# A terapia celular é segura e eficaz para pacientes com paralisia cerebral?

> Revisão sistemática de 60 estudos com 1474 pacientes com paralisia cerebral mostrou efeitos terapêuticos favoráveis em 54 dos 60 estudos, com 0,41% de eventos adversos graves e 32,9% de leves. Células-tronco mesenquimais e mononucleares de medula óssea por via intratecal mostraram benefícios, mas resultados inconsistentes. Ensaios randomizados duplos-cegos são necessários.

Estudo citado: Akat A, Karaöz E. A systematic review of cell therapy modalities and outcomes in cerebral palsy. Molecular and cellular biochemistry. 2025. DOI: https://doi.org/10.1007/s11010-024-05072-3. PubMed: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/39033213/

## Resposta

A paralisia cerebral é uma condição que causa deficiências físicas e cognitivas significativas, e as intervenções visam melhorar a qualidade de vida e reduzir a deficiência. Apesar dos avanços, permanece incurável devido às suas origens diversas. Esta revisão sistemática avaliou ensaios clínicos, estudos e relatos de caso sobre várias abordagens de terapia celular para paralisia cerebral, incluindo diferentes tipos de células, como células-tronco mesenquimais, células olfatórias envoltórias, células-tronco/progenitoras neurais, macrófagos e células mononucleares derivadas de sangue periférico, sangue de cordão e medula óssea.

Em 60 estudos envolvendo 1474 pacientes com paralisia cerebral, foram relatados seis eventos adversos graves (0,41%) e 485 eventos adversos leves (32,9%). Efeitos terapêuticos favoráveis foram observados em 54 dos 60 estudos de terapia celular, indicando um potencial promissor para tratamentos celulares na paralisia cerebral. A aplicação intratecal de MSC e BM-MNC revelou benefícios terapêuticos, sendo os estudos com MSC geralmente mais seguros do que outras terapias celulares.

No entanto, os ensaios com MSC e BM-MNC mostraram resultados inconsistentes, com alguns demonstrando eficácia superior para certos desfechos. A dose celular, a via de transplante e a frequência de administração podem afetar a eficácia dessas terapias. Os achados destacam a promessa das terapias celulares para melhorar o tratamento da paralisia cerebral e enfatizam a necessidade de pesquisa contínua para refinar os protocolos de tratamento e aumentar a segurança.

Para estabelecer evidências conclusivas sobre a eficácia comparativa dos vários tipos de células no tratamento da paralisia cerebral, são essenciais ensaios clínicos randomizados e duplos-cegos. A revisão não fornece detalhes sobre a amostra de cada estudo individual, o desenho específico de cada um ou limitações metodológicas, mas ressalta a heterogeneidade das intervenções e a necessidade de padronização.

## O que o estudo mostrou

Trata-se de uma revisão sistemática que avaliou ensaios clínicos, estudos e relatos de caso sobre terapias celulares para paralisia cerebral. Foram incluídos 60 estudos com 1474 pacientes. Os tipos celulares avaliados incluíram células-tronco mesenquimais, células olfatórias envoltórias, células-tronco/progenitoras neurais, macrófagos e células mononucleares de sangue periférico, cordão umbilical e medula óssea. Foram relatados seis eventos adversos graves (0,41%) e 485 eventos adversos leves (32,9%). Efeitos terapêuticos favoráveis foram observados em 54 dos 60 estudos. Aplicações intratecais de MSC e BM-MNC mostraram benefícios, com MSC geralmente mais seguras. Resultados inconsistentes foram observados, e dose, via e frequência podem afetar a eficácia.

## Limitações

O resumo não informa as limitações metodológicas dos estudos incluídos, nem detalha a qualidade dos ensaios, o risco de viés ou a heterogeneidade das populações. Também não especifica a amostra de cada estudo individual, os critérios de inclusão ou o tempo de seguimento. A ausência de ensaios randomizados duplos-cegos é apontada como uma limitação para conclusões definitivas sobre a eficácia comparativa entre os tipos celulares.

## Aplicação no consultório

Os achados sugerem que a terapia celular pode ser discutida como uma opção experimental para paralisia cerebral, mas a inconsistência dos resultados e a necessidade de ensaios randomizados limitam sua aplicação clínica rotineira. No consultório, o médico deve informar os pacientes sobre o potencial e as incertezas, além de considerar a segurança relativa das MSC. Para a gestão do consultório, é importante acompanhar a literatura e evitar oferecer terapias não comprovadas como padrão, priorizando a participação em estudos clínicos bem desenhados quando disponíveis.

## Perguntas para aprofundar

- Quais são os eventos adversos mais comuns associados à terapia celular em paralisia cerebral?
- A via intratecal é preferível à via intravenosa para transplante de células-tronco mesenquimais?
- Como a dose e a frequência de administração de células influenciam os desfechos clínicos?

Tema: Engenharia de tecidos. Página: https://alphadoctor.com.br/ciencia/engenharia-tecidos/a-terapia-celular-e-segura-e-eficaz-para-pacientes-com-paralisia-cerebral/

Conteúdo educacional para profissionais de saúde, baseado no resumo do artigo citado. Não substitui a leitura do estudo original nem avaliação clínica.
