O uso de células-tronco mesenquimais ou seus exossomos é seguro e eficaz em pacientes com COVID-19?
Resposta curta: Segundo esta revisão sistemática, a terapia com células-tronco mesenquimais ou seus exossomos é segura e bem tolerada em pacientes com COVID-19, melhorando parâmetros de oxigenação e auxiliando na recuperação pulmonar, com redução de marcadores inflamatórios e da carga viral. Os exossomos mostraram-se superiores às células intactas em segurança.
Resposta
Esta revisão sistemática avaliou o potencial terapêutico e a segurança do uso de células-tronco mesenquimais (MSC) ou seus exossomos em pacientes com COVID-19. A busca seguiu as diretrizes PRISMA 2020 e incluiu 22 artigos após triagem. Os estudos analisados sugerem que tanto as MSC quanto seus exossomos são seguros e bem tolerados nessa população.
Os resultados indicam que a terapia com MSC ou exossomos melhora diferentes parâmetros de oxigenação e auxilia na recuperação pulmonar. Os exossomos derivados de MSC mostraram-se superiores às MSC intactas em termos de segurança, por serem menores, com menor resposta imunológica, não formarem aglomerados nos capilares e não se dividirem, reduzindo o potencial oncogênico.
Além disso, as MSC aumentam a angiogênese e a reepitelização alveolar, reduzem marcadores como TNF alfa, TGF beta e colágenos I e III, diminuem o crescimento de miofibroblastos e aumentam a sobrevivência do endotélio, atenuando e até revertendo a fibrose pulmonar. A carga viral, células inflamatórias e biomarcadores inflamatórios tendem a diminuir com a terapia.
As imagens radiológicas, como raio-X de tórax e tomografia computadorizada, mostram melhora e redução dos processos destrutivos em andamento. A revisão conclui que o uso de MSC ou seus exossomos é seguro e bem tolerado, com benefícios em parâmetros de oxigenação e na recuperação pulmonar.
Para o médico, esses achados sugerem que a terapia celular pode ser uma opção promissora no manejo da síndrome do desconforto respiratório agudo (ARDS) associada à COVID-19, mas são necessários mais estudos para confirmar esses resultados e definir protocolos.
O que o estudo mostrou
Revisão sistemática com busca nas bases PubMed, Embase, Scopus, Cochrane CENTRAL e clinicaltrials.gov até 31 de dezembro de 2021, seguindo PRISMA 2020 e registrada no PROSPERO (CRD42022301666). Após triagem, 22 artigos foram incluídos. Os estudos revelaram que exossomos de MSC são superiores às MSC isoladas em segurança, e que as MSC aumentam angiogênese e reepitelização alveolar, reduzem marcadores inflamatórios e fibrogênicos, atenuam a fibrose pulmonar e melhoram a oxigenação e a recuperação pulmonar.
Limitações
O resumo não informa detalhes sobre o desenho dos estudos incluídos, tamanho de amostra, heterogeneidade entre os estudos ou análise de risco de viés. Também não são descritas limitações específicas da revisão. Os resultados devem ser interpretados com cautela, pois se baseiam em uma síntese de estudos com possíveis variações metodológicas.
Aplicação no consultório
Os achados podem orientar o médico na discussão sobre terapias celulares experimentais para COVID-19, especialmente em casos de ARDS. No entanto, a aplicação clínica rotineira ainda não está estabelecida, pois a revisão é baseada em estudos diversos e não fornece protocolos padronizados. Para a gestão do consultório, é importante acompanhar as evidências e considerar a terapia apenas em contextos de pesquisa ou protocolos institucionais.
Estudo citado
Association between Mesenchymal Stem Cells and COVID-19 Therapy: Systematic Review and Current Trends. BioMed research international, 2022.
Autores: Javed A, Karki S, Sami Z, Khan Z, Shree A, Sah BK, Ghosh S, Saxena S.
DOI: 10.1155/2022/9346939 · PubMed: PMID 35782071
Perguntas para aprofundar
- Quais são os critérios de segurança para o uso de células-tronco mesenquimais em pacientes com COVID-19?
- Como os exossomos derivados de MSC se comparam às MSC intactas em eficácia e segurança?
- Quais parâmetros de oxigenação e inflamatórios melhoram com a terapia com MSC em pacientes com COVID-19?
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