# Qual é a evidência disponível sobre segurança, viabilidade e eficácia da terapia celular alogênica em neonatos a termo e pré-termo?

> Uma revisão sistemática identificou 12 estudos publicados com 153 neonatos e 21 estudos em andamento. As células mesenquimais estromais foram o tipo mais usado, principalmente provenientes de sangue de cordão umbilical. Nove estudos não relataram eventos adversos graves relacionados à administração celular; dados de eficácia foram limitados.

Estudo citado: Razak A, Lei D, McDonald CA, Hunt RW, Miller SL, Malhotra A. Allogeneic Cell Therapy Applications in Neonates: A Systematic Review. Stem cells translational medicine. 2023. DOI: https://doi.org/10.1093/stcltm/szad048. PubMed: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/37603845/

## Resposta

A terapia celular alogênica em neonatos é um campo em expansão, mas com dados ainda restritos. Esta revisão sistemática buscou sumarizar as evidências disponíveis sobre segurança, viabilidade e eficácia dessa abordagem em neonatos a termo e pré-termo, incluindo estudos publicados e registros de estudos em andamento.

Foram incluídos 12 estudos publicados, envolvendo 153 neonatos, além de 21 estudos em andamento. A principal fonte de células alogênicas foi o sangue de cordão umbilical. As células mesenquimais estromais foram o tipo celular predominante, utilizadas em 134 dos 153 neonatos; outros tipos incluíram células nucleadas totais derivadas de sangue de cordão umbilical e células epiteliais de âmnio humano.

As aplicações clínicas abrangeram displasia broncopulmonar, doença de Krabbe, hemorragia intraventricular, acidente vascular cerebral isquêmico arterial perinatal, encefalopatia hipóxico-isquêmica e enterocolite necrosante. Nove dos 12 estudos não relataram eventos adversos graves relacionados à administração celular. Três estudos relataram eventos adversos graves, incluindo doença do enxerto contra o hospedeiro e comprometimento cardiorrespiratório transitório.

Os dados sobre desfechos de eficácia foram limitados. A conclusão dos autores é que a segurança e a viabilidade da terapia celular alogênica em neonatos estão disponíveis, principalmente com o uso de células mesenquimais estromais. No entanto, são necessários mais dados de segurança para outros tipos celulares, e o risco de doença do enxerto contra o hospedeiro em diferentes contextos precisa ser determinado. Estudos de eficácia são amplamente ausentes para todos os tipos celulares.

Para o médico que atua em neonatologia, a revisão reforça que a terapia celular alogênica ainda é experimental em grande parte das aplicações neonatais, com evidências de segurança concentradas nas células mesenquimais estromais. A interpretação dos achados deve considerar a heterogeneidade das populações e das fontes celulares, além da ausência de dados robustos de eficácia.

## O que o estudo mostrou

Revisão sistemática com busca em bases de dados e registros, incluindo 12 estudos publicados (153 neonatos) e 21 estudos em andamento. As células mesenquimais estromais foram o principal tipo celular (134 de 153 neonatos), majoritariamente provenientes de sangue de cordão umbilical. As aplicações incluíram displasia broncopulmonar, doença de Krabbe, hemorragia intraventricular, acidente vascular cerebral isquêmico arterial perinatal, encefalopatia hipóxico-isquêmica e enterocolite necrosante. Nove de 12 estudos não relataram eventos adversos graves relacionados à administração celular; três relataram eventos adversos graves, como doença do enxerto contra o hospedeiro e comprometimento cardiorrespiratório transitório. Dados de eficácia foram limitados.

## Limitações

O resumo não informa detalhes sobre o desenho individual dos estudos incluídos, a qualidade metodológica de cada um ou o risco de viés específico. Os dados de eficácia foram limitados, e o resumo não permite concluir sobre benefício clínico. Além disso, a maioria das evidências de segurança refere-se a células mesenquimais estromais, com dados insuficientes para outros tipos celulares e para determinar o risco de doença do enxerto contra o hospedeiro em diferentes contextos.

## Aplicação no consultório

A revisão indica que a terapia celular alogênica em neonatos ainda é uma área experimental, com evidências de segurança concentradas nas células mesenquimais estromais e sem dados robustos de eficácia. Na prática clínica, isso reforça a necessidade de cautela ao considerar ou discutir essas intervenções, priorizando protocolos de pesquisa e acompanhamento rigoroso. Para a gestão do consultório, é importante orientar a equipe sobre o caráter investigacional dessas terapias e manter registros detalhados de eventuais eventos adversos, além de acompanhar a publicação de estudos de eficácia.

## Perguntas para aprofundar

- Quais são os eventos adversos graves relatados com o uso de células alogênicas em neonatos?
- As células mesenquimais estromais são seguras em neonatos pré-termo com displasia broncopulmonar?
- Qual é o risco de doença do enxerto contra o hospedeiro com diferentes fontes de células alogênicas em neonatos?

Tema: Células-tronco mesenquimais. Página: https://alphadoctor.com.br/ciencia/celulas-tronco-mesenquimais/qual-e-a-evidencia-disponivel-sobre-seguranca-viabilidade-e-eficacia-da-terapia/

Conteúdo educacional para profissionais de saúde, baseado no resumo do artigo citado. Não substitui a leitura do estudo original nem avaliação clínica.
