O que a experiência clínica com biomateriais e engenharia de tecidos para bexiga urinária mostra até o momento?
Resposta curta: A revisão sistemática identificou 25 estudos com 222 pacientes submetidos a substitutos vesicais com biomateriais ou bexiga engenheirada. Apesar da variedade de materiais testados, os desfechos e relatos de segurança não foram satisfatórios para substituir a enterocistoplastia. Avanços tecnológicos e melhor compreensão são necessários para tornar essa opção viável no futuro.
Resposta
A revisão sistemática buscou identificar e sumarizar a experiência clínica publicada sobre o uso de biomateriais e engenharia de tecidos para substituição ou aumento vesical. A busca foi realizada em fevereiro de 2019 e incluiu estudos em humanos que utilizaram biomateriais ou bexiga engenheirada como implantes vesicais. Foram identificados 25 estudos, entre relatos de caso e séries de casos, com experiência clínica cumulativa de 222 pacientes.
Diversos biomateriais foram empregados, como molde de plástico/polietileno, bexiga de cão preservada, esponja de gelatina, papel japonês com Nobecutane, dura humana liofilizada, pericárdio bovino, membrana amniótica, mucosa de intestino delgado e engenharia de tecidos com scaffolds biodegradáveis semeados com células autólogas. Cada estudo foi sumarizado quanto à indicação, técnica, tempo de seguimento, desfecho e achados importantes.
Apesar da variedade de abordagens, os resultados clínicos globais, incluindo desfechos e relatos de segurança, não foram satisfatórios o suficiente para substituir a enterocistoplastia. Os autores concluem que, até o momento, as experiências clínicas com biomateriais e bexiga engenheirada têm mostrado desfechos não satisfatórios, e que avanços tecnológicos e melhor compreensão são necessários para que a engenharia de tecidos vesical se torne uma opção terapêutica promissora para pacientes que necessitam de derivação urinária.
O resumo não informa detalhes sobre o desenho específico de cada estudo incluído, nem sobre limitações individuais, mas a natureza de relatos de caso e séries de casos sugere baixo nível de evidência. A revisão reforça a necessidade de cautela na interpretação desses resultados e destaca a enterocistoplastia como padrão de referência atual.
Para o médico, a revisão indica que a engenharia de tecidos vesical ainda não está pronta para uso clínico rotineiro. A aplicação no consultório envolve discussão informada com pacientes sobre opções experimentais e a importância de encaminhamento para centros de pesquisa. A gestão do consultório pode incluir acompanhamento de literatura e participação em estudos clínicos, mas sem promessas de benefícios até que novos dados surjam.
O que o estudo mostrou
Revisão sistemática da literatura realizada em fevereiro de 2019 que identificou 25 estudos (relatos de caso e séries de casos) com 222 pacientes submetidos a implantes de biomateriais ou bexiga engenheirada para substituição ou aumento vesical. Diversos materiais foram utilizados, incluindo plástico/polietileno, bexiga de cão preservada, esponja de gelatina, papel japonês com Nobecutane, dura humana liofilizada, pericárdio bovino, membrana amniótica, mucosa de intestino delgado e scaffolds biodegradáveis com células autólogas. Os desfechos e relatos de segurança não foram satisfatórios para substituir a enterocistoplastia.
Limitações
O resumo não informa o desenho detalhado dos estudos incluídos, que são relatos de caso e séries de casos, com baixo nível de evidência. Não são descritos critérios de inclusão, qualidade metodológica, heterogeneidade ou análise de risco de viés. Os resultados agregados não permitem conclusões definitivas sobre eficácia ou segurança de materiais específicos.
Aplicação no consultório
A revisão indica que biomateriais e bexiga engenheirada ainda não substituem a enterocistoplastia na prática clínica. No consultório, o médico deve discutir com pacientes que essas abordagens são experimentais e não têm resultados satisfatórios consolidados. A gestão pode incluir acompanhamento de publicações e encaminhamento para centros de pesquisa, sem criar expectativas infundadas. A enterocistoplastia permanece como referência para aumento vesical.
Estudo citado
Review of clinical experience on biomaterials and tissue engineering of urinary bladder. World journal of urology, 2020.
Autores: Chua ME, Farhat WA, Ming JM, McCammon KA.
DOI: 10.1007/s00345-019-02833-4 · PubMed: PMID 31222507
Perguntas para aprofundar
- Quais são os resultados atuais da enterocistoplastia em comparação com biomateriais para aumento vesical?
- Quais critérios de segurança devem ser considerados antes de indicar bexiga engenheirada em humanos?
- Como identificar centros de pesquisa com experiência em engenharia de tecidos vesical no Brasil?
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