, o que poderia facilitar sua aplicação clínica.

No entanto, a heterogeneidade dos estudos incluídos e a falta de validação prospectiva em coortes independentes limitam a translação imediata para a prática. O resumo não informa detalhes sobre o desenho ou a qualidade metodológica dos artigos originais, nem sobre o tamanho amostral total. Assim, os resultados devem ser interpretados como um panorama do conhecimento atual, e não como evidência definitiva para uso clínico rotineiro.

Para o médico, esse panorama reforça a importância de acompanhar a evolução dos biomarcadores moleculares no câncer colorretal, especialmente os circRNAs exossomais, que podem futuramente auxiliar na estratificação de risco e na escolha terapêutica. Contudo, a aplicação clínica ainda depende de estudos de validação robustos e padronização de métodos de detecção.

## O que o estudo mostrou

Trata-se de uma revisão sistemática que incluiu 236 artigos, identificando 217 circRNAs, 108 genes hospedeiros e 145 miRNAs no câncer colorretal. Desses circRNAs, 74 foram associados ao diagnóstico, 160 ao tratamento e 51 ao prognóstico; 154 atuam como oncogenes e 58 como supressores tumorais. Foram identificados 32 circRNAs exossomais. Após predição de alvos, 25 genes-alvo foram obtidos e uma rede circRNA-miRNA-mRNA foi construída, revelando novos eixos regulatórios.

## Limitações

O resumo não informa o desenho ou a qualidade metodológica dos estudos incluídos, nem o tamanho amostral total. A heterogeneidade entre os artigos pode limitar a comparabilidade dos achados. Além disso, não há menção a validação prospectiva em coortes independentes, o que restringe a conclusão sobre a utilidade clínica imediata dos circRNAs como biomarcadores.

## Aplicação no consultório

O conhecimento sobre circRNAs pode auxiliar o médico na compreensão de mecanismos moleculares do câncer colorretal e no acompanhamento de novas ferramentas diagnósticas. Na gestão do consultório, isso se traduz em atualização científica e preparação para incorporar, quando validados, testes baseados em biomarcadores. A identificação de circRNAs exossomais destaca a possibilidade futura de exames menos invasivos, mas sua aplicação rotineira ainda não está estabelecida.

## Perguntas para aprofundar

- Qual o papel dos circRNAs exossomais como biomarcadores no câncer colorretal?
- Como os circRNAs podem influenciar a resposta ao tratamento do câncer colorretal?
- Quais são os principais desafios para a validação clínica dos circRNAs no câncer colorretal?

Tema: Exossomos e vesículas extracelulares. Página: https://alphadoctor.com.br/ciencia/exossomos/quais-circrnas-tem-potencial-como-biomarcadores-para-diagnostico-prognostico-e/

Conteúdo educacional para profissionais de saúde, baseado no resumo do artigo citado. Não substitui a leitura do estudo original nem avaliação clínica.
